Verdades e sinceridade

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POV. Mabel

Depois daquele maldito pesadelo, dormir tem sido a última coisa que eu faço. Sempre que fecho os olhos, eu o vejo — sempre sorrindo para mim, como se estivesse tudo bem entre nós. Mas bastava ele começar a falar para eu perceber que era exatamente o contrário.

Ele me culpava.

Não… ele apenas dizia a verdade. E isso era o que mais doía.

— Mabel, você devia dormir, sabia?

Ele se sentou ao meu lado no sofá. Eu devia ter cochilado sem perceber de novo.

— Eu sei… — respondi com amargura. — Mas como eu posso dormir com você me assombrando?

— Você não parece tão perturbada assim com a minha presença.

— Se eu continuar sem dormir, vou acabar sendo demitida.

— E o que te faz pensar que isso é um sonho?

— Você está morto, bro bro.

— Eu disse que ia voltar.

— Isso é impossível. Você é só um fruto da minha mente, criado para me culpar.

— Alguém está me ajudando — eu avisei. — Um antigo amigo nosso.

Finalmente, olhei para ele.

— Você mentiu — disse, séria.

Ele me encarou com pena.

— Você ao menos se arrependeu?

— Para ser sincera… sim. — Respirei fundo. — Mas eu faria tudo de novo.

Ele não pareceu surpreso. O sorriso triste continuava ali.

— Você alguma vez fez algo por mim?

— Sim… mas eu nunca liguei muito para aquele idiota dos fantoches.

— Entendo. — Ele inclinou a cabeça. — Você sempre soube como me manipular, irmãzinha.

Um arrepio percorreu meu corpo. Foi a primeira vez que ele soou realmente irritado.

— Você ao menos me amou?

— …Eu não sei. — Engoli em seco. — Eu queria o melhor para você, bro bro, mas não à custa da minha felicidade. Não me importo se, para eu ser feliz, você tenha que ser infeliz. É justo, não é? Eu sou a mais velha, afinal.

— Se é assim, por que a minha presença aqui, no começo, te incomodou tanto?

Eu não sabia por que estava sendo tão honesta. Talvez eu só quisesse, finalmente, dizer tudo.

— Por que você simplesmente não desaparece? — explodi. — Eu quero sofrer sem ter a imagem do “santo” Dipper aqui. O perfeitinho. O garoto prodígio. Aquele que salvou um adolescente de um “cativeiro”.

Dipper me encarou, sério.

— Em outras palavras… você me invejava?

Ouvir aquilo da boca dele só me deixou mais furiosa.

— Sim. — Cerrei os dentes. — Eu te invejava. Eu te odiava.

— Agora eu consigo entender melhor as coisas — murmurou.

Por fim, ele voltou a me encarar, com um olhar sombrio.

— Me diga, Mabel… essa dor parece real?

Ódio. (Completo)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora