Vinte e um; sem amarras.

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ah
mil tretas né mano

. . .

— Eu posso ficar com você, não vai ser problema algum, você sabe...

Mamãe murmura, compenetrada a me fazer ceder e deixá-la ficar. Sorrio, de modo a reconfortá-la.

— Vou ficar bem, mamãe. Prometo que te ligo se for preciso.

Ela faz um bico, como se estivesse irredutível, mas desiste logo. Se despede com uma lista de recomendações, de modo que mal sei como não perde todo o folego enquanto dita suas regras e normas. Quase me faz prometer uma foto a cada hora, e quando vai embora, tenho certeza que dirá algo para o porteiro, como me ligar a cada uma hora ou uma hora e meia.

Me encosto contra a porta ao fechá-la. Repasso o dia em minha mente. Havia sido bom. Adrien me mandara uma mensagem dizendo que eu poderia tirar o dia de folga pelos acontecimentos no dia anterior. Eu precisava de descanso, ele presumia, mesmo comigo dizendo que já estava apta. Minha relutância foi em vão, e acabei passando o dia com meus pais após a alta.

Um barulho no quarto me chama a atenção. Pisco, e corro em direção ao cômodo. Quando empurro a porta, vejo Chat e meu coração se acelera. Ando de encontro a ele, receosa.

Meu receio se esvai quando ele se aproxima, puxando meu corpo, beijando minha boca com clamante necessidade. Flutuo em minha pisque, desajeitadamente segurando seus fios loiros quando ele me puxa para seu colo. Logo estou contra a parede.

E ele me fita quando nossas bocas se separam.

— Adr...

— Não... — Ele leva seu indicador a minha boca. — Não, pelo menos uma vez... finge que você não sabe. Finge que eu não tenho uma vida por fora desse quarto. Finge que sou apenas Chat Noir, o seu soulmate. Sem amarras, sem passado, sem presente ou forma civil. Sou apenas um cara que está perdido de amores por você e que usa uma roupa nada convencional junto com uma máscara.

Acabo rindo, segurando o rosto dele. Tateio sua cútis, sorrindo um tanto boba. Oh... é exatamente o que quero.

— Certo... — Encaro-o de modo doce. — E o que quer de mim, Chat?

— Sinceramente... somente o que você puder me dar. Não me importo. — Ele solta todo o ar que segurava. — Quero fazer o que você quiser fazer. Pode ser sexo ou ficarmos apenas trocando beijos em algum canto da casa, cozinhar, assistir algum programa ridículo na televisão. O que você quiser. Eu só quero ser seu por uma noite, do modo que você me quiser.

Seus olhos brilham em uma chama de honestidade, encaro-o um tanto fascinada e acabo rindo.

— Te digo o mesmo... — Deixo a ponta do meu nariz roçar a dele. — Eu sou inteiramente tua.

Meus lábios roçam aos dele, Chat fecha os olhos antes de novamente me beijar, me fazendo sentir o quão sincronizados estamos naquele momento.

[...]

Eu já havia feito sexo, inúmeras vezes. Tinha perdido a tão famigerada virgindade quando completei dezoito. Sexo não me é novidade alguma.

Mas Chat me é.

Talvez seja uma forma extremamente romântica de dizer, talvez seja o momento, mas parece ser diferente. O modo que ele me beija é diferente, o modo que ele me toca é diferente. Tudo é diferente.

É apetitoso e delicado. É agridoce.

Chat...

O nome sai como um cicio gostoso por meus lábios entreabertos quando seus beijos cessam em minha barriga. Estou nua em sua frente, e não me importo com a nudez. Também, me sinto molhada 'pra caralho. Ele levanta o rosto, e me encara. Por instantes, me sinto como uma obra de arte sob seu olhar.

Logo euHistórias para pegar e não largar. Descubra agora