24 de Dezembro, 1978
- Por que? - Bucky dirigia rápido, sem soltar o volante e observar o retrovisor.
- Eu já te disse, confia em mim! - Ele parecia assustado demais. E isso me deixava amedrontada.
- Estamos viajando já faz um tempo e você parece cada vez mais nervoso! - Acho que estávamos naquela fuga faziam cinco horas. Vi uma placa apontando nossa chegada ao centro de Sofia. Ele não sabia que tinha reparado no papel picotado e a ausência dos recepcionistas. Senti cheiro de arsênico, comprovando minha teoria de que o casal era da HYDRA, nos monitorando.
- Vamos ficar aqui. - Entramos em uma viela que acabava em um motel. Bucky sorriu e passou a mão por meu rosto.
O lugar era mofado, deserto e todo decorado em tons de rosa.
- Boa tarde, jovens. - Uma mulher na casa dos cinquenta esperava por clientes ansiosamente. - Só vocês dois?
- Boa tarde, sim. - O soldado a entregou os documentos e o dinheiro para a estadia.
- Nomes?
- Bill e Maria Clark.
- Ah, são americanos?
Bucky engasgou. Seus olhos brilharam e suas mãos começaram a tremer.
- Sim, somos de Nova Iorque. - Interferi.
A mulher entregou as chaves e apontou para o elevador.
- O que aconteceu? - Passei a mão por seu braço.
- Não sei... Acho que estou cansado... Ou estressado.
- Eu entendo... Não vai me...
Bucky me beijou na tentativa de me calar.
- Confia em mim. - Seus olhos observaram meu rosto. Cada detalhe, como se estudasse um mapa.
Ele não estava confiante com nossa fuga.
O quarto era simples. Uma cama de casal, um banheiro pequeno, um raque e uma janela padrão.
Fui para o banheiro lavar o rosto e vi pelo espelho quando Bucky se deitou para dormir. Me aconcheguei ao seu lado, abraçando-o por trás.
No meio da soneca, senti uma mão prensando minha perna. A outra esmagando meu braço. Acordei assustada e percebi que ele estava tendo um pesadelo. Ele reagia fisicamente a eles. Memória muscular.
- Bucky? - Nada. - Me solta, Bucky... Oi?
Seu rosto se contorceu em sinal de dor, mas não obtive respostas conscientes.
- Você não está sucumbindo, né? - Ele não podia se transformar no Soldado Invernal assim... Talvez fossem lembranças ou flashbacks... - Ei, ei, eu tô aqui! Bucky?
Como acordaria ele?
Sua mão agarrou meu pescoço e senti minha respiração falhar.
De repente uma coisa apareceu na tela branca que era meu cérebro naquele momento: um arquivo confidencial.
No meu primeiro ano na HYDRA me puniram de uma forma inusitada: na tentativa de verem se eu era organizada e centrada, me mandaram limpar todo o depósito de arquivos. Lá encontrei uma pasta escrita "Projeto Soldado Invernal".
Abri e comecei a ler: Sargento James Buchanan Barnes, companheiro de Capitão América, o primeiro bem-sucedido do projeto. Até então era o único. Mas eu apareci e mudei as coisas. Li muito sobre ele e, na verdade, sei muito mais do que ele pensa.
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Cavaleira das Trevas • Bucky Barnes
FanfictionUma jovem selecionada foi designada para ser a dupla do maior soldado da história: o Soldado Invernal. Mas após anos de tortura, será que eles ainda se lembram um do outro? RANKING: #1 in Espionagem - 10.04.2023 #2 in Espionagem - 03.04.2023
