POV — Dipper
Poucos dias depois do meu “casamento”, percebi algo muito óbvio: eu tinha deixado de ser um vampiro.
Seja lá o que eu bebi naquele dia me fez voltar a ser “humano”. Eu respiro, meu coração bate, preciso de tudo o que um ser humano precisa — e tenho a fragilidade de um. Há apenas uma pequena diferença.
Eu não morro.
Nem envelheço.
Se eu for assassinado, meus órgãos param de funcionar por uma hora inteira antes de meu corpo começar a se regenerar. Durante esse tempo, fico com o corpo morto exatamente do jeito que está. Só depois disso ele começa a se curar.
Meus poderes de vampiro desapareceram completamente.
Sei que há algo a mais por trás daquele líquido que tomei, mas Bill se recusa a me contar.
As coisas entre nós até melhoraram bastante. Consegui convencê-lo a comprar uma casa simples na Flórida. Estamos aqui há seis meses, mas algo me diz que logo voltaremos para a mansão.
Ataques suspeitos têm acontecido pelo mundo inteiro. Bill parece cada dia mais estressado e preocupado. Ele tenta esconder isso de mim, mas está falhando de forma gigantesca. Não o culpo. Meu humor anda cada vez mais instável, e ele tem sido incrivelmente paciente comigo. Se fosse o contrário, eu já teria dado um soco nele. É sério — eu estou insuportável.
Ele tem se encontrado bastante com o irmão, Phil. Sempre que vem aqui, traz Mabel junto. Não sei exatamente qual é a relação entre os dois, mas ela parece bem com ele, então não me preocupo muito.
Naquele momento, eu estava na piscina. Bill havia saído havia algum tempo. Dei um mergulho e saí para pegar um suco e fazer um lanche, quando ouvi a campainha tocar.
Estranho. Não estava esperando ninguém e não lembrava de ter pedido nada pela internet.
Dei de ombros e fui atender de bermuda mesmo, ainda encharcado.
— Quem é? — perguntei, perto da porta.
Nenhuma resposta.
— Não vou atender se não disser quem é — falei, já sem paciência.
Silêncio.
— Que se dane.
Voltei em direção à piscina.
Então, do nada, a porta explodiu.
— Mas o que…?!
Recuei instintivamente.
A fumaça baixou e três pessoas encapuzadas entraram. Tentei correr, mas cordas surgiram e me prenderam. Caí com força no chão.
— Você é Dipper Pines? — perguntou um deles.
— Não! Quem são vocês? O que estão fazendo aqui?! — respondi, desesperado.
— Se você não é Dipper Pines, então quem é você?
— Meu nome é Dominic. Sou o cuidador da casa. Os proprietários viajaram e me deixaram responsável por tudo.
Nossa… eu merecia um prêmio pela mentira improvisada.
Eles se entreolharam e voltaram a me encarar.
— Mata ele. Não tem utilidade pra nós.
Ah, não…
Bill.
Cadê você, Doritos em forma de gente?!
— Entendido. Desculpa, garoto — disse um deles, apontando a mão para mim.
Fechei os olhos com força.
Bill!!!
— Incendiar.
Gritei com todas as minhas forças quando as chamas me atingiram. Meu corpo queimava. A dor era absurda. Me contorci até minhas forças começarem a ir embora… até que, enfim, a dor cessou.
Bill…
Depois de confirmarem que o garoto estava realmente morto, os três homens destruíram o resto da casa e partiram em um carro esportivo.
Pov. BILL
Eu estava com Phil, discutindo como acabar com aqueles idiotas o mais rápido possível. Precisávamos agir logo — eles estavam chamando atenção demais. Matamos muitos, mas ainda restavam outros. As demais espécies estavam colaborando, mesmo assim a situação continuava complicada.
Tenho certeza de que vou precisar levar Dipper de volta para a mansão. Só saímos de lá porque ele fez um inferno, dizendo que não aguentava mais ficar naquele lugar.
Dipper…
Sorri.
Nosso casamento está indo bem. Eu só não sei como contar a ele que está grávido.
Isso vai ser um problema. Do jeito que anda, provavelmente vai querer arrancar meu fígado.
— Acho que já chega por hoje, Bill — disse Phil. — Não vamos resolver mais nada agora. É melhor você ir pra casa. Seu consorte está grávido, não é? Vá cuidar dele. Se descobrirmos algo novo, eu te aviso.
— Certo. Até mais — respondi, sem pensar duas vezes, antes de voltar para casa.
Não.
Eu não podia acreditar.
Não, não, não.
Isso não podia estar acontecendo.
A casa estava destruída.
Completamente em chamas.
Havia policiais por toda parte. Os bombeiros tentavam, a todo custo, controlar o fogo.
Dipper…
— DIPPER!!!
Comecei a gritar seu nome.
Eu não deveria tê-lo deixado sozinho por tanto tempo.
Droga.
Mil vezes droga.
— DIPPER!!!
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Ódio. (Completo)
RomanceTraído pela própria irmã, Dipper vê seu mundo desmoronar. Anos depois, Bill Cipher retorna após ter passado esse tempo aprisionado na forma de uma estátua - e oferece ao garoto exatamente o que ele mais deseja: vingança. O que Dipper não esperava er...
