De volta para a rotina. Na escola, tive que encarar o Valter e a Naysha em alguns momentos do meu dia, mas, não conseguia olhar por muito tempo, automaticamente eu abaixo a cabeça quando passo por eles. Passei o começo da semana nesse ritmo caótico e desolado. É muito horrível tratar como estranhos aqueles que você teve por perto quase a vida toda. Isso me dói muito.
Até que enfim chega a tão esperada quarta-feira, dia de apresentação da peça de teatro. Todos muito ansiosos, coração na mão e sentimentos a flor da pele. Nas últimas aulas todo elenco do teatro foi despensado mais cedo para se reunir na área de apresentação que tem na escola. É como um salão, cheio de cadeiras e na frente tem um palco de madeira e uma cortina vermelha, uma área especial para apresentações e palestras. Porém, a escola nunca deu tanta valorização ao espaço.
Assim que chegaram todos os alunos, já começamos a nos preparar. Passamos o texto várias vezes, está perfeito. Em seguida, fomos colocando as roupas nas quais usaríamos. Todos os figurinos eram baseados em roupas de muitos anos atrás, lembrando muito a peça "Romeu e Julieta", que também já foi apresentada na escola, cerca de dois anos atrás.
Eu vou a caminho do bebedouro para beber água e tentar me acalmar. Encho meu copo e repente o Estevão aparece.
- Está nervoso? - ele pergunta soltando aquele sorriso bobo que eu sou apaixonado.
Estevão está usando a roupa do personagem, algo bem parecido com o Romeu mesmo. Com uma boina azul na cabeça, ele ganha um charme ainda mais especial.
- Um pouco. Essa é a terceira apresentação escolar que eu faço desde o 4° ano. Mas, ainda não me acostumei com o nervosismo antes de subir no palco - respondo com o copo de água na mão.
- Fica tranquilo, vai dar tudo certo.
Ele se aproxima e me consola com um abraço apertado, o que me traz muita segurança nesse momento.
- Se preparem, aqueçam, respirem! - professora Jessy passa por nós gritando e todos vão se juntando formando uma roda. - Os alunos estão se sentando, em 15 minutos vocês entram! - olho para cada um e todos estão com uma feição de nervosismo.
- Boa sorte, galera. Vai ser demais! - Bárbara fala alto, tentando animar a todos e o elenco aplaude feliz.
- Esse é o espirito, pessoal! - a professora puxa o gancho, todos formam a roda e dão as mãos. - Primeiramente, quero agradecer a todos por estarem aqui hoje. Segundo, quero dizer que não precisam ter medo, já deu tudo certo. Quem está de fora, não sabe nada sobre a peça, então se errarem é só improvisar. Acredito no potencial de vocês e se estamos aqui agora, é por uma razão maior do que podemos imaginar. Vamos pra cima!! Merda para nós!!
- Merda!! - todos gritam e começam a aplaudir. "Merda" no teatro significa boa sorte.
15 minutos se passam. Professora Jessy nos prepara para começar a apresentação.
Todos em posição. Um silêncio se forma no ambiente, todos os alunos do lado de fora ficam quietos aguardando. Luz ajustada no palco. Respirações profundas ao pisar no palco. A cortina é aberta. Começamos.
A apresentação começa com Helen (fazendo o papel de Rosalia, personagem principal). Ela desabafa para o público sobre a sua triste história e alguns acontecimentos fatídicos que aconteceram em sua vida nos últimos anos. Em seguida, entra Juliana e Willy (interpretando Josy e Alexandre, os pais de Rosalia). Eles tem um diálogo entre pais e filha. Logo em seguida, a luz se apaga, eles saem e entra o Estevão (interpretando Guto, garoto apaixonado por Rosalia). E eu entro logo atrás (interpretando o Rafael, melhor amigo de Guto).
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Meu Pequeno Universo
RomanceA vida na pele de Pietro pode ser assustadora em alguns alguns momentos, pois nem todos sabem lidar com a intensidade pessoal. E depois de passar por diversos traumas amorosos, paixões, ilusões, confusões, ele resolve deixar de lado a vida amorosa p...
