O fazendeiro - Capítulo 7

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Escrito por: Adriele lima

No dia seguinte, ao acordar refleti sobre minhas ações. Como acabei nessa situação com um homem que mal conheço, e que havia me "comprado" do meu próprio pai? E se tudo não passasse de uma farsa? E se ele estivesse fazendo tudo aquilo para se aproveitar da minha inocência? Afinal, não era difícil perceber que eu seria uma isca fácil fui uma prisioneira a minha vida inteira.

Contudo, não conseguia esquecer o beijo e a atração que sentia. Meu corpo ansiava por mais, apesar de minha tensão.
Após minha higiene matinal, dirigi-me à cozinha. Ele estava lá, olhando-me com desejo. Com timidez, sentei-me para acompanhá-lo no café da manhã. Meu rosto estava corado, e surpreendentemente, ele parecia gostar de me ver assim. A mesa estava repleta de diversas comidas que ele mesmo havia preparado. Então ele rompeu o silêncio:

- Me desculpe pelo que aconteceu ontem à noite. Não costumo agir dessa maneira; foi um erro, talvez influência da bebida. Não quero que tenha uma má impressão de mim.

Apesar de reconhecer que ele estava correto, uma parte de mim sentiu-se desconfortável. Será que ele estava se arrependendo do que aconteceu? Por que ele estava atribuindo isso à bebida? Ele nem havia bebido tanto assim. Por um breve momento me senti mal, fui muito tola, deveria ter rejeitado seu beijo. Mas, afinal, não fui eu que me joguei a ele; por que esses pensamentos? Deveria estar concordando com ele. Essas dúvidas mexeram com meus sentimentos.

- Entendo sua preocupação, e eu não quero que também tenha uma visão negativa de mim. Ontem foi estranho, e não sei o que me fez agir assim. Apesar da minha vida difícil, não saio por aí me entregando ao primeiro homem que me trata bem. ( Falei sem conseguir olhar em seus olhos).

- Passarei o dia inteiro fora hoje, estive ausente por bastante tempo e tenho algumas tarefas pendentes na fazenda. Sinta-se à vontade para fazer o que desejar, o Huck estará por perto para te fazer companhia. (Disse isso depois de um breve momento de reflexão após minhas palavras).

O dia transcorreu de forma lenta, e aproveitei para explorar um pouco mais aquela casa espaçosa e encantadora. Tudo estava meticulosamente organizado, e comecei a me perguntar se ele se sentia solitário morando sozinho em uma casa tão ampla. Embora ele tivesse mencionado que passaria o dia fora, eu tinha a expectativa de que retornasse para o almoço, mas ele não retornou. Durante a tarde, passei meu tempo com o Huck, explorando os campos próximos, sem ir muito longe para evitar de nos perdermos. Também fiz uma visita aos celeiros, onde admirei os magníficos cavalos que estavam lá. O dia estava chegando ao fim quando retornei à casa. Na varanda, enquanto apreciava o pôr do sol, senti falta da companhia de Johnny, mas ele não apareceu para me fazer companhia.

Aproveitando o tempo disponível e que eu estava bastante entediada, dirigi-me à cozinha para preparar algo para nós jantarmos. Sou apaixonada por cozinhar; meu pai costumava me obrigar a aprender novas receitas para agradá-lo. Ele sempre dizia que, pelo menos nisso, eu era útil. Talvez tenha sido uma das razões pelas quais Johnny me trouxe até aqui; tenho certeza de que seu pai falou sobre minha habilidade na cozinha, já que ele jantou várias vezes com meu pai durante suas visitas à fazenda.

cuidadosamente preparei a mesa e segui para o meu quarto para tomar um banho. Era notável como Johnny tinha um gosto refinado, escolhendo produtos de alta qualidade e fragrâncias agradáveis. Optei por vestir um vestido vermelho que realçava minhas pernas bem formadas, tornando-o bastante chamativo. Imaginei o olhar interessado do Johnny e confesso que gostei de pensar nele olhando para mim com desejo.

Ao chegar à varanda, notei que estava tudo muito escuro e um vento forte e frio soprava naquela noite, sugerindo que uma chuva forte estava a caminho. De longe, as luzes das casas iluminavam a paisagem, mas o frio me fez recuar para o interior da casa. Esperei ele por um bom tempo, mas ele não apareceu. Já era tarde da noite então decidi jantar sozinha e, em seguida, fui para o meu quarto, deixando-o para jantar sozinho também, não iria ficar como uma tola esperando por ele.

Com passos lentos, percorri o extenso corredor da residência em direção ao meu quarto. Em determinado momento, um estrondo ecoou no interior da casa, fazendo-me girar para ver que uma das portas de entrada principal se abrira devido ao vento forte. A casa permanecia parcialmente às escuras, já que não me preocupei em acender as luzes. Lá fora, a chuva já caía intensamente, e sempre apreciei o som da chuva. No entanto, estar sozinha naquela imensa casa me fez ficar nervosa com os trovões. Voltei ao corredor em direção ao meu quarto, mas a porta do quarto ao lado, que estava originalmente fechada, despertou minha curiosidade. Testei a maçaneta da porta e constatei que estava destrancada. Uma rápida espiada não custaria nada, afinal, ele nem ficaria sabendo.

Continua...

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