Tijuana

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 TIJUANA

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 TIJUANA

Alguns anos depois...

O sol estava se pondo. O céu estava magnífico. Aquele clima me trazia uma nostalgia tão grande. Era como se Deus quisesse me lembrar toda vez que de alguma forma eu não esquecesse meu passado.

Minha bicicleta estava caída na areia, eu estava sentado observando o mar e as ondas batendo fazendo barulhos tão agradáveis e relaxantes. A minha direita estava a grande cerca que separava os Estados Unidos do México. Do outo lado a bela San Diego, CA, cidade vizinha e irmã de Tijuana que era uma cópia latina dela com suas belas avenidas e enormes palmeiras que balançavam com o vento.

Eu gostava de Tijuana, para ser sincero, me lembrava bastante os EUA e aquilo de certa forma me confortava, mas trazia uma sensação de angústia ao mesmo tempo pelo que eu tinha abandonado. Me sentia arrasado.

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Chegando em casa depois de um bom tempo pedalando, fui tomar banho porque o dia tinha sido puxado. O barulho da vizinhança me fazia sempre feliz. Amava o barulho das crianças nas ruas e seus pais gritando para que entrassem para casa. Eu sentia tanta falta disso. Do meu povo e nossa língua incrível.

Mamãe todos finais de semana vinha aqui para o centro de Tijuana e trazia minha prima Dulce para passear nas lojas e tomar um banho de mar que eu sempre evitava por ser às vezes impropria ao banho e ver os grandes pilares de ferro que formavam a cerca separando a gente deles. Aquilo era um ponto turístico triste e muitas vezes os noticiários locais davam a notícia de pessoas mortas tentando atravessar para o outro lado.

Nesses seis anos no México eu me formei. Fiz uma transferência da faculdade de Baltimore e conseguir me formar. Hoje me tornei um psicólogo com especificações em pessoas que sofreram algum trauma físico ou emocional. A maioria dos meus pacientes eram pessoas traumatizadas pela imigração e mortes ocorridas por isso, era barra, mas necessário para eu escutar e conversar sobre aquilo ajudando aquelas pessoas traumatizadas.

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Desde quando cheguei aqui foi uma dificuldade atrás da outra até que tudo voltasse ao normal. O enterro do meu pai e do meu primo foi num dia chuvoso. Muitas pessoas compareceram para se despedirem. Mamãe ficou mal por três anos e era nítido sua depressão. Foi difícil porque meu pai era quem bancava tudo enquanto ela ficava em casa. Nossos familiares se ajudavam o quanto podia, mas lutávamos todo dia mesmo eu estudando.

Eu me vi fazendo algumas coisas que eu mais julgava os outros por fazerem para levar dinheiro para casa. Me sentia sujo e envergonhado por ceder e fazer aquelas coisas. É algo que hoje vejo o quão hipócrita eu era por julgar quem fazia aquilo e ter feito o mesmo.

Minha Virgenzinha... Eu rezava incansável para ter minha redenção quando chegasse minha hora e aquilo não fosse empecilho para que eu padecesse em paz no paraíso e encontrasse meus entes queridos.

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