"O passado nunca está onde
você pensa que o deixou."
Katherine Anne Porter
Margot abriu os olhos vagarosamente, e ao sentir cheiro de desinfetante, éter e medicações, soube que estava na enfermaria da universidade. Seu corpo estava dolorido, e ao olhar para o seu lado esquerdo, avistou o detetive Adrian Ross, com a mesma expressão emburrada que havia visto em suas feições anteriormente.
— Você conhecia ela. — O homem afirmou, com uma expressão séria.
— Minha melhor amiga, Leonora Leach. — Margot assumiu, ainda tentando assimilar o que havia visto.
— Espero que saiba, por você estar próxima da cena do crime, e sendo próxima da vítima, isso te faz uma suspeita. — O detetive prosseguiu. — Como foi um crime passional...
— Não foi passional. — A garota resmungou.
— Como?
— Foi planejado. — A jovem não êxitou ao confirmar, causando a estranheza do detetive.
— E como a senhorita sabe disso? — Adrian fixou os olhos em seu rosto, observando minuciosamente suas expressões.
— Leonora foi asfixiada por um saco plástico, ninguém que comete um crime no calor do momento leva um saco plástico para a cena. — Margot especulou, olhando para o teto.
— Como você sabe que ela foi asfixiada por um plástico? — O detetive questionou, olhando desconfiado.
— A marca no pescoço. — Engoliu um seco, lembrando do machucado que estava próximo à garganta da amiga.
— Por que seria asfixia por saco plástico e não estrangulamento?
— Oras, aquelas marcas não eram de mãos. — A garota abaixou a cabeça, buscando em suas memórias recordações. A verdade é que ela já havia visto aquele tipo de crime mais do que uma única vez, então estava familiarizada com aquela singularidade.
— Senhorita Margot, ela foi encontrada com um saco plástico na cabeça, mas quando você a viu, esse plástico havia sido retirado. Espero que saiba que essas informações reforçam ainda mais as suspeitas em você.
— Se o senhor é um bom detetive, sabe que é impossível uma garota do meu tamanho ter feito isso. — Margot disse, olhando para o homem em sua frente com pesar.
— Tudo bem, mas isso não significa que não possa ter sido duas pessoas. Você poderia ter tido a ajuda de um homem grande e cheio de músculos. Não acha?! — Adrian insinuou, o que fez Margot olhar para ele confusa. — Ah, e sobre o rastreamento do IP do número desconhecido, veio de um telefone público, dentro do estádio.
— Obrigada.
— A propósito, seu namorado está lá fora. — O detetive disse, ao levantar uma sobrancelha.
— Namorado? — Margot questionou, curiosa.
— Nicolas Owen. — Adrian zombou. — O homem grande e cheio de músculos que pode ter te ajudado.
— Ele não é meu namorado. Nem dele eu gosto. — Margot bufou, sentindo-se insultada.
— Acho bom gostar, porque ele é seu único álibi. — Deu os ombros, antes de direcionar-se a saída da enfermaria.
O seu olhar pairou sob o recinto com paredes brancas e materiais hospitalares. A sua mente transitou em pensamentos dolorosos. A sua cabeça ainda não havia assimilado o que acontecera com Leonora. Ao mesmo tempo em que lidava com a dor da perda, lidava com a desconfiança do detetive. Mesmo que não tivesse sido a melhor opção especular sobre suas hipóteses a respeito do crime, tudo havia sido na intenção de ajudar.
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A Morte Te Segue
Misterio / SuspensoNa Universidade do Colorado em Boulder, após o caos ser orquestrado, há paz. Após uma semana intensa de provas, há férias. Após um semestre de recuperação, há festas de fim de ano. Porém, ninguém esperava que os tão esperados jogos universitários se...
