Capítulo 4

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"O passado nunca está onde
você pensa que o deixou."
Katherine Anne Porter

Margot abriu os olhos vagarosamente, e ao sentir cheiro de desinfetante, éter e medicações, soube que estava na enfermaria da universidade. Seu corpo estava dolorido, e ao olhar para o seu lado esquerdo, avistou o detetive Adrian Ross, com a mesma expressão emburrada que havia visto em suas feições anteriormente.

— Você conhecia ela. — O homem afirmou, com uma expressão séria.

— Minha melhor amiga, Leonora Leach. — Margot assumiu, ainda tentando assimilar o que havia visto.

— Espero que saiba, por você estar próxima da cena do crime, e sendo próxima da vítima, isso te faz uma suspeita. — O detetive prosseguiu. — Como foi um crime passional...

— Não foi passional. — A garota resmungou.

— Como?

— Foi planejado. — A jovem não êxitou ao confirmar, causando a estranheza do detetive.

— E como a senhorita sabe disso? — Adrian fixou os olhos em seu rosto, observando minuciosamente suas expressões.

— Leonora foi asfixiada por um saco plástico, ninguém que comete um crime no calor do momento leva um saco plástico para a cena. — Margot especulou, olhando para o teto.

— Como você sabe que ela foi asfixiada por um plástico? — O detetive questionou, olhando desconfiado.

— A marca no pescoço. — Engoliu um seco, lembrando do machucado que estava próximo à garganta da amiga.

— Por que seria asfixia por saco plástico e não estrangulamento?

— Oras, aquelas marcas não eram de mãos. — A garota abaixou a cabeça, buscando em suas memórias recordações. A verdade é que ela já havia visto aquele tipo de crime mais do que uma única vez, então estava familiarizada com aquela singularidade.

— Senhorita Margot, ela foi encontrada com um saco plástico na cabeça, mas quando você a viu, esse plástico havia sido retirado. Espero que saiba que essas informações reforçam ainda mais as suspeitas em você.

— Se o senhor é um bom detetive, sabe que é impossível uma garota do meu tamanho ter feito isso. — Margot disse, olhando para o homem em sua frente com pesar.

— Tudo bem, mas isso não significa que não possa ter sido duas pessoas. Você poderia ter tido a ajuda de um homem grande e cheio de músculos. Não acha?! — Adrian insinuou, o que fez Margot olhar para ele confusa. — Ah, e sobre o rastreamento do IP do número desconhecido, veio de um telefone público, dentro do estádio.

— Obrigada.

— A propósito, seu namorado está lá fora. — O detetive disse, ao levantar uma sobrancelha.

— Namorado? — Margot questionou, curiosa.

— Nicolas Owen. — Adrian zombou. — O homem grande e cheio de músculos que pode ter te ajudado.

— Ele não é meu namorado. Nem dele eu gosto. — Margot bufou, sentindo-se insultada.

— Acho bom gostar, porque ele é seu único álibi. — Deu os ombros, antes de direcionar-se a saída da enfermaria.

O seu olhar pairou sob o recinto com paredes brancas e materiais hospitalares. A sua mente transitou em pensamentos dolorosos. A sua cabeça ainda não havia assimilado o que acontecera com Leonora. Ao mesmo tempo em que lidava com a dor da perda, lidava com a desconfiança do detetive. Mesmo que não tivesse sido a melhor opção especular sobre suas hipóteses a respeito do crime, tudo havia sido na intenção de ajudar.

A Morte Te SegueOnde histórias criam vida. Descubra agora