Capítulo 5

2.5K 149 11
                                        

Senti meu estômago se retrair com a notícia. Não, não é possível que tanto tempo já tenha passado.

- E como sabe disso?

- Recebemos uma carta.

- E o que dizia nela?

- Não sei, não me mostraram- deu de ombros - Estou com medo Bella, não por mim, mas por você.

Procurei por respostas, sem sucesso. Dessa vez não era um machucado no joelho que podemos enxugar as lágrimas e dizer que vai ficar tudo bem, dessa vez não podia tranquilizá-lo.

- Descanse, tem um quarto no final do corredor, ele é seu - peguei a chave do carro e o celular - Não se preocupe comigo, prometo voltar bem.

Ele se levantou e beijou minha testa.

- Tome cuidado, não sei como seria sem você - ele sabia onde eu iria.

- Vou tomar, prometo.

Acenei enquanto fechava a porta, respirei fundo antes de ir ao elevador. O que me restava de pensamentos positivos foi por água abaixo assim que vi quem já estava no nele.

- Como foi com a sua tia? - Senhor, como eu queria socar ele agora.

- Você não precisa saber de nada - minha voz estava trêmula.

- Estou apenas perguntando, você pode tê-la matado com seu egoísmo se misturando no ar.

- Não tem coisa melhor para fazer do que gastar saliva comigo?

Acho que ele percebeu meu estado, abaixando a cabeça como se estivesse arrependido.

- O que aconteceu?

- Não acho que a vida perfeita de uma menina fútil te interesse - antes que ele pudesse responder, as portas se abriram e eu corri para meu carro.

Bati a porta, finalmente me sentindo longe dos problemas. Girei a chave tirando o carro da garagem, sem mais aguentar me permiti chorar. Depois de seis anos, eu chorei pelo mesmo motivo.

...

Afastei o portão enorme e enferrujado e caminhei até achar a lápide tão conhecida.

Diana McCortney Water (1975 - 2008)

Sentei na grama molhada pela chuva. Há exatamente três anos, eu vim aqui pela ultima vez e me despedi.

- Oi, mãe - senti meus olhos marejarem, de novo - Faz algum tempo que não venho falar com você, sou uma médica agora sabia? Você sempre falava que me imaginava cuidando de outras pessoas, e aqui estou eu, me permiti dirigir um tempinho para chegar aqui, a vida em New York está cada vez mais agitada - soltei uma risada seca - Mudei de apartamento, arranjei uma amiga, eu acho, consegui acabar com o namoro de um cara que estou desejando que morra nesse momento, ele me chamou de mimada e outras coisas, eu devia ter me defendido, mas apenas sai correndo para encontrar Ryan, ele está tão lindo! - limpei uma lágrima- Um homem, praticamente, depois de tudo o que passamos ele está firme e forte, morando com a nossa tia, ainda - não segurei um soluço - Mãe, por que teve que ir? Por que não está aqui para me consolar? A única coisa que eu queria agora era seu colo, não sei como consegui passar tanto tempo sem ele, consegue me perdoar por tudo que fiz de errado? Não sei o que vai ser com aquele homem solto, o que ele pode fazer? O que o impede de ir atrás de Ryan ou de qualquer um?

Encostei na lápide e fechei os olhos, sentindo as lágrimas caírem, por um segundo eu cheguei a pensar que tudo tinha se ajeitado.

E se ele melhorou? E se Paul, o homem que antes eu chamava de pai, reconhecer seu erro e está arrependido? Ele pode apenas querer sua família de volta, não pode?

Não, Deus Isabella, você está sendo muito ingênua.

Depois de mais um tempo sentada, resolvi voltar. De um jeito ou de outro eu teria que seguir minha vida, mesmo com todas as preocupações e outras coisas. Não podia parar apenas por esse fato, não devia me amedrontar com ele.

Segui para o carro, estava mais frio do que antes, o que me provocou vários arrepios e me fez correr mais rápido em busca do aquecedor.

Dirigi de volta para New York, parei em um supermercado 24 horas, em busca de comida. Já começava a escurecer e não tinha almoçado, meu estomago estava reclamando há horas.

Acabei comprando um pacote gigante de batata frita e uma lata de Coca-Cola, com certeza uma médica exemplar. Quando voltava para o carro, vi um papel branco colado com fita adesiva na minha porta, o recolhi entrando no carro e dando partida.

Antes de começar a comer peguei o papel para conferir o que estava escrito, talvez uma propaganda ou algo do tipo, mas era totalmente o contrario. Reli o que estava lá, sentindo um arrepio na espinha.

"Espero que a visita ao cemitério tenha sido proveitosa.

De seu querido papai, que te anseia tanto"

>>>>>>>>>>>

Ai vai mais um capitulo, espero que gostem!

Deixem suas opiniões nos comentários, pls. Leio cada um e isso me motiva muito.

Obrigdo por tudo.

Love you girls, hugs e kisses.

Leeh

Only YouOnde histórias criam vida. Descubra agora