Bellatrix Cipher

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POV. Dipper

Acordei com os gritos desesperados de Bellatrix.

Estávamos caindo de uma altura impressionante. Instintivamente, usei meus poderes para interromper sua queda, fazendo-a flutuar até o chão em segurança.

Infelizmente, aquilo consumiu muito mais energia do que eu esperava.

Eu sabia que não conseguiria permanecer consciente por muito tempo.

Com o pouco poder que ainda me restava, deixei apenas uma pequena carta ao lado dela.

> “Por favor, cuide bem da minha filha.

O nome dela é Bellatrix.”





Então… perdi completamente a consciência.



---

Acordei alguns minutos depois.

Vi um policial levar minha filha para um orfanato. Ela não ficou ali por muito tempo — logo foi adotada por um casal que, à primeira vista, parecia gentil.

Era estranho. Eu só podia observar.

Sentia-me fraco, exausto, mas nunca me permitia dormir de verdade. Permaneci ao lado dela, mesmo sabendo que Bell não fazia ideia de que eu estava ali.

Para minha infelicidade, mudaram o nome da minha doce flor.

Passaram a chamá-la de Alicia.

Ainda assim, eles realmente a amaram. Saber que minha filha estava sendo bem cuidada trouxe um breve alívio ao meu coração.

As primeiras palavras de Bell foram “papai”. Ela tinha uma preferência evidente pelo pai adotivo. Isso parecia incomodar a mulher, mas, no início, nada que me preocupasse de verdade.

O problema começou quando as brigas.

Minha pequena tinha apenas três anos quando tudo mudou. O amor daquele casal foi se desfazendo lentamente, até desaparecer por completo.

Às vezes, a mulher culpava Bell por sua própria infelicidade. O homem, por outro lado, sempre a defendia com unhas e dentes.

Até que, um dia, ele simplesmente não voltou.

A mulher, então, passou a encarar Bell com ódio e dizia:

— Você arruinou a minha vida. Maldito dia aquele em que te adotamos. Mas pelo menos isso eu posso fazer: não vou deixar você ficar com ele!

Eu te odeio, Alicia. Seria melhor se você morresse, sua praga!

Ela gritava isso com frequência.

Minha pobre garotinha chorava, sem entender por que a mãe a odiava tanto.

E eu…

Eu jurei que faria aquela mulher sofrer mil vezes mais do que fez minha filha sofrer.

Às vezes, ela esquecia de alimentar Bell. Outras vezes, a trancava em um quarto escuro por horas… ou dias.

Minha filha chorava todas as noites.

E eu só podia assistir.

Eu vi tudo.

Vi cada lágrima, cada súplica.

E fiz da dor dela a minha dor.

Porque se ela sofre, eu sofro.

E se nós sofremos… aquela mulher sofreria em dobro.

Ódio. (Completo)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora