Um encontro

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O dia havia chegado e eu me arrumava com Seth, Pam, Mari e Fran em meu quarto.

  Todos nós participaríamos do baile, mesmo que Mari insistisse que não era apropriado uma criada se apresentar juntamente da nobreza, seus senhores. E esta foi uma das maiores incoerências que já a ouvi dizer em toda minha vida.

  De qualquer modo, conseguimos, de alguma forma, enfiá-la em um vestido verde musgo como seus olhos e arrumar seus cabelos ruivos em uma bela trança enfeitada com pequenas flores de diamante que cintilavam em contraste ao vermelho.

  Isto enquanto tínhamos que escutar suas incessantes reclamações que só pararam quando Seth a convenceu de que precisava de uma acompanhante se quisesse agradar seus pais, que logicamente viriam para os festejos.

  O que era melhor do que ser ameaçado de ser levado de volta para casa à força. E antes ela do que uma daquelas duquezinhas mimadas (palavras dele) e vestidos apertados que o perseguiam como cachorrinhos atrás do dono.

  Para falar a verdade, nem nossos cães eram tão submissos a nós quanto elas em relação a Seth.

  Pensando bem, nossos cães não eram submissos a ninguém e tinham uma notável opinião quanto a tudo. As vezes deixando seus desejos tão claros que parecia que poderiam começar a falar a qualquer instante.

  Bom, voltando ao assunto...

  Nem mesmo Mari poderia recusar um convite tão atraente quanto este. E quando se olhou no espelho, até ela teve de admitir que estava magnífica.

  Sorte de Seth.

  -Sua vez Angi, saia logo daí!

  Pam chamava de dentro de seu vestido rodado de seda rosa salmão, que me lembrava os adoráveis vestidos que minha avó usara em sua juventude. Vindo até um pouco abaixo de seus joelhos e fazendo o contraste perfeito com sua pele morena e os cachos que se tornavam dourados nas pontas caindo de seu coque.

  As únicas joias que usava sendo os cinco pontos de luz de sua orelha direita, representado todas as estrelas da constelação sob a qual nascera. Um costume que eu sempre admirara entre as jovens de Mener.

  Saí em silêncio do quarto de vestir vendo Mari ajudando nos últimos arranjos do vestido de tule cinza de Fran. Pam sentada em minha cama com Seth deitado a seu lado já com o fraque preto e uma de suas tão icônicas gravatas borboleta.

  Ele tentava entender como se punha uma das joias reais, já começando a ficar entediando entre tantas garotas, babados e pó de arroz.

  -E então? O que acham? -Perguntei tímida.

  Por mais que fosse princesa, nunca me sentira confortável em vestidos de baile.

  Não adiantava o quanto me dissessem que estava bonita, simplesmente não combinava comigo. Mas podia apostar que Pam descordava totalmente, pois quando se virou para mim, seus olhos brilharam, seu queixo caindo igual aos desenhos animados.

  -O que foi? Devo me trocar? Talvez um vestido mais escuro... -Já ia voltar para o closet quando ela me parou.

  -Não! Não! Não! Não se atreva Angélica Hermê!

  Ela foi até mim e me rodou para ver melhor. Neste momento Seth se sentou com um suspiro desinteressado e olhou em volta até pousar os olhos em mim, tomando uma expressão divertida e um sorriso insuportavelmente malicioso nos lábios enquanto erguia uma sobrancelha.

  -Por Cristo. Angi você está.. Meu Deus!

  -Está tão ruim assim? -Fiquei preocupada, era um dos meus melhores vestidos, não achava que conseguiria coisa muito melhor no meu armário.

Um estranho no palácioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora