34. Banho de chuva

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Mais uma daquelas noites mal dormidas. Uma mistura de angústia e desconforto invadindo meu corpo pela madrugada e me impedindo de dormir. Quando fecho os olhos, as piores imagens insistemem passar na minha cabeça. Será então que meus pesadelos no fim acabaram se tornando realidade?

Acordo desesperado. Corro para a minha escrivaninha ao lado da cama. Me sento na cadeira, pego um papel e um lápis que tem ao lado e começo a escrever muitas coisas. Joguei todos os meus sentimentos pra fora em forma de palavras. Logo percebo meus olhos se encherem de lágrimas e é nesse momento que eu paro, respiro e fico parado olhando o papel e o nome do Estevão estampado quase na folha toda.

Desço para tomar café da manhã. Sento na mesa, sentindo meu cabelo completamente bagunçado e meus olhos inchados. Minha mãe tenta puxar assunto.

- Bom dia, meu amor! Como está esse coraçãozinho nesse começo das férias? - ela me abraça por trás, colocando sua mão no meu peito e me dando um beijo na bochecha.

- Bom dia, mãe - sorrio para ela. - E sobre meu coração, acho que ele tá batendo numa velocidade legal, sem novidades - minha mãe ri.

- Não está feliz? Aconteceu algo?

Ela pega a jarra com café dentro, coloca num copo para mim e me dá logo em seguida.

- Não, não aconteceu nada, é só que... - eu fico por alguns segundos pensando e olhando para o copo com café. - Nada. Eu estou bem.

Logo me esqueço de que estou conversando com a minha mãe, é óbvio que ela sacou que não estou muito bem.

- Se quiser conversar você sabe que estou aqui - ela diz.

- Eu sei, mãe - meu olhar se encontra com o dela e sorrimos um para o outro.

Meu celular apita. É o Estevão mandando mensagem.

    "Vem aqui em casa hoje a noite. Precisamos conversar melhor desta vez".

Ele realmente sabe como mexer comigo. Um sorriso espontâneo se abre em mim suavemente e eu dou um gole de café com mais satisfação.


Algumas horas se passam. Eu recebo outra mensagem dele às 19:38:

   "E aí, vai vir?"

Eu respondo que sim. Coloco meu moletom e vou com meu coração acelerado até a casa dele.

Chegando por lá, toco a campainha e sua tia me recebe.

- Oi, Pietro! - ela me recepciona com muita espontaneidade.

- Oi, senhora Ellen!

Nós nos abraçamos.

- O Estevão está aí? - pergunto.

- Estevão? Não está não, ele acabou de sair.

- Saiu?

Eu fico sem graça e sem entender nada. Poucos minutos atrás ele me mandou mensagem dizendo para vir até aqui e de repente ele sai? Qual é a dele?

- Ah, mas ele deixou uma coisa para você!

Ela volta para dentro da casa e logo em seguida trás para mim uma carta.

- O que é isso? - eu pergunto, pegando o papel.

- Não faço ideia - ela ri. - Mas deve servir para algo, né?

Eu rapidamente abro o envelope feito de papel sulfite e dentro há outro papel. Eu abro para ler o que está escrito:

   "Caro, Pietro. Estou te esperando em um lugar secreto e você precisa adivinhar. O primeiro passo é ir até uma divisória que você conhece. Está com fome?"

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