18 de Novembro, 1973
Por entre as barras da minha cela, arremessaram um tigela metálica com tampa e uma colher. O cheiro era inexistente, mas pelo menos estava quente. Não lembro muito do gosto porque tinha acabado de acordar depois do susto de ter algo arremessado contra mim.
- Seu tempo acabou. Vamos. - O mesmo soldado de ontem esperava que eu saísse pela porta.
Andamos por alguns metros até chegarmos em uma espécie de banheiro, uma sala de abatedouro com chuveiros.
- Rápido. - De um banco o homem pegou uma jaqueta e calça pretas feitas de um tecido curioso, justo e feito para manter o calor. Um coturno igual ao dos oficiais e um prendedor de cabelo foram jogados perto do chuveiro que eu usaria.
- E você vai ficar aqui? - Naquele momento percebi que estava usando uma roupa de hospital, daquelas abertas atrás.
- Rápido. - Ele fincou os pés no chão e fez uma careta.
A água era fria, o sabão sem cheiro e o piso estava com lodo.
Aquele traje era justo mas confortável, o que me surpreendeu.
- Que horas são? - Passei meu cabelo por aquele elástico velho e corri para acompanhar o alface ambulante. Aqueles uniformes não eram do governo russo... Nunca tinha visto antes.
- Cinco da manhã. - Ele puxou uma ficha da mão de um oficial e me dirigiu algumas poucas palavras. - Até às onze da manhã você será testada e avaliada em nossos laboratórios...
- Que tipos de teste?
- Não me interrompa. - Seu olhar era áspero e raivoso. - Físicos e psicológicos. Continuando... À uma da tarde você irá conhecer seu mentor.
- Mentor?
- Dá para você ficar quieta?
- Venha me calar... - Sussurrei e virei os olhos.
- O que disse? - A parede vestida de farda militar parou em frente de mim. - Repita.
- Eu disse "sim, senhor". - Encarei-o com ódio.
- Às sete da noite você irá começar seus estudos em línguas estrangeiras.
- E para que isso?
- Você sabe o que significa ser uma "agente", agente 55?
- Deixe-me adivinhar, obedecer a absolutamente tudo e viajar o mundo?
O homem me encurralou contra um poste preto enferrujado.
- Se bancar a bocuda ou sabichona mais uma vez, arranco sua língua.
- Aposto que você tem uma ordem explícita de não me machucar, seu verme! - Apontei o dedo para seu peito e lentamente o fiz andar de costas. - Não sou tão inocente quanto pensa. Sei que fui escolhida para vir até aqui, embora não saiba como nem porquê... Vocês me querem do jeito que estou, inteira. Por que deixariam meu cabelo desse jeito se não fosse um benefício para você? Por que não me bateram assim que aguentei a lavagem cerebral de vocês?
O soldado ficou sem palavras e grudado na parede oposta a que estava antes, como uma lagartixa.
- Soldado Roffik. - O médico de ontem estava me esperando em uma saleta perto dali. - Vejo que trouxe nossa cobaia.
Sua risada ecoou e, antes que o oficial pudesse me guiar até lá, caminhei até o homem de jaleco branco.
- Sente-se. Esta cadeira não é como a de ontem... A outra está em uso. - O homem indicou o local e fechou a porta atrás de si. - Vamos começar.
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Cavaleira das Trevas • Bucky Barnes
FanfictionUma jovem selecionada foi designada para ser a dupla do maior soldado da história: o Soldado Invernal. Mas após anos de tortura, será que eles ainda se lembram um do outro? RANKING: #1 in Espionagem - 10.04.2023 #2 in Espionagem - 03.04.2023
