Armadilha.

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POV: Dipper

Minha barriga não parava de crescer. Estava maior do que a de uma mulher grávida comum. Eu já começava a me preocupar, mas Bill dizia que eu estava bem. Ele usava seus poderes para me acalmar.

Ele está bem — para mim, isso era tudo o que importava.

Ainda não sei o gênero do bebê. Segundo Bill, é uma tradição dos Cipher só descobrir no dia do nascimento. Mabel quer que seja uma menina, Bill quer um menino. Phil não liga para o gênero da criança.

Eu… também não ligo. Vou amá-lo de qualquer forma.

Eu e Mabel já decoramos tudo para a chegada dele. O quarto foi pintado de um azul bem claro. O berço é grande, branco, com detalhes em roxo — assim como toda a mobília. Está cheio de brinquedos. Ele tem tantas roupas que nem sei onde está tudo, mesmo sabendo que não vai usar todas. Tudo foi escolhido pessoalmente por mim ou por Mabel.

Bill tem estado muito ocupado com os assuntos dos terroristas para nos ajudar. Mesmo assim, sempre que está em casa, passa a maior parte do tempo comigo.

Uma guerra está por vir — mas não contra os humanos. Será contra os terroristas. Aqueles que querem esconder o sobrenatural dos humanos lutarão com unhas e dentes, assim como os que estão cansados de se esconder.

Suspirei e passei as mãos pelo meu cabelo comprido. Eu usava um vestido florido branco. Descobri há apenas dois dias que, quando estivesse perto de dar à luz, eu me tornaria uma mulher.

É estranho. Tudo — literalmente tudo — mudou. Meu corpo agora era o de uma mulher castanha e bonita. Era como se eu fosse uma cópia de Mabel.

— Dipper? — Mabel chamou. — O que foi? Está com fome? Quer alguma coisa?

Estávamos só nós dois na mansão. Bill e Phil estavam no meio de um ataque a uma base inimiga.

— Não é nada, — respondi. — Mas, se puder me trazer um pouco de sorvete, eu ficaria feliz.

Falei num tom meio abatido.

Esse novo corpo não é tão desconfortável quanto eu pensei que seria. Na verdade, está sendo até mais fácil lidar com a gravidez agora que sou uma garota.

— Tudo bem, bro… ou mana? — ela riu. — Já volto.

Mabel não demorou nem dois segundos para voltar, trazendo dois potes de sorvete. Levantei a sobrancelha ao notar o segundo. Ela apenas deu de ombros e sorriu.

— Eu também quero sorvete.

Ela me entregou um pote e uma colher, depois se sentou ao meu lado no sofá.

— Eu sei que você queria que o Bill estivesse aqui com você.

— E você não queria estar com o Phil também?

— Não vou negar. Nós dois encontramos o amor, irmão.

— O amor?

— Isso mesmo. Você o ama, Dipper. Assim como ele te ama. Quando vocês se veem, dá pra ver o brilho nos olhos de vocês. Você fica mais radiante perto dele. Sua preocupação quase some. Você sempre tem um sorriso nos lábios.

Ela respirou fundo antes de continuar:

— E ele também. Mesmo que você não perceba. Quando não está com você, ele volta a ser aquele Bill chato, calculista, trapaceiro, frio e cruel. Mas quando está ao seu lado, ele muda completamente. Vira um marido cuidadoso, zeloso, que ama o próprio esposo. Ele te ama. Cara… Bill Cipher se apaixonou. Você fez ele se apaixonar.

Ela me encarava com um sorriso sincero.

Olhei para Mabel e sorri.

— E ele me mostrou o que é amar de verdade. Me ensinou a amar… ele.

Engoli em seco.

— Eu o amo, Mabel. Como você disse. Eu o amo, e sou feliz por isso.

— Eu sei, maninha. Eu sei.

Nos olhamos por mais um instante e voltamos a comer nosso sorvete. Por algum motivo, aquela conversa me deixou mais leve.

Passei o resto do dia com Mabel. Fizemos palhaçadas, comemos demais, jogamos e arrumamos o quarto do meu filho pela milésima vez. No fim, Mabel me obrigou a dormir no horário que Bill havia exigido. Nem consegui discutir. Estava tão cansado que apenas caí na cama e adormeci rápido.

Meus sonhos foram tudo, menos tranquilos.

Sonhei que Bill era atacado por trás. Phil não estava lá para ajudá-lo.

Bill morria.

Acordei chorando, desesperado. Será que meus poderes de vampiro tinham voltado?

Bill precisa de ajuda. Ele precisa de mim.

Eu sabia onde aquele lugar ficava.

Levantei-me com dificuldade. Minha barriga começou a doer e quase caí no chão. Não podia ser… uma contração agora? Por que agora?!

Ainda dá tempo. Eu ajudo Bill e ele me leva a um hospital — ou qualquer lugar assim.

Ainda de camisola, fui até a saída de emergência. Ela podia me levar a qualquer lugar que eu quisesse. Não havia como rastrear para onde eu fosse. Bill criou isso para o caso de algo dar errado… ou do nosso filho decidir nascer antes da hora. Exatamente como agora.

Peguei uma arma, respirei fundo, suportando a dor, e fui até o local onde Bill seria encurralado.

Fui sem pensar nas consequências.

Quando cheguei, não havia nada. Nenhum sinal de luta. Nada fora do lugar.

— Bill…?

Antes que eu pudesse ver ou ouvir qualquer coisa, cordas se fecharam ao meu redor e me jogaram no chão. Gritei, tanto pelo susto quanto pela dor.

Homens saíram das sombras e me observaram com estranhamento.

— Não era um homem o companheiro de Cipher?

— Era. Então quem é você?

Olhei para eles, assustado, quando outra contração forte me atingiu. Gemi de dor, me contorcendo.

— Ela está grávida! Senhor, o que faremos?!

Um dos homens, que até então só me observava em silêncio, falou:

— Ela é o consorte de Cipher.

— Mas, senhor… não era um homem?

— Era. Mas, como pode ver, ele está grávido. A magia alterou seu corpo para que pudesse dar à luz.

— Então é o filho de…

O terceiro homem me encarou com um sorriso cruel e assentiu.

— Sim. É o filho de Cipher, prestes a nascer. Peguem-no. As coisas estão ainda melhores do que imaginei. Agora temos o consorte e o herdeiro.

— Sim, senhor.

— Esperem! Me soltem! Eu não sou—

Não consegui terminar. Fui amordaçado.

Eles me colocaram dentro de um carro. As contrações estavam tão intensas que mal consegui prestar atenção na conversa deles. Nem percebi quando o carro parou, ou como fui parar naquele quarto.

Só sei que estava deitado em uma cama, com uma senhora idosa ao meu lado, me ajudando no parto.

— Força, querida. Está quase lá.

O quarto se enchia apenas dos meus gritos de dor. Eu chorava, mas continuava empurrando.

— Mais um pouco… está quase…

Então, ouvi um choro.

Ódio. (Completo)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora