Pov. Saitor
Do nada, eu estava em pé no meio de um parque de diversões. O mais estranho era que parecia que eu tinha voltado a ter doze anos.
Olhei em volta e vi um menino de cabelos castanhos usando um boné de pinheiro.
Lembrei-me da foto que Dipper havia me mostrado anos atrás, dele e da Mabel aos doze anos. Aquele menino era idêntico a ele.
O “Dipper” olhou para mim e sorriu. Em seguida, fez um sinal para que eu o seguisse e começou a correr. Não pensei duas vezes e fui atrás dele.
— Dipper! — gritei.
Ouvi-o rir e, então, ele começou a correr ainda mais rápido. Muitas pessoas andavam pelo parque e, em meio à multidão, uma mulher acabou me fazendo perder Dipper de vista.
Parei de correr e olhei ao redor, procurando por ele.
Eu me sentia perdido, indefeso e com medo.
A música ao redor estava me deixando tonto. As pessoas indo de um lado para o outro só pioravam tudo. Enquanto girava o olhar pelo parque, meus olhos se cruzaram com os de um palhaço que me encarava fixamente.
Nunca tive medo de palhaços, mas aquele me aterrorizou.
Mesmo por trás da máscara, pude jurar que ele sorria para mim. Dei alguns passos para trás, tomado pelo medo. Virei-me e corri para longe dele. Quando finalmente parei para recuperar o fôlego, vi o “Dipper” ao longe, me observando com um sorriso estranho. Ele apontou para a esquerda e moveu os lábios sem emitir som algum, como se dissesse:
“Vá por ali.”
Alguém esbarrou em mim e eu caí no chão. Quando olhei novamente para onde o “Dipper” estava, não havia mais ninguém. Mesmo assim, comecei a ir na direção que ele havia indicado. Olhava para os lados enquanto andava, tentando encontrá-lo, mas em vez disso vi a “Mabel”, também com doze anos.
Ela me viu e abriu um sorriso radiante. Assim como Dipper, fez um sinal para que eu a seguisse. Hesitei por um instante, mas logo comecei a correr atrás dela. Mabel corria na direção oposta à que Dipper havia me mandado ir. Ela também parecia cada vez mais rápida e, dessa vez, o parque estava completamente vazio. Enquanto corria, de vez em quando ela rodopiava ou saltitava, feliz.
— Venha! Vamos! Anda! — gritava, animada.
Ela entrou em uma das atrações do parque e, antes de entrar atrás dela, consegui ler o que estava escrito na porta:
“Casa dos Espelhos.”
Antes de me aprofundar lá dentro, olhei para trás.
Dipper me observava com uma expressão decepcionada. Ele estava parado na entrada, sem entrar.
— Eu disse para ir para o outro lado.
— Dipper… — murmurei.
Quando dei um passo em sua direção, uma cortina caiu, fechando a entrada. Tentei abri-la, mas não consegui.
Paralisei ao ouvir uma voz sinistra ecoar pelo lugar.
— Pobre alma… pobre alma… hahahaha!
— Quem está aí?! — gritei, tentando esconder o medo.
Em todos os espelhos surgiu a imagem do palhaço.
— Quem sou eu? Boa pergunta… consegue ouvir isso?
A imagem mudou. Agora era Mabel — a verdadeira. Ela estava suja, chorando e claramente machucada. O palhaço segurou seu rosto, forçando-a a olhar diretamente para mim, e então a esfaqueou no braço.
Mabel gritou.
— Para! — gritei, em desespero, com medo do que ele poderia fazer com ela.
O palhaço riu do meu desespero, e a imagem de Mabel desapareceu, restando apenas ele.
— Você se importa com ela? Que fofo… mas… e ele?
Agora era Dipper. Diferente de Mabel, ele me encarava diretamente. O palhaço passou os braços em volta de sua cintura e apoiou a cabeça em seu ombro, sem nunca quebrar o contato visual comigo.
— Dipper…
— Você se importa com ele? — perguntou o palhaço.
Ele colocou uma faca no pescoço de Dipper e passou a lâmina de leve, abrindo um pequeno corte de onde uma fina linha de sangue começou a escorrer.
— Pare… — supliquei.
Em algum momento, eu havia voltado à minha idade normal, mas isso não importava. Toda a minha atenção estava naquela cena. Meus olhos ardiam, cheios de lágrimas, e a vontade de chorar só aumentava.
Dipper não parecia com medo. Ele me olhava com atenção… e expectativa.
O palhaço sorriu ainda mais, claramente se divertindo com o meu sofrimento.
— Você não se importa, não é?
— EU ME IMPORTO! — gritei. — PARE! POR FAVOR, NÃO MACHUQUE ELE!
As palavras saíram entre soluços enquanto eu finalmente começava a chorar.
Mesmo sem ver o rosto do palhaço, senti que toda a diversão dele havia desaparecido. Agora ele parecia furioso.
Dipper sumiu.
O palhaço ficou sozinho, me encarando com raiva.
— Então, escolha.
Os espelhos à direita mostravam Mabel amarrada, sangrando, chorando, com uma mordaça na boca.
Os espelhos à esquerda mostravam Dipper, com o pescoço ferido, mas ainda vivo.
À minha frente, o maldito palhaço surgia novamente, com um sorriso maníaco.
— Escolha. Escolha qual deles eu vou matar. O outro vai embora.
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Ódio. (Completo)
RomanceTraído pela própria irmã, Dipper vê seu mundo desmoronar. Anos depois, Bill Cipher retorna após ter passado esse tempo aprisionado na forma de uma estátua - e oferece ao garoto exatamente o que ele mais deseja: vingança. O que Dipper não esperava er...
