Fui até o jardim para o ensaio. Tentei afastar todos aqueles pensamentos idiotas que tive mais cedo, não faria bem para mim. O que me faria bem era me afastar de Noah, mas precisava dele de alguma forma. Estava em um beco sem saída.
- Muito bem, como vocês já devem saber os noivos fazem questão que os padrinhos compartilhem da valsa. Vou explicar como funcionará. – Dizia a cerimonialista. – A primeira parte da musica os dois dançarão sozinhos, depois do refrão os padrinhos farão uma roda em volta do casal e dançarão conforme a musica. Todos aqui sabem dançar valsa? Vamos fazer do jeito mais simples um passo para lá um passo para cá.
Os casais começavam a se juntar, fiquei a procura do meu, mas não encontrava o amigo de Josh que seria meu par.
- Ah Sina. – Alexandra se aproximou. – Seu par sofreu um acidente quebrou a perna.
- Como assim? E agora? – Sou tão sortuda que até o par eu perco.
- Vamos arranjar alguém, mas hoje você pode dançar com o Noah? Ele também esta sozinho. – Ah não! Não sei se estou preparada para ver Noah tão rápido. Ainda estou me recuperando se sua suposta confissão.
- Eu acho melhor... – antes que pudesse terminar a frase Alexandra saiu atrás de Noah. – Não.
Fiquei onde estava, essa primeira parte quem dançava era o Josh e Any. Os dois dançavam com tanta harmonia. Estava prestando atenção na musica, era bem romântica e tinha tudo a ver com eles. Encontraram a alma que estavam esperando.
A musica falava muito sobre isso, encontrar alguém que foi destinado a você, alguém que fará todos os outros perderem a graça. Um dia encontraria alguém assim para mim?
Esse final de semana só esta me fazendo pensar coisas melancólicas.
Noah se aproximou e tomou minha mão sem dizer nada. Fomos conduzidos onde estavam os outros padrinhos e fechamos a roda. Fiquei de frente para ele e começamos a dançar.
"Seu amor me levanta além do tempo e você conhece meu coração de cor."
Era uma valsa simples, não tínhamos que fazer nenhum movimento elaborado. Era uma sorte, pois sou péssima dançando com alguém. Noah com certeza percebeu isso, pisei em seu pé umas duas vezes só na primeira estrofe.
Olhei para ele, seus olhos estavam cravados em mim. E assim que nossos olhos se encontraram, ele me puxou para mais perto. A brisa da tarde balançava meu cabelo e o delicioso perfume que usava vinha até mim.
Aquele cheiro era reconfortante, fechei os olhos para aguçar melhor o olfato. Ele se aproximou ainda mais e agora nossos rostos roçavam no pescoço um do outro. O que este homem esta fazendo comigo?
- Então, agora encontrei meu caminho para você. – Cantou baixinho em meu ouvido.
Meu corpo de imediato respondeu aquele gesto, senti um arrepio na espinha e um frio na boca do estomago. Apertei mais forte seu ombro. Essa musica não tinha nada a ver comigo, nunca encontrei alguém que achasse a minha alma, que me visse por dentro.
Mas em meio a toda essa confusão, estou começando a acreditar que a pessoa que vê minha essência, entende minha confusão e se diverte com ela, esta comprometida e não pode me dar nada alem de uma noite longe do azar.
- Não existem outros olhos que poderiam me ver por dentro. – sussurrei em seu ouvido.
Rodopiou-me e nem percebíamos mais que estávamos saindo do ritmo da dança. Só queria estar ali e acreditar que essa musica fazia sentindo e o homem que estava em minha frente fazia parte do que ela dizia.
Sorrimos um para outro e nos abraçamos. Estou com medo e ao mesmo tempo tranqüila. Ele consegue me passar paz, há muito um par de olhos não exerce um poder tão forte em mim. Mas isso também da medo, estou velha para sofrer por amor.
Naquela noite seria a festa de Joalin, trinta anos. TRINTA. Daqui alguns meses será o meu. Trinta anos é muito tempo, já somos adultas maduras. Não nos enquadramos mais nem em adultos jovens. Vamos ter rugas daqui um tempo, marcas de idade, as olheiras vão aumentar. E o pior de tudo, nem eu e nem ela temos um namorado.
Trinta anos e ainda solteiras. Tudo bem que esta trouxe o Bailey, mas eles ainda não namoram. Mas torço para que sim, os dois formam um belo casal e torço também para que ele tenha outro amigo que não se chame Noah, para me apresentar. Quem sabe, não é?
O resto da tarde foi uma correria, organizaram o palquinho de novo, as caixas de som, arrumaram a mesa da comida e as bebidas. Havia muito bebida alcoólica. Não sei como colocaram umas luzes coloridas no jardim que não paravam de piscar. Estava tudo impecável.
No quarto eu e as meninas nos arrumávamos. Contei a elas sobre minha conversa com Noah, precisava desabafar para alguém e minhas amigas sempre sabiam o que dizer.
- Então ele quis dizer que aquela noite não foi uma coisa banal como você sempre imaginou? – Joalin perguntou enquanto ajeitava minha maquiagem.
- Não sei, não conseguimos terminar a conversa. – a olhei. – Mas estive pensando, e se essa história de azar for tudo uma mentira e se eu for assim mesmo azarada. E aquela noite não teve nada a ver com isso porque ele também gostou? – essa duvida estava-me torturando desde que tivemos a conversa.
- É para ser sincera? – Any saiu do banheiro. – Se a culpa é dele pelo seu azar ou não, não importa. Você já foi muito longe para não tirar uma casquinha desse homem, Sina.
- Mas este é o problema Any... – fiz uma pausa antes de continuar. – Não sei se eu vou tirar apenas uma casquinha. – confessei.
- Como assim? – Joalin se sentou na cama de frente para mim. – Não me diga que você... – não completou a frase, mas nem precisava minha careta indicava tudo.
- Você esta gostando dele Sina? – Any sentou ao lado dela.
- Não sei, fico confusa às vezes. Eu faço tanta merda perto desse cara, mas ele sempre esta na minha cola... E sinto tantas coisas diferentes quando estou com ele, quando ele me toca, me beija, ou até quando fala comigo. Aquele dia em que quase deu certo senti mais do que apenas felicidade por me livrar do azar.
- Não pode ser. – Any riu. – Ainda é apaixonada por ele.
- Não sou apaixonada por ele! – Não sou não é? – Ele namora meninas, não tem como dar certo.
- Então você tá mesmo afim dele? – Joalin disse rindo, aquela pergunta soou mais como uma afirmação. Revirei os olhos. E as meninas vieram me abraçar.
Sentia-me grata por ter amigas como elas. E apesar de sentir falta de um carinho a mais, a presença das duas sempre me animava e lembrava que existem outras formas de amor tão importantes como a atração baseada no desejo.
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Procura-se o amor
Teen FictionSina nunca teve sorte em seus relacionamentos, era como se o azar estivesse sempe ao lado dela nesse quesito. Essa maré de azar dura desde o ensino Médio. Todas as suas amigas estão com pé no altar, enquanto ela não consegue ninguém. Entretanto no e...
