Ódio

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POV. Bill

Gritei por Dipper por mais algum tempo, até que desisti e comecei a andar pela praia.

Eles o levaram.

Levaram Dipper.

O meu consorte.

O meu consorte grávido!

Eu tremia de ódio. Como eles ousam?!

Estava tão imerso na minha raiva que não vi a pedra vindo na minha direção.

Ela me acertou com força.

— Ai! Quem foi o demente suicida que jogou isso em mim?!

Disse, olhando para os lados freneticamente. Foi quando vi um ponto marrom dentro da água. Olhei melhor e…

Dipper?!

Entrei correndo no mar e fui até uma parte bem mais funda. Dipper me olhava irritado, com os braços cruzados e pelado.

— O que aconteceu com você?

Perguntei, preocupado.

Ele deu uma risada seca e sarcástica e me olhou com falsa inocência.

— O que aconteceu comigo? O que aconteceu com o seu esposo?! Nada! Nada aconteceu comigo! Eu só decidi que cansei da nossa casa perfeita num lugar perfeito e resolvi colocar fogo em tudo! Depois vim nadar aqui pelado só porque eu quis! Me diga, Bill, isso é uma coisa que eu faria?

— Não… me desculpa, Pine Tree, eu—

Ele me interrompeu.

— Onde você estava?! Eu precisei de você, Bill! Você já se esqueceu que eu voltei a ser um humano fraco agora? Eu estava com tanto medo… eu… eu realmente pensei que você fosse vir me salvar.

Quando ele terminou de falar, começou a chorar com força. Aquilo acabou comigo. Eu falhei com ele. Falhei com Dipper.

Puxei-o para um abraço apertado. Ele nem sequer lutou contra isso; apenas apoiou a cabeça no meu ombro e continuou a chorar.

Usei meus poderes para ver se o nosso filho estava bem. Fiquei incrivelmente aliviado quando vi que ele estava cem por cento perfeito.

Passei a mão nas costas de Dipper para acalmá-lo um pouco.

— Está tudo bem. Eu estou aqui. Calma, Pine Tree. Eu finalmente cheguei.

— E… eles me mataram, Bill. Eles me queimaram vivo.

Disse, soluçando e se agarrando ainda mais a mim.

De novo me senti inútil. Não pude protegê-lo. Nem isso eu consegui fazer.

— Me desculpa.

Era a única coisa que eu podia fazer naquele momento.

Nos levei para a minha mansão, o lugar de onde nunca deveríamos ter saído. Vesti Dipper; ele ainda estava em estado de choque, não parava de chorar e soluçar. Limpava o nariz regularmente com um lenço de papel. O levei para o quarto e o deitei na cama. Preparei-me para sair quando ele segurou a minha mão.

— Por favor, Bill, não me deixa sozinho aqui.

Implorou.

— Dipper…

Olhei para ele. Meu coração se quebrou. Ele parecia um cachorrinho assustado. Já tinha parado de chorar, mas ainda tremia levemente. Deitei-me na cama com ele e, instantaneamente, ele me abraçou.

— Me promete que isso nunca mais vai acontecer.

Pediu baixinho, com o rosto pressionado contra o meu peito. Passei a mão em seu cabelo com gentileza.

— Eu juro, Dipper. Você nunca mais vai passar por uma situação dessas de novo.

Eu também juro que eles vão pagar. As pessoas que fizeram isso com o meu Pine Tree vão sofrer. Disso eu vou me encarregar.

Assim que Dipper dormiu, fui até a casa de Phil.

Ele estava no sofá. Mabel estava sentada em seu colo, usando apenas sutiã e calcinha, mordendo o pescoço dele.

Assim que me viu, ele tirou Mabel do colo.

— Bill, quantas vezes eu tenho que dizer pra você avisar antes de vir assim?!

— Oi, Bill. Manda um oi ao Dipper por mim. Phil, te espero lá em cima.

Disse, subindo as escadas.

— O que houve?

— Atacaram o Dipper.

Disse, sem conter a minha raiva.

Phil se levantou do sofá num pulo.

— Não se preocupe, Bill, vamos achá-lo—

— Ele está em casa. Não o levaram. Dipper deve ter dado um jeito na situação.

— Então qual é o problema?

Disse, voltando a se sentar.

POV. Autora

— Qual é o problema?

O clima do ambiente ficou tenso, e Phil se preparou para o pior que pudesse acontecer.

— O problema é que aqueles infelizes o mataram! Você por acaso sabe como é chegar em casa e ela estar toda em ruínas e seu consorte grávido desaparecido?! Sabe como é achá-lo decepcionado com você e completamente traumatizado?!

Todos os móveis daquele cômodo se quebraram. Os olhos e os cabelos de Bill brilhavam em um vermelho vivo, e suas mãos estavam cobertas de fogo. Phil se encolheu no sofá e agradeceu mentalmente por Mabel não estar ali embaixo naquela hora. Ele duvidava que conseguisse evitar que ela se machucasse com a súbita explosão de magia do irmão.

— Eu entendi. Desculpa.

Disse rápido.

— Ache-os. E, quando achar, me chame. Eles vão aprender que com a família Cipher não se brinca.

Disse, sumindo.

Phil relaxou e deixou um suspiro escapar de seus lábios.

Isso foi assustador.

— Nossa, eu fiz bem em sair daqui.

Disse, descendo as escadas e observando toda a destruição.

Mabel, já vestida com um vestido roxo, foi até Phil e se sentou ao lado dele.

— Parece que temos um problema nas mãos.

— Nem me diga, minha estrela. Temos que achá-los, e rápido, a menos que você queira ser o próximo alvo de Bill.

— Não se preocupe. Vamos dar um jeito nisso.

Disse, pegando a mão dele.

Em outro lugar

— Acharam Dipper Cipher?

— Não, senhor, mas estamos perto.

— Continuem procurando. Se matarmos o consorte do líder da família, as outras espécies vão ver que somos mais fortes e vão parar de resistir ao progresso.

— Sim, senhor.

— Logo, logo tudo será como sempre deveria ter sido.

Ódio. (Completo)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora