"O Fazendeiro" (Capítulo 5)
Escrito por: Adriele Lima
Acordei após cerca de duas horas de sono, sentindo-me tão bem naquele lugar que quase acabei esquecendo do resto do mundo. Já eram 10:30 da manhã quando fui para a cozinha preparar o almoço. Enquanto isso, aproveitei para explorar a casa em detalhes, pois estava sozinha e me sentia à vontade para fazê-lo.
Percebi que ele não veio almoçar, o que me fez pensar que ele tinha muitos assuntos para resolver na fazenda. Deve ter passado vários dias fora...
Mais tarde, por volta das cinco da tarde, avistei-o à distância, cavalgando em um majestoso cavalo branco, com a camisa aberta, revelando um peitoral suado que brilhava ao sol. Seu fiel cachorro, Huck, seguia atrás dele. Ele me viu à distância e me cumprimentou de uma maneira que nenhum homem havia feito antes. Tirou o chapéu de vaqueiro da cabeça e sorriu enquanto o colocava de volta. Eu me senti como uma princesa, e meu príncipe estava ali na minha frente, montado em seu cavalo branco.
Ele se dirigiu ao estábulo para cuidar do cavalo e depois voltou caminhando com Huck ao seu lado.
- Oi, espero que tenha aproveitado a casa. Vim antes do pôr do sol para fazer-lhe companhia, afinal, é uma vista deslumbrante daqui. ( disse ele, sentando-se em uma poltrona ao meu lado na varanda, onde esperamos o pôr do sol).
- Estou me sentindo no paraíso. ( respondi com um sorriso radiante).
- Fico feliz que se sinta bem... Afinal, minha intenção ao trazê-la aqui era essa.
- Como assim? ( perguntei, sem entender).
- Meu pai faleceu há dois meses, e herdei tudo isso aqui dele. Ele sempre foi amigo íntimo do seu pai e sempre me falou sobre como ele cuidava da filha. Você deve ter conhecido meu pai... Ele se chamava João, mas seu pai costumava chamá-lo de João dos Sonhos.
- Claro, lembro dele. Nem acredito que era seu pai. Ele era um dos fazendeiros amigos do meu pai, e sempre achei que ele fosse educado, ao contrário dos outros fazendeiros.
- Pois é, meu pai sempre falou de você e queria muito tirá-la de lá. Mas seu pai sabia que ele era bom demais e que, com ele, você não sofreria como ele havia planejado desde o dia em que você nasceu. Então, apresentei-me ao seu pai alguns dias atrás, disse que era um fazendeiro e que precisava de uma empregada que fosse resistente, que pudesse suportar o trabalho árduo e o sofrimento. Eu disse tantas coisas absurdas, e quanto mais eu falava, mais ele parecia gostar disso, de fazer alguém sofrer. Não demorou muito para que seu pai me oferecesse você. Ele pediu minha ajuda para algumas dívidas que tinha, e eu prontamente aceitei... porque eu queria você, queria realizar o sonho do meu pai de trazê-la para cá.
Lágrimas encheram meus olhos ao saber que não significava nada para o meu pai. Ele me vendeu! Como um pai pode vender sua própria filha?
- Sabe o que me consola, Johnny? O que me consola é que estou longe daquele velho imundo, daquele monstro...( Não consegui mais falar, comecei a chorar, e ele me abraçou).
- Calma, você nunca mais passará por nada de ruim neste mundo... Eu te prometo).
Ficamos abraçados na varanda enquanto o sol sumia entre as montanhas distantes...
- Quero que você se prepare. Esta noite será longa.
- Longa? Do que você está falando? ( perguntei, assustada).
Ele começou a rir olhando para mim.
- Calma, não é o que você está pensando. Hoje vou levá-la para conhecer meus amigos.
Suspirei aliviada e fui para o meu quarto me arrumar. Coloquei uma calça jeans e uma simples regata, até mesmo um chapéu de vaqueira para entrar no clima. Perfumei-me e esperei por ele na sala...
Após alguns minutos, ele apareceu na sala, vestindo calça comprida, camisa e uma jaqueta por cima, além de seu chapéu de vaqueiro.
- Você está linda.
- Obrigada, você também.
- Vou buscar os cavalos para irmos.
- Cavalos? Eu não sei cavalgar.
- Você cresceu em uma fazenda e não sabe cavalgar? ( perguntou, incrédulo).
- Eu só cresci lá...
- Claro, entendi. Então, vou buscar o meu cavalo.
Ele saiu para buscar o cavalo, e eu fiquei esperando na varanda. Logo, ele voltou.
- Vou só ao meu quarto buscar uma coisa que esqueci. ( disse ele enquanto corria para dentro. Logo, reapareceu com um violão pendurado nas costas. Subiu no cavalo e estendeu a mão para me ajudar a montar. Fiquei na frente dele, com suas mãos ao redor das minhas, segurando as rédeas, e eu conseguia sentir sua respiração no meu pescoço).
- Você está muito cheirosa. ( disse enquanto cavalgávamos ).
Após cerca de dez minutos, chegamos ao local. Vários cowboys estavam sentados em círculo no gramado ao lado de suas casas, fazendo churrasco e bebendo cerveja. Dois deles tinham violões e cantavam. Parecia haver cerca de trinta homens ali, com uma mulher ao lado de um deles. Quando perceberam nossa chegada, todos pararam de cantar e conversar, levantaram-se e disseram em uníssono: "Seja bem-vinda, Isabella." Parecia um coro, e eu me senti importante. Quando nos aproximamos, todos vieram dar as boas-vindas e se apresentar. Logo, a mulher se aproximou.
- Isabella, seja bem-vinda. Estávamos ansiosos pela sua chegada, especialmente o Johnny. Venha, sente-se aqui ao meu lado.
Cumprimentei todos, minha felicidade era evidente, não precisava de palavras, apenas sorria. Então, todos se acomodaram, e as cantigas continuaram. Johnny sentou um pouco afastado, na minha frente, e logo pegou seu violão para se juntar à música.
Após conversas e canções, Johnny expressou o desejo de cantar uma música sozinho. Ele começou a entoar uma canção romântica enquanto me encarava com seus lindos olhos azuis. Eu tentava desviar o olhar envergonhada, mas era inevitável; toda vez que olhava, ele estava lá, me olhando e cantando...
Continua...
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O fazendeiro
RomanceIsabella reside em uma modesta propriedade rural, onde convive com seu autoritário progenitor, que a submete a tratamentos cruéis desde o seu nascimento. A mãe de Isabella faleceu durante o parto, e seu pai a responsabiliza por esse trágico evento...
