Capítulo 33

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"Nós serial killers, somos seus filhos, seus maridos, estamos em toda parte. E haverá mais de suas crianças mortas no dia de amanhã. Vocês sentirão o último suspiro deixando seus corpos. Vocês estarão olhando dentro de seus olhos."
Ted Bundy.

— Sou eu, Marion. — Especulou, com um sorriso debochado nos lábios. — A sua sombra. A pessoa que nunca te abandonou esse tempo todo. Sou a pessoa que passa despercebida, mais um rosto na multidão. Sou o homem solidário que te entrega um algodão doce em um momento difícil. Sou um mordomo atrapalhado em seu primeiro dia de trabalho. Sou muitas coisas ao mesmo tempo...

Marion sentia náuseas só de pensar todos os momentos em que aquele senhor enrugado, com barba cheia e bigode destacado — ressaltando alguns fios brancos — estaria acompanhando tudo o que ela fazia e por todos lugares em que passava. Ela lembrava muito bem dele em sua própria casa, com a caixa que continha um bilhete e um pen-drive, cujo o próprio era responsável por aquilo. Ele parecia tão amigável naquele momento, e sua cabeça estava tão confusa com tantas coisas acontecendo, que ela nem atentou-se para o fato que havia visto o homem duas outras vezes.

Na primeira noite em que saiu com Nicolas, em que ficaram conversando sobre diversos assuntos naquela colina deslumbrante, no momento em que foram seguir o trajeto de volta para a república, esse mesmo senhor estava com um cigarro aceso em sua boca, e assim que ela vislumbrou a sua imagem, lembrou-se de seu pai. Ao sorrir em sua direção, o mesmo homem a olhou com indiferença e um certo desprezo.

Ele também era o mesmo homem que com simpatia e generosidade havia lhe oferecido um algodão doce naquela noite em que estava angustiada por ter visto Alexander depois de muito tempo. O velho havia mencionado fatos muito importantes para ela, até mesmo sobre sua vida particular, e inclusive, fornecido conselhos que a jovem comprometeu-se em seguir:

— Não importa o tamanho do seu luto, o que importa é o que você faz com ele.

O homem era mais um rosto comum e imperceptível na multidão. Era a pessoa que você olhava, mas não notava. O diálogo que você tinha, mas que logo era arquivado no canto mais escondido do seu cérebro. Porém, ao contrário da sua presença quase transparente para muitos, a presença de todos era muito importante para ele. Todos eram uma peça de um jogo de tabuleiro mortal, e Marion era a rainha. Madison, Molly, Ariana, Amelie, Leonora, Olga, Alexander e Roberta não passavam de meros peões. A garota achou que seus planos não seriam matá-la quando decidiu vê-lo na floresta, mas ao deparar-se com aquele olhar demoníaco, e aquelas expressões faciais raivosas, soube que eram. Afinal, qual é a graça de um bom jogo de tabuleiro se não matar a rainha por último?

— Estou te mostrando na prática o que faço com meu luto. — Ele proferiu, com rancor. — Faço guerra, minha jovem. Guerra sangrenta.

— Marte... — Ao escutar o nome, o homem emitiu um risada abafada.

— Então você descobriu o significado do símbolo. — Pronunciou, balançando a cabeça afirmativamente, demonstrando sua surpresa. — Estou impressionado.

Marion, ao mesmo tempo que desejava correr, não encontrava forças para fazer aquilo. As suas pernas tremiam em resposta. O seu corpo ainda permanecia no chão após a queda.

— Mas pode me chamar de Charles. — Respondeu com sarcasmo. — Charles Hull.

— Hull? — Ela questionou, assustada.

— Sim, a minha filha é Inez Hull. — Assentiu. — E é por ela que eu faço justiça.

— Isso é justiça? — Marion aumentou o tom de voz. — Você matou pessoas inocentes.

A Morte Te SegueOnde histórias criam vida. Descubra agora