Chovia. E muito.
Fazia tempo que não via um céu tão cinzento quanto aquele.
Isto me deixava melancólica.
Fran dizia que meu humor era diretamente relacionado ao clima. Se tinha Sol, havia mais chances de me encontrar de bom humor, e se chovia, bom... Eu ficava assim.
Desanimada e sensível, aninhada às minhas cobertas, lendo um bom livro e tomando uma grande xícara de café.
Já deveriam ser três da tarde quando decidi dar uma volta. Por onde? Não fazia ideia.
Precisava esticar as pernas e decidi ir para onde elas decidissem me levar. Andando sem rumo pelo palácio, observando as paredes e os quadros, vitrais e esculturas que me eram tão familiares.
E enquanto descia as escadas principais vi alguém passar pelo salão. Alerta para caso fosse Aaron, parei. Observando de cima, tentando distinguir de quem se tratava. E quando descobri pensei ter visto errado.
Olhei de novo.
E senti um dejavu enorme.
Devia estar alucinando, quem sabe o que a baixa taxa de glicose no meu sangue podia fazer? Afinal, eu não comia nada desde o almoço, talvez a falta de alimento estivesse me fazendo ver coisas.
Esfreguei os olhos algumas vezes, mas de nada adiantou. O vulto indo na direção da cozinha.
O dejavu novamente.
Saí de meu estupor.
Resolvi pegar um atalho e intercepta-lo no caminho.
Acabei atrás de uma tapeçaria que escondia as estreitas escadas de pedra, que meu tataravô construira junto de uma miríade de túneis e passagens espalhadas pelo palácio. Feitas para se precisássemos de uma rota de fuga em um possível ataque.
Esperei por meu alvo.
Ao ouvir passos no mármore me preparei espiando por um furinho no tecido, provavelmente feito por traças. Quando ele passou dei o bote, o puxando pelo braço trazendo-o para trás da tapeçaria.
-Quando você chegou? -Perguntei antes de qualquer coisa.
-Bom te ver também. -Ele respondeu.
Jonathan olhava as escadas e o túnel atrás de si, um tanto quanto curioso.
-Achei que só fosse chegar amanhã.
-Vocês tem passagens secretas. -Afirmou.
-Você foi expulso? Por acaso ofendeu a rainha?
-Vocês tem passagens secretas. -Repetiu, agora usando a lanterna do celular para estudar melhor o túnel. -Porque nunca me disse que tinham passagens secretas?
-Jonathan!
Ele se virou no mesmo instante, parecia uma criança que acabara de encontrar o baú do tesouro.
-Foca aqui! -Pedi, ele guardou o celular e pôs as mãos nos bolsos, ficando de frente para mim, ainda assim espiando pelo canto dos olhos.
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Um estranho no palácio
RomanceUma princesa, Um país em guerra & Um convidado inesperado. Jovem, bela e sagaz, com um mundo na palma da mão, Angélica jamais teve do que reclamar. Até que chegou a hora de escolher quem se sentaria a seu lado no trono e a acompanharia no altar. Mas...
