Promessas

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  Quando o soltei não sabia se aquilo era real.

  Eu havia beijado Jonathan Harper?

Acho que sim. Era bom que eu não estivesse sonhando ou isto seria bem decepcionante, devo admitir.

   Ficamos em silêncio.

Eu só... Eu não sabia o que dizer ou fazer ou... Eu deveria beijá-lo de novo? Ou seria ir rápido demais?

  Mas nós continuamos ali, um observando o outro, devorando um ao outro com os olhos.

Ele sempre fora tão alto assim ou era só impressão minha?

E aquele cheiro... Jonathan Harper tinha cheiro de grama molhada e sabonete. Sem falar que tinha gosto de chocolate.

E, por algum motivo que não soube explicar, aquele silêncio não me incomodou.

Foi bom. De uma forma nova e... Estranha.

Foi reconfortante, um ato tão íntimo...

  Dei um passo para trás.

Esse movimento, de alguma forma, o tirando de seu estupor.

  -Quando eu voltar...

Ele começou um tanto extasiado como se também não conseguisse acreditar, mas ao mesmo tempo tão feliz que não fosse capaz de processar o que acabara de acontecer.

E não podia culpa-lo. Estava tão surpresa quanto ele.

Como havíamos chegado a isto afinal?

Jonathan Harper e Angélica Hermê eram opostos. E isto nunca iria mudar.

Mas, ainda assim, estávamos aqui.

Compreendi, então, que o universo tem um senso de humor peculiar, e quem quer que tivesse tramado tudo aquilo deveria estar gargalhando a uma hora destas.

-Quando eu voltar vou cobrar aquela dança.

Me lembrei de que ele estava falando e voltei a prestar atenção.

-Vamos dançar até que aquele par novo fique surrado como o antigo. Vamos esperar até o amanhecer e conversar até que o dia se torne noite novamente.

Ele diminuiu aquele espaço entre nós. Não de forma invasiva, mas delicada, me dando a chance de poder recuar, sem problemas, se assim quisesse.

Mas não o fiz. Ocupada demais me preocupando em respirar. Inspira, expira, um movimento tão natural que se tornara tão difícil em tão pouco tempo. Era quase impossível concentrar em outra coisa se não seus olhos tão intensos.

Eu imaginava como isto poderia ser possível. Jonathan, um homem tão tranquilo, prático e simples, tão transparente. Como um homem daqueles poderia ter olhos como aqueles?

Olhos que parecem zombar de você, sabendo de segredos que eu mal poderia imaginar. Guardados atrás daqueles portões esmeralda, trancados a sete chaves, escondidos de todos.

De repente me vi subitamente curiosa, tentada a investir e escancarar aquelas portas, descobrir o que Jonathan protegia por trás daqueles muros. Quem ele era quando ninguém estava olhando? Como sua mente funcionava, seus sonhos, seus medos, seu passado...

E quis ser a primeira a desbravar os mares daquele mundo, seu mundo. E, quem sabe, um dia ser parte dele.

  Me vi tão ansiosa por sua volta, sendo que ele ainda nem havia partido.

Arrebatada com aquela certeza de que, para o bem ou para o mal, eu conheceria melhor aquele estranho que invadira meu palácio sem avisar.

  Ele suavemente segurou minha mão, seus dedos se entrelaçando aos meus. Seus calos roçando minha pele sensível, se encaixando como o Norte e o Sul em uma bússola. Contrários que  se completam e não existem sem o outro.

Um estranho no palácioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora