Perdão

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Mabel se levantou e parou diante de Dipper. Gideon observava tudo com tédio.

Por que não podia simplesmente matar o estúpido Pines? Já tinha sua bela Mabel. Dipper era desnecessário.

Pensava o albino, mantendo a expressão séria.

— Dipper, quero que seja sincero comigo. Responda com honestidade.

— Não se confunda, Mabel. Eu devo lealdade a ele, não a você.

Mabel abaixou a cabeça lentamente.

— Obedeça-a, Pines.

— Mas—

— Obedeça.

Dipper reprimiu um rosnado e lançou um olhar carregado de ódio para a irmã.

— Fala.

— …o que eu posso fazer para que você me perdoe?

Ninguém naquela sala acreditou no que tinha acabado de ouvir.

— O quê?

— Quero que me perdoe.

— Mabel… você sabe que eu não posso mais te machucar, não é?

— Dipper… não acha que já houve ódio demais entre nós? Eu te traí, você me torturou. Já chega. Me perdoe e vamos voltar a ser os gêmeos do mistério, como antes.

— NÃO! Depois de tudo, quer que eu te perdoe assim, tão fácil?! NÃO! Eu não quero!

— JÁ É SUFICIENTE, DIPPER! Nós nos machucamos mutuamente. Já deu!

— VOCÊ ME TRAIU!

— Nós dois sabemos que você só se envolveu com Saito porque sabia o que eu sentia por ele. Pela primeira vez, alguém que eu queria preferiu você, e então você usou todas as cartas que tinha para conseguir o que queria. Eu admito que fiquei com raiva e fiz o que fiz…

Dipper se sentiu exausto, ele estava tão casando de sentir ódio, mas como perdoar? Como esquecer?

— Você disse que me sacrificaria se isso te garantisse felicidade.

— Eu estava com raiva e destruída. Você tinha morrido, e quando voltou foi só para jogar tudo na minha cara. Você quis me transformar na grande vilã da história. Eu apenas interpretei o papel que você me deu. Mas eu não te odeio, Dipper.

— Mabel… eu te torturei.

— Eu sei.

— Você não está com raiva?

— É claro que estou. Mas já chega de ódio entre nós. Somos irmãos. Eu sou aquela que deveria estar sempre ao seu lado… e você ao meu. Eu sinto tanto, só por favor, já chega.

— Mabel…

— Eu te perdoo, brobro. Vamos culpar o sangue vampiro por isso. Se não consegue me perdoar, pelo menos me deixa voltar para sua vida, eu juro por tudo, até faço um acordo com Bill se você quiser para jamais te trair de novo maninho, só me deixa voltar

— Tudo bem. Eu quero você na minha vida, Mabel, mesmo jamais volte a ser como era antes.

— Tem certeza, minha querida? — Gideon se intromete.

— Sim. Ei, Dipper… quer que eu te ensine um truque?

— Que truque?

— Sabe como quebrar a lealdade cega com o seu criador?

Gideon se levantou, já sabendo onde aquela conversa iria terminar.

— Mabel.

O tom era de aviso.

— É só pensar em quem você realmente é. Nas pessoas que ama, na vida que quer… e, principalmente, em como você enxerga de verdade o seu “mestre”.

— Como você sabe disso?

— Segredo.

Ela sorriu.

— Tenta, bro bro.

Dipper fechou os olhos. Pensou em Mabel, na amizade e no vínculo que tinham como irmãos. Pensou em Gideon, no monstro que ele realmente era… e, no fim, mesmo contra a própria vontade, pensou em Bill.

Sentiu algo se romper, como uma linha fina se partindo dentro de si.

— Muito bem, bro. Mas, para ter certeza, é sempre bom garantir.

Num movimento rápido demais para ser acompanhado, Mabel arrancou a ponta do salto alto e a cravou no ombro de Gideon, segurando-o com força.

— Vamos lá, maninho. O golpe final é seu.

Dipper sorriu e pegou um pedaço de madeira da fogueira.

— Pare! Eu ordeno!

— Cala a boca.

Ele cravou a estaca no coração do albino. Gideon gritou enquanto se desfazia. No meio do desespero, olhou para Mabel, esperando encontrar qualquer resquício de sentimento… mas tudo o que viu foi uma frieza infinita.

Por quê, minha doce Mabel? O que eu fiz? Mabel… minha doce…

Quando Gideon virou pó, os gêmeos se abraçaram, selando um perdão silencioso.

Com a morte de Gideon, o feitiço que impedia Bill de encontrar aquele lugar se quebrou. Em menos de dois segundos, ele surgiu na sala.

— Dipper!

— Bill! Por que demorou tanto?

— Que lugar é esse?

— A casa do Gideon, eu acho.

Ela se sentou no sofá com tranquilidade.

Bill analisou a garota de cima a baixo. Gideon a havia transformado em vampira, e algo na transformação a mudara profundamente. Os olhos antes brilhantes agora refletiam apenas frieza e crueldade.

Usava um vestido vermelho até a metade das coxas, com um decote provocante. O cabelo estava solto, luvas pretas longas cobriam seus braços até os cotovelos, e o salto alto — agora quebrado — completava o visual.

Bill teve que admitir: ela estava perigosamente atraente.

— Cadê o Gideon?

— Morto. Eu e a Mabel demos um jeito nele.

— Então fizeram as pazes? Que fofo, crianças.

O tom era carregado de ironia.

— Não enche, Bill. Olha, eu vou voltar para casa. Minha vingança acabou. Não tenho mais por que ficar lá.

— Sobre isso… eu já decidi o que quero pela minha parte do acordo.

— Sério? Pode dizer.

Mabel observava tudo em silêncio.

Sério que o Dipper foi idiota o suficiente para fazer um acordo com o Cipher sem saber o que ele ia querer em troca?

— Você vai se casar comigo.

Ódio. (Completo)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora