Hoje é sábado, e por isso me permiti acordar um pouco mais tarde. Ok, muito mais tarde, já passa do meio dia. Mas, tenho um motivo para isso. Ontem fui à uma festa e quando cheguei em casa, decidi assistir um episódio de Suits, que acabou tornando-se vários, e fui dormir somente às três da manhã. E, mesmo tendo dormido mais do que é recomendado pelos médicos, ainda estou sonolento e sinto vontade de me fundir com a cama, mas me forço a levantar. Meu carro está precisando de uma lavagem, não posso mais adiar.
Tomo um banho gelado que logo me desperta e visto a primeira roupa que vejo em meu guarda-roupa. Trata-se de uma bermuda velha e surrada e uma camisa branca básica. Nos pés, calço apenas chinelos, já que estou em casa. Vou para a cozinha e preparo meu café da manhã: ovos mexidos, torradas, panquecas, suco de morango e um pedaço de melão. Parece muito, eu sei. Minha mãe está sempre reclamando que tem que fazer as compras do mês quinzenalmente, porque como demais. Mas o que posso fazer? Eu sou um jogador, e jogadores comem muito.
Quando termino de comer, ouço a campanhia tocar e franzo o cenho. Quem pode ser? Minha mãe tem a chave e meu pai faria um barulho enorme que até os vizinhos escutariam sua chegada.
— Grant, eu sei que você está aí! Estou vendo seu carro aqui fora! - Ele grita, impaciente. — Abra logo essa porta, cara, está fazendo um calor desgraçado.
Dou uma risada alta o bastante para que ele possa escutá-la e abro a porta, me deparando com meu melhor amigo, David Lawson. Ele está mais bronzeado do que da última vez que o vi e seu cabelo castanho arenoso também cresceu. Essas são as duas únicas coisas diferentes nele. Suas roupas e tênis de marca e seu sorriso presunçoso ainda continuam os mesmos.
— Por onde você andou? Não te vejo há umas duas semanas. - Pergunto, e o convido para entrar. Ele se joga no sofá branco da sala e se recosta, com as mãos atrás da cabeça.
— Ah, você sabe, por aí. Eu estava em uma festa nas Bahamas e acordei no México. Foram duas semanas insanas, mas muito prazerosas. - Ele sorri maliciosamente ao dizer a última palavra, e eu nem preciso de detalhes para saber do que ele está falando.
David é um filhinho de papai, mimado de todas as formas possíveis por seu pai milionário. Apesar disso, ele é divertido e uma ótima companhia. Nos conhecemos há cinco anos, e desde então, somos amigos. David está sempre viajando. Em um dia, você está saindo com ele, no outro, ele está em outro país sem aviso prévio. Normalmente, meu amigo passa mais tempo viajando do que na escola, e por isso suas notas não são lá muito boas, mas nada com que ele tenha que se preocupar. Sua vaga na faculdade de Havard já está garantida, assim como todas as empresas do seu pai. Queria eu ter essa vida fácil.
— Cara, você ainda vai acabar se metendo em uma roubada. - Balanço a cabeça negativamente.
— Se isso acontecer, meus advogados podem me livrar. - Ele sorri presunçoso. Viu? Filhinho de papai. — Enfim, chega de falar de mim. Me conte o que você anda fazendo, além de jogar futebol razoavelmente bem.
— Razoavelmente bem? - Ergo às sobrancelhas para ele.
— Ok, você é um astro do futebol, mas não me faça dizer isso de novo porque fere meu ego. - Ele suspira dramaticamente e não consigo evitar de dar uma risada.
— Não estou fazendo nada de mais. Só estou em uma parceria com uma garota para conquistar a melhor amiga dela. Em troca, eu a ajudo a conquistar o O'Connell. Como eu disse, nada de mais. - Dou de ombros.
— Nada de mais? - É a vez dele de erguer às sobrancelhas. — Desculpa, mas essa é a coisa mais interessante que aconteceu na sua vida depois de mim. Agora, quem em sã consciência gosta de Ben O'Connell? Aquele cara é tão... sem sal, como diria minha irmã.
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Mútuo Benefício
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