6. Olhos Castanhos

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Após todos os problemas, traumas, inseguranças e tudo aquilo que eu havia passado até entrar no ensino médio, eu cheguei vivo ao 2° ano do Ensino Médio. Eu não imaginava que eu ainda conseguia ter forças mesmo depois de tudo que me havia ocorrido, mas eu aguentei. O 2° ano me marcou muito porque eu me apaixonei mais uma vez, mas eu acho que desta vez não me deixou traumas e cicatrizes, apenas aprendizados.

Primeiro dia de aula, entra uma garota e senta na carteira em frente a minha. A garota mais linda que já vi. Seu sorriso era lindo, seu cabelo curto e liso, em que ela não parava de mexer nem por um segundo. Seus olhos castanhos eram as coisas mais lindas e mágicas. Eu não conseguia parar de reparar nela e eu percebia que ela me olhava na mesma intensidade. E foi aí que eu puxei o primeiro assunto:

- Oi, desculpa, poderia pegar minha caneta que caiu aí do seu lado?

Sim, o meu primeiro assunto foi pedindo pra que ela pegasse a minha caneta.

- Que formal - ela riu. - Aqui está - ela pega a caneta e me dá.

- Temos que ser educados, né? - eu dou risada.

- Prazer, Samira. Você é o...?

- Prazer. Quer dizer, Pietro... eu sou o Pietro, prazer - eu falo me atrapalhando e ela ri.

Depois disso, passamos a conversar muito, até porque ela sentava na minha frente. Meu coração parecia que estava perto de explodir cada vez que ela ficava perto de mim e sorria. Parece meio louco, mas eu estava completamente encantado por ela, ela era a garota mais linda e simpática que eu tinha conhecido. Até que semanas depois de conversarmos, chamei ela de canto na saída da escola.

- Samira, é... não sei quais são seus planos para essa semana, mas você topa sair comigo algum dia desses? Eu pago. Talvez seja bom pra gente se conhecer melhor, né? Eu acho... não sei.

Ela ri.

- É claro que topo! O que acha de ser amanhã?

- Pra mim é perfeito. Nos vemos amanhã então.

E o "amanhã" chegou. Eu só conseguia ficar nervoso e extremamente ansioso. Mas ao mesmo tempo com o coração alegre e o sorriso bobo no rosto o dia inteiro. Até que nos encontramos perto da escola, fomos até uma hamburgueria para comer o lanche que nós dois amamos. Naquele dia, estávamos numa sintonia incrível e depois de contarmos nossas histórias e histórias das nossas famílias, percebemos que tínhamos mais em comum do que pensávamos. Era esquisito, eu nunca tinha conhecido alguém que me entendesse tão bem e que eu me identificasse tanto como ela, até nas dores amorosas.

- Já te disseram que você é uma pessoa incrível? - ela perguntou enquando me olhava no fundo dos olhos.

- Tenho a mesma pergunta pra você. Você é literalmente a pessoa mais doce que eu conheci.

- É difícil encontrar rapazes como você. Estanho né? Espero que continue assim, isso é o que te torna especial.

- Obrigado pelas palavras - eu falei com um sorriso bobo de canto. - Gosto muito de você.

E logo após esse momento, foi quando demos o nosso romântico primeiro beijo, foi magnífico.

Quase um mês se passou e a gente se tratava como um casal, vivíamos juntos, na sala nem os nossos amigos aguentavam mais tanto amor. Até que na saída da escola de uma segunda-feira, resolvi fazer uma grande surpresa pra ela. Fomos até a rua de trás da escola e ali eu lhe entreguei flores. Foi a primeira pessoa que eu dei flores em toda minha vida. Ela sorriu e agradeceu com muita alegria, abraços e beijos. Até que eu disse: "quer namorar comigo?". Ela me olhou sério por alguns segundos e disse:

- Calma! - ela respirou fundo. - Não sei. Isso ainda é novidade pra mim, Pietro. E minha mãe? Meu pai?

- Nos amamos, Samira. Isso a gente deixa pra pensar depois.

- Eu não sei... - ela falou em um tom de insegurança.

- Não vou te obrigar. Se não quiser aceitar, só pega as flores e a gente sai daqui numa boa. Eu nunca te forçaria a absolutamente nada.

- Tá... eu...

- Você...?

- Aceito!

Naquele momento meu coração explodiu. Eu só sabia sorrir e beijá-la. Nossas almas se entrelaçavam, da maneira mais linda e romântica.

Um mês se passou e ainda estávamos juntos. Mas em um determinado dia, Valter chegou em mim e me mostrou algo que mudou tudo: uma conversa por chat que teve com ela na noite passada. Na mensagem ela dizia o seguinte:

"Eu amo o Pietro. Ele realmente é o cara mais incrível que eu encontrei em toda minha vida, mas eu não me sinto pronta desde o começo, sinto que devo terminar".

Eu fui correndo para o banheiro da escola chorar escondido. Chegando na sala, ela foi me contar uma piada, mas logo percebeu que eu não estava bem e perguntou o que eu tinha.

- O que foi Pietro?

Eu sento ao lado dela.

- O que foi? Você mentiu esse tempo todo. Eu disse que se não tivesse segura era só falar que a gente continuava numa boa. Por que preferiu contar pro meu melhor amigo e não pra mim?

Ela respirou fundo, abaixou a cabeça, ergueu novamente e continuou:

- Desculpa. Eu sabia que devia te falar, só não sabia como. Eu te amo, de verdade. Mas eu não sei se eu quero algo sério agora.

- Tá tudo bem. Eu entendo. Vamos dar um tempo então, eu preciso me recuperar. Você sabe que isso não é fácil pra mim.

- É claro que eu sei. Me desculpa. 

Ela colocou sua cabeça em meu ombro e me deu a mão. Eu não sabia o que fazer. Eu a amava, mas precisava de um tempo pra mim e pra pensar sobre tudo isso. 

Esse tempo durou duas semanas, até que a Naysha chegou em mim para conversar sério, dizendo que tinha a visto com outro garoto e que ela já estava em outra. Aquilo me doeu como uma flecha atirada no peito, foi um sentimento tão confuso que eu não sei descrever. Até que encontrei com ela na rua da escola e resolvi perguntar com quem ela estava ficando, e bom... era o ex namorado dela, que havia traído ela um ano atrás e feito ela sofrer muito. Ela dizia que ele tinha mudado e que ele fazia bem pra ela, que não conseguia mais ter nada comigo. Eu fiquei bem desapontado com a atitude dela, brigamos e ficamos sem nos falar por mais de um mês.

Todo esse tempo sem falar com ela me ajudou a me reconectar comigo mesmo. Percebi que se ela não era mais feliz, eu não podia força-la a continuar. Eu tenho respeito pelo sentimento de quem sente, e respeito pelas decisões das pessoas.

Até que um dia na escola, ela chegou em mim já chorando, pedindo desculpas, falando que se sentia um monstro por ter atordoado os meus sentimentos mais uma vez. Ela disse que me amava, mas como amigo. Disse que eu podia contar com ela pra tudo e que estava feliz com o novo relacionamento. Eu a perdoei. Fiquei feliz em saber que ela estava bem e que ele fazia bem a ela.

Agora perdemos um pouco o contato, mas ainda nos cumprimentamos educadamente. E eu sou grato a ela, sabia? Grato por ela ter sido mais sincera e carinhosa do que todos os outros(as). E grato por ela ter me mostrado um pouco de amor depois de todos esses anos de dores.

Samira, obrigado por me fazer cada vez mais forte.

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