9. O Teatro

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Depois de um dia turbulento de volta às aulas, a escola já veio com uma grande proposta para o ano escolar: O Teatro.

Quem iria administrar a apresentação seria a Professora Jessy. Eu amo essa professora. Em alguns momentos de fraqueza, ela sempre estava do meu lado para me ouvir e me apoiar, ela é um anjo. E enquanto eu andava pela corredor da escola, ela me avisa e me grita.

- Pietro, Pietro! - ela vem em minha direção com um sorriso.

- Oi professora Jessy, como vai? - pergunto.

- Eu estou bem, e você meu lindo?

Sua forma de falar sempre foi muito doce e agradável, admiro isso nela.

- Eu estou bem!

- Ah, que bom - ela olhou nos meus olhos, respirou fundo e continuou - Então... tenho uma proposta para você.

Eu a encaro com uma cara confusa, esperando ela dizer o que se trata, e ela continua:

- Uma peça de teatro!!! - ela falou com muita empolgação, convicta de que aquilo seria uma coisa incrível para mim.

- Ai que demais! Os alunos vão adorar.

- Talvez sim. Mas eu pensei em você. Especificamente você, Pietro.

Nesse momento eu já imagino do que se trata. Os alunos acabam não tendo tanto incentivo artistico na escola e eu sempre tomei a frente de projetos assim por aqui. Era meio óbvio ela querer minha ajuda nesse momento, mas ainda assim me fingi de desentendido e continuei a conversa.

- Por que? - perguntei.

- A peça retrata um romance adolescente que...

- Ah não, estou fora dessa vez, desculpa professora - eu disse, já saindo de perto e ela me puxa pela mão.

- Não! Você vai adorar, as falas estão lindas.

- Olha professora, se fosse um ano atrás talvez eu toparia. Mas agora? Não mesmo. Me desculpa de verdade. É um pouco complicado isso de enfeitar com flores e arco-íris essa coisa de amor. Eu não vou ter cabeça para essa peça.

- Pietro, escuta só - ela se aproxima e coloca as mãos no meu ombro direito. - O que você passou, é literalmente passado. Você precisa se recuperar dos traumas. O amor é lindo e no fundo você sabe disso. É seu último ano, uma chance de se distrair com algo novo também. Eu quero você na peça, não me decepcione, por favor - ela diz com um brilho nos olhos.

- Ai... tudo bem, tudo bem.

- Ai, ótimo! - ela comemora - aqui está o roteiro, leia para se familiarizar, prometo que você vai adorar.

Eu pego o papel e vou para sala de aula.


Chegando em casa, me deito no sofá e começo a ler o roteiro que me foi entregue. E que história melódica! Sinceramente, que tipo de romance a Professora Jessy tá vivendo para escrever isso?

E no final das folhas, está o nome de algumas pessoas que se inscreveram para a peça. Havia nomes conhecidos, mas tinha um ali, justamente o último, que eu nunca tinha ouvido falar naquela escola: Estevão Rodriguez. Eu fiquei tentando pensar em quem seria, procurei no Facebook... e nada. Eu definitivamente não sabia quem era o responsável pelo nome tão bonito e diferente.


Chegou quarta-feira. Às 16:00 todos se encontraram na grande e vazia biblioteca da escola para ensaiar. E chegando lá, me deparei com mais ou menos 8 pessoas que provavelmente participariam da peça. A professora Jessy nos recebeu e mandou nos unirmos em circulo, dando as mãos. E ela pergunta: "Será que está faltando alguém?". E quando ela pega o papel para olhar a tal lista, o barulho da porta abrindo se alastra pelo silêncio da biblioteca.

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