Vinte e cinco; e nós?

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what about us?

. . .

Desde o dia que Adrien havia jogado todas as cartas na mesa e contado toda a sua história, já haviam se passado três semanas.

Atualmente, eu não estava mais em Paris. Meu coração doía todos os dias por ter deixado meus amigos, meus pais, e eu temia por Félix. Eu estava sem notícias, afinal, Adrien não queria me colocar em perigo mesmo sabendo que eu era bem treinada perante isso.

Ele não me mandava mensagens, não queria que por algum jeito descobrissem que ainda éramos próximos. Meu maldito coração doía a cada dia e sentia-se um tanto aliviado quando ele desenhava algo no braço. Em sua maioria, eram corações.

Mas eu não nasci para isso de ficar no escuro, esperando respostas e agindo como se nada estivesse acontecendo. Não, isso me irrita.

Era por isso que durante todo aquele tempo que eu estava em outra cidade, minha cabeça estava divagando. Eu imaginava diversos modos de apressar tudo, de acabar com isso logo.

Até que me veio uma ideia. A mais arriscada de todas.

E para isso eu preciso de Bunnix.

[...]

— Não era 'pra você estar fora de Paris?

Alix murmura com um sorriso travesso. Suspiro, me jogando no sofá de sua casa.

Era, mas eu não sou lá de seguir o que dizem.

— Somos duas. — Ela se senta no sofá em minha frente e sorri. — Com que posso te ajudar?

Acabo respirando fundo para tomar a coragem necessária.

— Preciso voltar no tempo.

O sorriso da Kubdell se desfaz momentaneamente.

— Marinette... você sabe que isso de viagem no tempo não é como nos filmes não é?

— Tenho uma leve impressão que não mesmo.

Minha frase nos faz rir, ela se levanta.

— Eu sei que é muito bom podermos desfazer algo que fizemos, um erro ou algo do tipo, mas não podemos. Isso é algo que devemos usar de lição. Imagine se todos voltassem no tempo cada vez que fizessem uma burrada? Seria inviável! — Ela murmura e acaba suspirando. — Sem falar que viagens temporais abrem passagens para a criação de novas realidades, podem fazer uma confusão e...

— Eu sei, mas... — Me levanto. Minha cabeça palpita por um minuto. — E... e se isso puder desfazer uma confusão, Alix? Mudar tudo...

— Eu te disse, algumas coisas ficam como lição. E... a probabilidade de se repetirem é enorme.

— Eu não me importo de correr esse risco.

— Eu me importo! É da realidade que estamos falando, e não temos a mínima ideia do que pode acontecer! Uma interferência mínima e tudo muda, Marinette! — Ela suspira. — Independente do dano, isso pode ser irreversível.

— Eu não... eu não vou fazer nada que eu possa me arrepender depois.

— Isso é algo sem volta, Marinette!

— A não ser que... eu use o Miraculous da Cobra...

— Marinette... você sabe....

Encaro-a.

— Eu sei.

— Não estou falando dos riscos ao mundo, mas os seus riscos.

Suspiro.

— Eu... sei que pode acontecer algumas coisas e...

— Não são algumas coisas! — Alix acaba respirando fundo, pensativa. — Isso vai abrir... novas realidades. O seu futuro pode mudar, a sua existência e...

— Eu aceito os riscos, mas eu preciso tirar Adrien dessa! Eu preciso tirar a minha angustia! — Acabo me jogando novamente no sofá. — Alix, os dias estão sendo infernais! Temo por meus pais, por meus amigos, temo por todos, menos por mim! Eu estou pouco me fodendo se minha existência vai acabar ou se eu vou sumir ou o que seja! Eu não ligo! Eu só quero que Adrien fique em paz, eu só quero que meus amigos possam tirar um tempo para viver sem toda essa luta diária, eu quero dormir ou sumir sabendo que meus pais não estarão em perigo porque um primo louco de Adrien pode sequestra-los e leva-los para algum lugar, me ameaçando pelos Miraculous!

— Marinette, você não pode surtar!

— Eu posso! Eu pensei estar fazendo o certo, eu pensei estar sempre fazendo o certo e agora virei um alvo de um doido, coloquei meus amigos nisso e..

— Seus amigos aceitaram estar nisso no momento que ganharam o Miraculous!

— E eu pensei que tiraria o peso deles quando Hawk sumiu!

— A vida é feita de dificuldades...

— Essa dificuldade era minha! Eu... eu deveria ter tomado mais cuidado e terminado isso e é o que eu quero fazer! Eu quero voltar no passado, eu quero pegar os Miraculous e deixá-los seguros! Eu quero... quero ter Adrien sem tudo isso! Eu quero cumprir o que foi me deixado como missão: salvar Paris, como Ladybug ou como Marinette Dupain-Cheng.

Alix sorri, sentando-se ao meu lado. Sua mão cai sobre meu ombro e vejo o quão feliz ela parece estar.

— Eu admiro você. Você tem uma alma incrível, você é incrível. Marinette, você merece um prêmio Nobel. — Ela deixa o rosto tombar para o lado, não impedindo um outro suspiro de sair por seus lábios. — Nunca haverá Ladybug melhor.

— Não sou Ladybug há tempos.

— Você não tem o Miraculous, mas uma Ladybug é mais que um Miraculous. É uma alma, uma aura. Você é a Ladybug e sempre será, independentemente de joias. Você é brilhante, capaz, e alguém incrivelmente boa. Fu não errou quando te escolheu.

— Fui um pouco covarde...

— Você fez o que queria, e nunca abandonou o posto. Você poderia ter inventado desculpas, cortado relações com Adrien, mudado, mas continuou assumindo o que começou. Você poderia ter desistido, mas está aqui. Está doando o seu futuro, independente do que acontecer. Você quer consertar tudo, e isso... é a coisa mais digna que já vi alguém fazer.

Um sorriso cresce em meu rosto. Quero chorar, estou emocionada. Meu coração bate com força e penso que posso desmaiar a qualquer momento. Fecho os olhos e respiro por um momento. É, realmente, uma loucura!

— Você vai me ajudar?

— Com certeza, se é isso que você quer, mas... preciso que esteja ciente de algo...

Encaro-a.

— O que?

— Adrien vai esquecer absolutamente tudo o que aconteceu. Ele não vai saber sobre você, e pode ser capaz que você também não se lembre.

Meu coração para por um instante e me sinto zonza. Então é isso?

Salvar o mundo e perder quem eu amo?

Sou tirada de meus pensamentos quando meu celular toca. Pego-o, e atendo ao ver que é uma chamada de Adrien.

— Adrien?

Marinette?

A voz é de Alya. Franzo o cenho.

— Alya? Aconteceu algo?

Ela respira fundo.

Adrien está ferido. Félix o atacou. As coisas não estão boas para ele.

Logo euHistórias para pegar e não largar. Descubra agora