Tempestade

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  -Desculpe a demora. -Entrei ajeitando o vestido e recuperando o fôlego.

Meu corpo não fora feito para provas atléticas.

  -Tudo bem. Afinal, o que é meia hora na agenda de um rei.

  Pude sentir a aspereza de sua voz na boca do meu estômago.

  -Sinto muito, houve um imprevisto e eu perdi a hora.

  -Percebi.

  O primeiro ministro tirava uma poeira invisível de seu terno impecável.

  Revirei os olhos, seria um longo dia.

  -Sei que não devo duvidar das razões de minha prestigiada princesa, mas não posso ignorar o fato de que achai bem... Peculiar sua escolha de mandar o jovem parlamentar para se reunir com Lina.

  Me sentei cruzando as pernas. Um ar fresco entrando pela janela e batendo em minhas costas um tanto expostas pelo vestido de alças.

-Bom, ele, sem dúvidas, é qualificado. Tem todos os requisitos que poderia querer em um emissário coroa. Tem saúde, escolaridade, ética, é articulado, trabalhador e ponderado. Não se deixa levar pelas emoções quando o assunto é trabalho e...

-"Quando o assunto é trabalho"? -Ele ergueu uma sobrancelha, obviamente interessado.

-Sim, bem, o senhor Harper é uma pessoa que preza muito pelo bem estar de sua família.

-Ah, a família. Ouvi dizer que a mãe dele era Inarniana. -Ele se recostou ainda mais na poltrona.

-Está correto, mas posso garantir que isto só virá a ser uma vantagem. Afinal, ninguém aqui tem motivos para questionar sua lealdade.

-É mesmo?

Para falar a verdade a condescendência do primeiro ministro já estava começando a me tirar do sério.

  -O que você está insinuando? Que Jonathan Harper é um agente duplo que deseja a nossa ruína? -Disse com um tom de ironia em minha voz.

  -Talvez.

  Soou inocente, observando com muito interesse a arquitetura do cômodo, claramente evitando pousar os olhos em mim.

Ele só poderia estar brincando.

Jonathan não conseguia mentir, era fisicamente incapaz! Teria percebido algum traço em seu semblante ou alguma pista em sua voz que indicasse que ele era um agente secreto.

-Desculpe-me George, mas isto não é uma possibilidade.

Me senti ofendida por Jonathan, isto era simplesmente ridículo.

-Está tomando uma atitude muito precipitada ao colocá-lo em um pedestal, alteza.

Ele finalmente me encarou, cauteloso, como se estivesse conversando com uma criança ingênua.

E eu poderia até ser ingênua, mas já não era uma criança.

Ajeitei minha postura juntando as mãos sobre o joelho.

-E que provas o senhor tem de que Jonathan Harper é uma ameaça para esta nação? Pois, não sei se vossa excelência percebeu, mas ele pode ser nossa única chance de poupar nosso país de uma guerra.

George adotou uma expressão resignada, nem ele poderia contradizer fatos.

-Ele já está nos fazendo um grande favor ao aceitar arriscar sua segurança por questões que não lhe pertencem.

Um estranho no palácioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora