Um dia chamaremos de amor

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  Faltava pouco menos de duas horas para Jonathan ir para o aeroporto, entrar naquele jato e voar até Inar para discutir com a rainha quando bati em sua porta.

Ele não falou nada, mas pude ouvir sua voz. O que queria dizer que estava acordado e, a essa hora, provavelmente vestido. Então eu entrei.

-Jonathan?

Olhei em volta, ele estava na varanda, acenou com a cabeça, mas parecia ocupado, conversando por holograma com quem supus ser sua irmã.

Cabelos marrons, voz estridente e autoritária de uma garota no fim da tão adorada e desesperadora adolescência. Sim, com certeza, era ela.

-Quem está aí? -Ela quis saber ao me ouvir fechar a porta.

-Ninguém. -Ele se apressou em dizer. Provavelmente sem querer ter que arcar com o interrogatório que viria se ele respondesse: "ah, é só a princesa herdeira, nada de mais, ela já esteve aqui antes".

-Tudo bem, se não quer me dizer, não diga. Vou apenas imaginar que você está tendo um caso com a camareira.

-Você sabe que não sou assim.

-Eu não sei, você mudou tanto desde que foi embora. A única coisa que me confirma que você ainda é você é o estado do seu quarto. Achei que aí tivessem faxineiras para darem um jeito na sua bagunça !

-Eu não deixo que elas façam nada além de limpar, se organizarem meus documentos não os encontrarei nunca mais.

-Sei. -Ela bufou, mas logo se rendeu ao olhar provocador dele. -Pegou um terno reserva?

-Peguei.

-Escova de dentes?

-Sim.

-Óculos?

-Já.

-Meias?

-Yep.

Ela baixou o tom de voz como que sentindo minha presença no recinto.

-Cuecas?

Jonathan olhou para mim desconfortável e eu me segurei para não rir e ser descoberta. Não sabia que alguém era capaz de fazê-lo corar.

  Deixei a bolça que carregava de lado.

-Já pequei tudo, não precisa se preocupar.

  -Preciso sim! Você sempre cuida de todos nós, mas quem cuida de você?! Falando nisso você tem tomado Sol, Joni? Parece pálido.

  -Eu estou bem, Lu. Fique tranquila.

  -"Tranquila". -Debochou. -Meu irmão está indo para a casa daqueles que bombardearam nosso lar e ainda quer que eu fique tranquila. Se você morrer lá Jonathan, papai vai ter um troço e Dilan vai roubar o seu quarto! Me ouviu?! E eu? Eu vou ter que me tornar a chefe da família! E eu não quero essa responsabilidade, já tenho problemas o suficiente com que lidar!

  -Eu não vou morrer, Dilan não vai encostar no meu quarto, papai está ótimo, assim como eu. Sabe que ele vai viver mais do que todos nós. -Ela não pareceu ter como discordar.

  -É bom mesmo. Deus me livre de fazer um enterro a esta altura do campeonato! Sabe quanto está custando uma lápide hoje em dia, Joni? Uma fortuna! Então se você morrer, saiba que suas inscrições serão feitas em palitinhos de picolé!

Tudo bem, eu não aguentaria me segurar muito mais.

-Tá bom. Tá bom. Te amo, tampinha.

Ela se acalmou como se Jonathan tivesse jogado um balde de água fria no dragão.

Um estranho no palácioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora