Reforços

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Fazia três dias.

Três dias desde que ele havia chegado, e quando eu achava que as coisas não podia piorar, elas pioravam.

Estava no fundo do escritório de meu pai. Perto dos livros e a escultura de ônix do rosto de um homem que eu não fazia a mínima ideia de quem era. Talvez um parente distante ou um filósofo importante, não fazia diferença.

A única coisa que eu sabia era que eu preferiria me casar com ele do que com Aaron. A escultura pelo menos era mais agradável de observar do que meu noivo. O qual, junto de mais seis parlamentares e oito advogados, discutia com meu pai e o primeiro ministro sobre as cláusulas do futuro acordo pré-nupcial.

Que jeito de se passar a manhã, pensei.

O mais interessante era analisar meu pai.

Quando ele massageava a testa, era porque estava, seriamente, pensando em arrumar uma desculpa e sair dali o mais rápido possível.

Se coçava atrás da orelha significava que o assunto tinha se tornado desconfortável e ele queria ficar quieto quando, na verdade, era obrigado a falar.

Franzia as sobrancelhas? Podia saber, ele estava se perguntando quem fora o
gênio que inventara esse plano, e por que ele tinha que passar horas organizando o acordo pré-nupcial da filha quando ela, na realidade, não pretende se casar coisa nenhuma.

O mais alarmante era quando olhava de soslaio para Aaron que, na maior parte do tempo, deixava seus representantes falarem por ele, sabendo, tão bem quanto meu pai, que não chegaríamos a pisar no altar. Uma guerra já teria acontecido ou, um de nós já teria sido morto ou exilado até lá.

E era por isso que meu pai o encarava,  decidindo se era uma boa ideia jogar um vaso sua cabeça ou não. E se sim, qual?

Suspirei.

Aquilo iria demorar.

Então alguém bateu na porta e uma criada entrou com uma bandeja de prata. Ela vindo até mim abrindo-a, revelando um bilhete perfeitamente dobrado.

"Terraço, agora."

Franzi as sobrancelhas.

Olhei para papai.

Peguei uma caneta na mesinha ali perto e rasguei a pontinha de um documento que não parecia muito importante.

"Emergência não tão urgente, posso ir?"

Dobrei e pedi para que a empregada entregasse para o rei.

Esperei encostada na pilastra do mezanino enquanto ela ia até sua mesa.

Meu pai leu o bilhete e me olhou por cima dos óculos durante alguns segundos. Depois pegando uma de suas inúmeras e elegantes canetas e arrancou uma pequena folha de seu bloco de lembretes. Dobrou e disse alguma coisa a criada. Ela vindo até mim novamente.

Aaron seguindo-a com os olhos, entediado enquanto seus advogados discutiam enfurecidamente com os de meu pai.

Peguei o bilhete e o abri.

"Vá. Ao menos um de nós pode ser livre."

Sorri olhando em sua direção.

"Vai ficar bem?" -Perguntei sem emitir nenhum som.

Ele fez que sim.

"Tem certeza?"

-Pelo amor de Deus! Vá logo! -Aaron mandou, já sem paciência.

Um estranho no palácioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora