Eu estava andando pelos corredores atrás de Clementine quando o vi.
A princípio ele nem notou minha presença.
Estava muito ocupado mexendo em sua telinha brilhante.
Mas quando a desligou e olhou para a frente, parou de súbito.
-Quem é você? -Lati.
Ele deu um sorriso.
Nunca tinha visto esse cara na vida, porque ele estava sorrindo para mim?
O homem tinha o pelo da cabeça preto como os de Vênus e os olhos verdes.
Nunca tinha visto uma pessoa de olhos tão verdes quanto aqueles. Era um pouco ameaçador, por mais que ele parecesse um cara legal.
Ele deu um passo em minha direção.
Um cara legal e grande que parecia querer me pegar.
-Eu vou te morder! -Comecei a latir de novo.
-Ei! Ei! Não vou te machucar, amigo! -Ele levantou as mãos em sinal de paz.
Não sei não... Nem o conhecia, por que deveria confiar nele?
Dei um passo para trás, sentei e comecei a uivar.
-Ei. Calma aí, garoto! Está tudo bem.
Ele se agachou à minha frente.
Parei de uivar.
-Oi. Qual o seu nome? -Ele começou a fazer carinho em mim.
-Eu vou pular em você. -Avisei.
-Vamos ver... -Ele olhou a minha plaquinha de identificação. -Noz Moscada? -Ele franziu o cenho. -Nome incomum.
Pronto! Já estava zombando de mim. Ah! Eu ia joga-lo no chão e morder o traseiro dele.
-Mas acho que combina com você, não é, Noz Moscada?
Ele achou aquele ponto atrás da minha orelha esquerda que ninguém mais, além da Angi, conseguia achar. Bati a pata traseira direita no tapete em reflexo, igual a um tambor.
-É, você é um garoto muito bonzinho, não é?
-Bonzinho uma ova! Não esquece que eu vou te morder!
Mas aí ele começou a me fazer cafuné e era tão bom....
Não! Eu não podia me render tão facilmente.
-Eu sou novo aqui, talvez pudesse me mostrar o lugar. Você parece conhecer bem o palácio, não é colega?
Colega. Ele parecia ser um humano gente boa. E eu também já fui novo na casa...
-Tá bom. Eu vou te dar uma chance, mas só porque você faz um carinho muito bom.
-Isso ai, amigo. -Ele parou.
-Ei! Aonde você vai? -Lati. -Não acabamos ainda.
-Foi bom te conhecer, mas tenho que ir. Se cuide, eu te encontro por aí.
E foi embora.
O observei tomar rumo e logo pensei:
Tinha que contar para Clementine.
.......
-Como você descobriu isso, Moscada? -Clementine me seguia pelos corredores.
-Perguntei para Patas, Patas perguntou para Redas, Redas mandou Patas descobrir por ele mesmo e foi o que ele fez. Correu pela casa até sentir o cheiro dele.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Um estranho no palácio
RomanceUma princesa, Um país em guerra & Um convidado inesperado. Jovem, bela e sagaz, com um mundo na palma da mão, Angélica jamais teve do que reclamar. Até que chegou a hora de escolher quem se sentaria a seu lado no trono e a acompanharia no altar. Mas...
