22. Jake

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Antes das nove da manhã, eu já estava de pé. Geralmente, costumo acordar bem mais tarde em um domingo, mas não me sinto confortável fazendo isso aqui, na casa dos Henderson's. Eles já foram gentis o suficiente me deixando ficar, e eu não quero ser um folgado, muito menos um peso morto. E é por isso que resolvi fazer o café da manhã, como uma forma de agradecimento. Ok, é óbvio que não dá para agradecer comida e moradia totalmente de graça com um café da manhã - que todos os ingredientes são deles -, mas é tudo que eu posso fazer no momento. E como dizem por aí, o que vale é a intenção.

Enquanto espero a torradeira apitar, frito alguns ovos e um pouco de bacon, para Grace. Sei que ela gosta porque no dia que fizemos o trabalho de literatura na lanchonete e eu descobri sua estranha mania de comer batatas mergulhadas em milk shake, ela também pediu um X-bacon. Não que eu estivesse interessado em saber, apenas sou um cara observador.

— Ei, garoto. Não sabia que já estava acordado. - Richard aparece subitamente, e eu levo um pequeno susto.

Ele ainda está usando seu pijama, uma camisa branca de lã e uma calça quadriculada azul, mas seus cabelos estão molhados, o que significa que ele acabou de sair do banho.

— Você sabe, eu não preciso muito do sono da beleza. - Dou um sorriso de lado, e jogo os ovos e o bacon já prontos em um prato branco de porcelana, em cima da mesa.

— E nem do sono de humildade também, pelo visto. - Ele dá uma pequena risada, e logo apoia-se na parede de adesivo xadrez, com os braços cruzados. — Eu estava pensando em ir fazer uma cópia da chave da casa amanhã. Assim você não fica à minha mercê ou de Grace.

Quase deixo a jarra de suco que acabei de pegar cair das minhas mãos. O encaro perplexo, esperando encontrar algum indício de brincadeira em seu rosto. Mas, é claro que isso não acontece. Pelo pouco que conheço Richard, sei que ele não faria brincadeiras desse tipo.

— Você quer me dar uma cópia da chave da sua casa? - Ergo às sobrancelhas quase até a raiz dos cabelos, ainda incrédulo.

— Você está morando aqui, não está? Então, não vejo porque não. - Ele dá de ombros, completamente convicto de sua decisão.

Pisco algumas vezes e tenho que me controlar para não abrir a boca. Sinceramente, não sei se fico feliz ou assustado com toda essa confiança que Richard tem em mim. Acho que talvez eu nem mereça. É melhor recusar. Não quero correr o risco de decepcioná-lo de alguma forma, muito menos Grace.

— Sim, mas...

— Sem "mas", já está decidido. - Responde, sem ao menos me deixar falar.

No segundo seguinte, a campanhia toca e a torradeira apita. Enquanto Richard vai até a porta atender quem quer que seja, eu retiro as torradas da máquina e as despejo em um prato ao lado dos ovos e bacon. Menos de um minuto se passa quando ouço passos contidos, mas precisos se aproximarem. Ergo os olhos para saber de quem se trata e arregalo os olhos, engolindo em seco. É ela. Suzanna Grant. A mulher que me deu a vida.

— Mãe... - Pronuncio, ainda surpreso demais com sua aparição repentina.

— Jake! - Exclama, cheia de emoção, e corre para me abraçar.

De repente, também estou emocionado e meus olhos marejam. Abraço-a com força, como se minha vida dependesse disso. Eu tentei fingir, mas a verdade é que senti sua falta muito mais do que imaginaria, e acho que só agora estou realmente me dando conta disso. Minha mãe e eu sempre fomos próximos. Ela é a pessoa que mais amo e confio no mundo, e é por isso que não consegui continuar em casa depois do que aconteceu. Eu não iria suportar vê-la se sujeitando àquilo novamente, e com certeza também não iria suportar olhar para a cara de Robert, saber o que ele fez e não fazer nada.

Mútuo BenefícioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora