Pov. Saito
— Eu escolho… a Mabel.
— Como é? — perguntou, confuso e furioso.
Ouvi os gritos abafados de Mabel, mas não olhei para ela. Minha atenção estava toda em Dipper, que me encarava, surpreso.
— Eu quero que o Dipper viva.
— Vai… vai me escolher? — perguntou Dipper, incrédulo.
— Tem certeza? Olhe para ela! — gritou o palhaço.
O grito foi tão alto que eu me sobressaltei.
Se antes ele estava com raiva, agora parecia prestes a pular no meu pescoço.
— Tenho certeza.
Minha voz saiu tão firme que até eu me surpreendi.
— Por quê? — perguntou Dipper.
— Você me salvou uma vez, Dipper. Agora é a minha vez de devolver o favor.
— Então é só por isso? Gratidão?
— Não. Eu realmente gosto de você… mas como pessoa. Não como namorado.
Fui sincero.
Ele abriu um sorriso triste.
— Nunca teria dado certo, né?
Sorri de leve.
— Eu nunca te vi desse jeito. Desculpa, pequeno.
Ele negou com a cabeça, ainda sorrindo.
— Não. Você tentou me fazer enxergar a verdade sobre os seus sentimentos várias vezes. Eu é que não quis ver.
— Você me perdoa pelo que eu fiz?
— Isso eu nunca vou conseguir fazer, mas também não guardo mais mágoa.
— Certo! — interrompeu o palhaço. — O papo tá bom, mas você já fez a sua escolha.
Os espelhos que refletiam Dipper se estilhaçaram, e o palhaço surgiu ao lado de Mabel no reflexo restante.
Finalmente olhei para ela.
Ela me encarava desesperada, tomada pelo medo.
— Desculpa…
O palhaço arrancou a mordaça da boca dela.
— Por favor, me ajuda! Socorro, Saito! — gritou Mabel.
— Você a condenou. Tchau, garoto.
Acordei assustado.
Eu estava no meu quarto.
Minha namorada, Pacífica, entrou às pressas.
— O que foi, Saito? Eu te ouvi gritar.
Respirei fundo e forcei um sorriso ao olhar para ela.
— Não foi nada. Só um pesadelo.
— Tá tudo bem. Calma. Vou pegar um copo de água.
Que merda foi aquela?
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Pov. Dipper
— Foi divertido, mas eu esperava mais — comentou Bill.
— Para de ser irritante. Ainda temos a Mabel. Você pode se divertir com ela o quanto quiser.
— Mesmo assim, você está em dívida comigo, Pinheiro. Nunca fez parte do acordo eu te ajudar na sua vingança.
— Você não fez quase nada!
— Como é?! Eu fiz praticamente tudo! Eu que entrei na mente do seu ex. E ainda tive que me vestir de palhaço!
— Eu sei que você gostou de assustar ele.
Bill sorriu.
— Isso eu não vou negar. Vai falar com a sua irmã?
— Depois. Ela ainda está no quarto?
Acredite ou não, Bill não tinha um quarto de tortura na mansão.
Na verdade, tinha dois.
— Sim.
— Vai brincar com ela ou…
— Eu vou fazer isso. Faz tempo que não torturo ninguém. Estou ficando enferrujado.
— Então tá. Eu vou sair, Bill.
Ele me analisou por alguns segundos e, por fim, suspirou, cansado.
— Tudo bem. Quando você voltar, vamos conversar sobre o que fazer agora.
— Tá bom.
Respondi, irritado.
Eu sabia o que viria.
Ele queria a parte dele no acordo.
Em um instante, eu estava em uma rua lotada de gente. Comecei a andar sem rumo, pensando no que deveria fazer com Mabel.
Eu sei que Bill pode cobrar minha vingança…
mas isso é algo que eu preciso fazer do meu jeito.
Decidi.
Quando eu voltar, vou falar com a Mabel.
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Ódio. (Completo)
RomanceTraído pela própria irmã, Dipper vê seu mundo desmoronar. Anos depois, Bill Cipher retorna após ter passado esse tempo aprisionado na forma de uma estátua - e oferece ao garoto exatamente o que ele mais deseja: vingança. O que Dipper não esperava er...
