Tears of a broken man

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Mais uma vez, Adrien chegava em casa com Emma. Apenas os dois naquele apartamento escuro. Se não fosse os barulhos que a menina fazia, aquele lugar seria um mar de solidão e silencio.

Realizou o ritual de sempre: deu-lhe um bom banho, comida, passou um tempo brincando com ela até que adormecesse. Agora, era só comer e dormir também. Seria simples assim, se sua cabeça o permitisse. Longe disso.

Aquele apartamento nunca lhe pareceu tão grande, tão escuro, tão frio. Mas não era o ambiente, era ele mesmo que se encontrava dessa maneira.

Jogou-se ao sofá com uma long neck em uma das mãos. Olhou para o controle da TV, pensando que deveria ligá-la, tentar se distrair, mas do que iria adiantar? Se sua atenção estava ali.

Só conseguia pensar em uma coisa, uma pessoa, uma mulher.

Nela. Marinette. Nela por inteira.

No seu sorriso, na sua voz... no seu corpo, no seu jeito de se mover, de caminhar... no toque dos seus lábios que ainda queimavam sua pele pela lembrança.

E aquela maldita tatuagem que lhe despertou, ou melhor, só aflorou ainda mais o que já existia em si mesmo.

Desde o momento que ela cruzou seu caminho. Com seus olhos encantadores, marcando sua memória, na qual achou que seria passageira, pois julgou que nunca mais a veria de novo.

Ledo engano. Pois a mulher dona dos olhos mais lindos que já tinha visto na sua vida, reapareceu do nada. Trazendo com ela uma luz única que o atraiu desde primeira vez. Reforçando no reencontro o que ele já sabia, mas ela não. Que a cada gesto seu, cada sorriso que lhe dava, cada vez mais essa luz se tornava mais forte, mais quente, mais perigosa.

Então – de repente – ele começou a querer caminhar na sua direção, enfeitiçado pelo desejo de tocá-la. Do querer em estar com ela, de fazer parte nem que fosse um pouco do seu dia.

Mas o medo vinha sempre no final das contas. Assim que colocava os pés naquele apartamento. Olhando ao redor, reencontrando com a sua própria miséria e condição.

Tinha jurado que nunca mais iria se apaixonar, e passou todos aqueles dias todos conseguindo resistir, ainda que em algumas noites, quando a carência batia forte na sua pele, e ela gritasse exigindo um corpo feminino para aquecê-lo. Seu coração lhe dizia: Não. Não dá, não tem espaço, você não pode, você não DEVE amar mais ninguém. Não deve ter outra ao seu lado, porque ninguém quer estar aqui. Ninguém vai te querer. Você é apenas um homem abandonado.

E aí... quando havia conquistado um certo equilíbrio com relação à suas angústias, ela aparece.

Qual era o motivo? Qual era o intuito daquilo tudo? Fazê-lo sofrer? Já não era o bastante? Não era o suficiente, passar por esse tormento todos os dias da sua vida, agora... com ela em seus pensamentos! No meio da confusão que se encontrava a sua alma. Emaranhada, presa, querendo ficar. Mesmo que ele quisesse que ela fosse embora.

Aquela que julgou que fosse apenas um chama pequena. Que não iria fazer um incêndio.

Aaaah... de novo, puro engano! Ele pegou fogo. Ele queimou diante da visão do seu corpo exposto, da sua tatuagem, daquele beijo, daquela pele, daquele calor, do cheiro, da voz, dos olhos!!

- Porra!!! - ralhou, depois de beber toda o restante da cerveja que havia na garrafa. Ao recostar as costas no sofá, jogou a cabeça para trás, fechando pesadamente os olhos.

Se fosse em outro momento, se estivesse sozinho, sem ninguém além dele mesmo, já teria ficado com Marinette. Já teria a chamado para jantar, para saírem juntos e quem sabe, já teria até feito amor com ela. Se ela quisesse, era obvio que isso iria acontecer. Mas não.

Ele NÃO estava sozinho, não era outro momento, era sua realidade. Tinha uma filha para cuidar que lhe exigia todo o seu tempo, seu dinheiro, sua preocupação.

Marinette não teria espaço naquela casa, na sua cama, eles não teriam tempo, ou muito menos, condição em aproveitar de um namoro. Ele já poderia prever.

Tudo bem, se ela até quisesse – coisa que não tinha certeza, mas via pelos seu sinais algo positivo. – Tudo bem... eles poderiam se acertar e tentar uma chance.

Conforme os dias fossem passando, conforme ela fosse vendo que ele não passava de um cara amargurado, inseguro que só sabia trabalhar e que não tinha SE QUER um dinheiro para saírem juntos, as coisas poderiam se esfriar.

Mas ainda sim, mesmo – assim, se ela lhe dissesse: eu quero ficar com você. Como seria a vida dos dois?

Com Emma ali, chorando quase todas as madrugadas, tendo suas próprias necessidades das quais eram obrigação exclusivamente dele.

Marinette iria perceber no final que aquele relacionamento era um erro. Que ela era jovem demais para gastar tempo ao seu lado. E iria embora. Iria deixá-lo. Não somente Marinette, mas como toda a mulher que entrasse na sua vida.

Então... o melhor era nem começar, nem dar essa chance! Chega! Já havia experimentado muito bem o dissabor do abandono, do não querer, amando uma mulher só soube humilhá-lo. Jamais voltaria a se arriscar. E isso era algo que estava mais do que marcado no seu coração.

Marinette seria passageira... o desejo por ela, igualmente. Aos poucos ela ia se dar conta disso também, e iria viver sua vida. Eles não iriam se encontrar mais... com cada um seguindo o seu caminho. Separados. Ninguém sairia ferido.

Era melhor assim...

Mas então...

Por que aquela lágrima escorria dos seus olhos?




EU ESTOU CHORANDO!
mas isso aqui é pra vocês entenderem como o meu Adrien ta magoadinho ta legal?
Vamos queimar a Lila na fogueira, mas isso, eu vou deixar a cargo de dona Marinette.

Looking into your eyesOnde histórias criam vida. Descubra agora