Jonathan era diferente.
Não parecia ser um nobre.
Afinal um nobre não saberia lutar daquele jeito, muito menos não reconheceria sua princesa.
Não.
Ele era um plebeu.
Mas como? Poucos plebeus frequentavam estes eventos e, exatamente por isso, conhecia todos.
Então quem seria ele?
Mas antes que pudesse perguntar, ele olhou para meus pés e um leve sorriso se formou em seus lábios. Segui seu olhar até meus tênis à mostra. Meu vestido tendo rasgado, assim não havendo mais como tampá-los.
-Belos sapatos. -Comentou enquanto eu tentava, de alguma forma, escondê-los.
-Sinto muito. -Acho que jamais fiquei tão envergonhada em minha vida.
-Não se preocupe. -Ele tentou me tranquilizar. -Eu mesmo usaria calçados mais confortáveis se tivesse a chance. Mas acredito que não queira que todos naquele salão a vejam assim, estou certo? -Concordei com a cabeça. -Bom, então, primeiro, acho que isto lhe pertence.
Ele pegou minha tiara que Willian deveria ter atirado no chão, a limpou e se aproximou devagar, com medo de que eu me afastasse novamente. Quando não o fiz, ele a cuidadosamente a colocou de volta em minha cabeça.
-E uma jovem tão bonita não deveria se sujar com isto. -Ele limpou o rímel que sujava minhas bochechas com os polegares.
Nem tinha percebido que havia chorado.
-Deixa eu ver.... -Ele se agachou na altura de meus joelhos quase descobertos. -Acho melhor tornar isto simétrico.
Jonathan rasgou o resto do vestido tornando a linha o mais reta possível. E por algum motivo me arrepiei com este movimento.
Ele se pondo de pé de novo e me analisando, seu olhar recaindo sobre meus tênis.
-Por mais que tenha os adorado, acho que deveria tirá-los se não quer ser vista com eles.
Apenas o fitei.
Ele dizia isto como se não fosse nada demais.
Ele deveria estar brincando, pensei. Mas quando percebi que não estava, a única coisa que consegui dizer foi:
-Como assim? -Minha voz saiu mais esganiçada do que pretendia, fazendo-o levantar um pouco as mãos em sinal de paz.
-A escolha é sua.
Suspirei.
Que noite!
Mas ele tinha razão, não podia ser vista com eles. Pois se nem a imprensa nem minha mãe me matassem por isso, Pam o faria.
Ótimo jeito de começar a procurar um marido, Angélica!
Havia desperdiçado um baile inteiro com homens triviais. Tinha sido assediada... Chorei na frente de um estranho que, por sinal, rasgara um de meus melhores vestidos e ainda teria que entrar em um salão de baile descalça! Que maravilha...
Os tirei sem mais opções e os entreguei a Jonathan.
-Prometo que os procurarei pela manhã.
-O quê? -Não entendi o que quis dizer com aquilo até o momento em que ele os jogou da sacada, jardim abaixo.
-Ei! -Gritei indo tentar ver aonde teriam caído.
O que ele pensava que estava fazendo? Eu amava aqueles sapatos!
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Um estranho no palácio
RomanceUma princesa, Um país em guerra & Um convidado inesperado. Jovem, bela e sagaz, com um mundo na palma da mão, Angélica jamais teve do que reclamar. Até que chegou a hora de escolher quem se sentaria a seu lado no trono e a acompanharia no altar. Mas...
