-Ele vai cair.
Vênus sempre achava que tudo acabaria mal. Aquele gorducho peludo não sabia de nada. Afinal, eu estava no controle.
-Não vai, eu estou de olho nele.
-Só ficar olhando não vai ajudar quando ele se desequilibrar.
Vênus levantou os olhos para mim. Era incrível como conseguia ficar deitado em uma hora decisiva como aquela.
-Deixa eu ir lá, Redas. Por favor...
Moscada já estava a um passo de ter um ataque de nervos. Se encontrando com a cabeça colada no chão enquanto o traseiro estava empinado. Ele não podia ficar parado, mas também não iria interferir.
Charles tinha que aprender sozinho.
O rei tinha sido vencido pelo cansaço, há uns vinte minutos, no sofá e o Senhor Charles decidira aproveitar a chance para subir na mesa.
Estava tentando escalar a cadeira, mas ficaria tudo bem, porque nós estávamos cuidando dele.
-Devíamos acordar o amigo. -Moscada sugeriu aflito.
-Ele trabalha duro a semana toda, devemos lhe dar um descanso de vez em quando.
-Desta vez concordo com Redas, Moscada. -Vênus se deitou de lado. Balofo preguiçoso.
A cadeira balançou e Moscada tampou o focinho com a pata.
-Ele vai cair!
-Não vai! -Rosnei.
-Somos péssimas babás! -Ele choramingou pousando a outra pata. Se não aquentava o tranco não devia ter vindo.
O garoto puxava alguns documentos presos debaixo de três grossos livros para subir.
-Já chega, Redas! Temos que chamar o amigo! -Moscada se sentou.
-Já disse que não! -Mostrei os dentes e Moscada se encolheu. -Estamos cuidando do filhote dele! Vai ficar tudo bem.
-É.... Redas? É melhor você ver aquilo. -Vênus avisou observando do chão.
Charles tinha conseguido e agora se via sentado em cima de uma pasta brincando com o abridor de cartas.
-Está bem. -Cedi. -Temos que intervir.
-Finalmente! -Moscada começou a latir, mas eu o impedi a tempo, pulando em cima dele e pisando em seu focinho. -O que você está fazendo, Redas? -Perguntou entre dentes um tanto confuso e desconfortável.
-Vamos resolver isto sozinhos.
-Não vai dar certo. -A montanha de pelos se levantou.
-Tá bom. Tá bom. Mas vamos logo, não quero que o filhote do amigo se machuque. -Moscada concordou e eu o soltei.
Vênus se apoiou na mesa ficando da altura da cabeça do menino. Caramba, ele era tão grande que nem tinha que subir nela para alcançá-lo.
Subi na cadeira e depois em cima da mesa igual ao pequeno amo.
Epa, não sabia que era tão alto.
Me abaixei e engatinhei até ele, moscada correndo de um lado para o outro ao lado de Vênus.
Cheguei até ele em segurança e o cheirei.
Ele estava bem.
-Laba-Laba. -Ele riu pondo a mão livre na minha cabeça. O pequenino ainda não tinha aprendido meu nome, mas resolveríamos isso depois.
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Um estranho no palácio
RomanceUma princesa, Um país em guerra & Um convidado inesperado. Jovem, bela e sagaz, com um mundo na palma da mão, Angélica jamais teve do que reclamar. Até que chegou a hora de escolher quem se sentaria a seu lado no trono e a acompanharia no altar. Mas...
