O silencio invadiu o apartamento, Noah me olhava confuso. Estava retraído e parecia não querer abrir a boca. Isso me deixou aflita, porque não podemos ter uma conversa madura assim como tive com Théo? Sempre fomos complicados e pelo visto continuaremos assim para sempre.
Gostaria de ser sincera com ele também, lhe contar toda a verdade. A verdade que nego a mim mesma. É claro que gosto dele, sempre gostei. Parecia até um castigo, há tantos anos conhecendo este homem e nutrindo o mesmo sentimento. Mas o mesmo tempo o medo também me invade e sinto que posso me arrepender se lhe contar tudo que sinto.
- Vamos ficar aqui nos encarando? – perguntei por fim.
Soltou o ar que parecia estar prendendo por muito tempo e voltou a olhar para baixo.
- Foi uma confissão e tanto do Théo, não? – disse dando um sorrisinho. Estava tentando mudar de assunto era claro.
- Você disse que ele era gay e acertou, e o que ele disse sobre você. Era verdade?
Parecia nervoso. Não pode ser verdade que ele gostava de mim quando éramos mais jovens. Seria o cumulo do meu azar, era apaixonada por um cara que era apaixonado por mim e nunca contamos isso um ao outro. Isso não pode ser verdade.
- O que você sentia por mim no passado Sina?
A pergunta tinha que se voltar para mim. Não sabia como responder. Se fosse sincera poderia por tudo a perder. Menti a vida inteira sobre isso, e acredito que mentir mais uma vez não faria mal algum.
- Nada. – disse apressada. – Quero dizer, nós não nos dávamos muito bem não é? Você me odiava eu te odiava. Ou não era ódio o que você sentia?
Ele ficou em silencio por mais algum tempo, e eu me arrependi do que disse no mesmo instante em que ele ficou mudo. Quase abri a boca para dizer a verdade. Que sempre fui apaixonada por ele, que sofria quando via ele com outras garotas e que queria ser uma delas. Gostaria que ele me tratasse como tratava as outras garotas, queria ter sido importante na vida dele assim como ele foi na minha. E como continua sendo.
As palavras não saiam, e sentia que aquela conversa não teria um fim como planejei. Estávamos ali frente a frente podendo colocar todas as cartas na mesa, mas parecia que isso não iria acontecer. Nem de minha parte e nem da dele.
- Era. – respondeu por fim. – Não sentia nada por você no passado. – confessou.
Preciso admitir meu coração quase se espatifou com suas palavras, era duro ouvir isso de sua boca. Nunca tivemos uma conversa como aquela, e para ser sincera preferia nem ter. Engoli em seco mais de uma vez, tentando segurar a vontade de chorar. Mas como chegamos até aqui precisamos ir adiante.
- E agora, você continua sem sentir nada Noah?
Fiquei esperando sua resposta, mas ao invés disso ele se aproximou de mim e me puxou pela cintura. Havia ouvido o que eu disse? Isso era um sim? Ele sentia algo por mim agora? Não tive tempo de pensar em todas essas perguntas, pois ele me invadiu com um beijo.
Beijou-me cheio de vontade, me segurando forte e transmitindo tudo o que as palavras não conseguiam dizer. Pelo menos foi isso que pensei, e fiz o mesmo. Tentei colocar naquele beijo tudo o que não disse, mas que deveria ter dito. Acho que foi o beijo mais doce que já recebi, e eu esperava fielmente que houvesse reciprocidade. Era tudo que queria. Só precisava da sinceridade de Noah e estaria pronta para entregar tudo o que lhe guardei em mais de dez anos.
- Preciso pensar Sina... – disse ao se afastar.
- Que?
- É isso, eu tenho que pensar em tudo ainda. Preciso pensar. Depois nos vemos ok.
Quase sem olhar para trás saiu de minha casa com pressa. Isso só confundiu ainda mais minha cabeça. Então ele não gostava de mim, ele não estava nem ai para mim. Nem agora e nem antes. Que tola eu fui por acreditar que poderia ter alguma coisa com ele, que ele também poderia me amar. Que iríamos nos livrar deste azar para sempre. Mas como sempre estava enganada.
E para piorar tudo as lagrimas agora invadiam meu rosto. Desciam sem piedade, e eu só queria uma explicação plausível. Mas parece que não terei, não terei mais nada dele. E isso dói.
Recorri ao meu único consolo para aquela desastrada noite, um pijama confortável e um pote bem grande de sorvete de Flocos. Fiquei olhando a TV em programas aleatórios e tentando não pensar nisso, mas era impossível. A tristeza me invadia. Só queria que ele tivesse dito que me amava e que estaria comigo.
Sou uma tola, corri tanto atrás desse idiota, fui para outra cidade atrás dele, apenas em busca do fim do meu azar e quando estava próximo o suficiente para conseguir isso coloquei os pés pelas mãos e acabo de apaixonando por ele e sendo condenada ao azar e a me decepcionar mais uma vez com o mesmo homem.
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Procura-se o amor
Novela JuvenilSina nunca teve sorte em seus relacionamentos, era como se o azar estivesse sempe ao lado dela nesse quesito. Essa maré de azar dura desde o ensino Médio. Todas as suas amigas estão com pé no altar, enquanto ela não consegue ninguém. Entretanto no e...
