14 de Março, 1974
Eu sinto que sempre gostei de viajar de madrugada.
Saímos ontem de manhã, mas a viagem é longa de Varsóvia até Florença. Fiquei supressa quando dois dias atrás nos levaram para a Polônia, em uma sede da HYDRA.
Enquanto trafegávamos pela cidade até achar o péssimo hotel que ficaríamos para a missão, pensava em como Bucky poderia abrigar três tipos de consciência dentro de si: uma que sabe que ele não se lembra de nada, uma que não é controlada por ele e mesmo quando não ativada influencia ele, e outra que o faz ser uma pessoa normal quando comigo. As oscilações entre elas são constantes, e me preocupo até que ponto isso não é nocivo.
- Qual o nome do lugar? - O soldado dirigia como se fosse um turista procurando seu majestoso hotel.
- Hotel Bourbon Apartamentos. - Não precisei checar os arquivos para lembrar. Fui instruída a recorrer às fichas apenas se Bucky morresse ou algo do tipo.
- É bem ali.
Paramos do outro lado da rua e observamos o movimento.
O soldado deu a volta e retirou nossas bagagens. Peguei alguns pacotes que tinham nossos documentos falsos, dinheiro e endereços codificados. A rua era movimentada, mas parecia trafego local.
- Boa noite.
- Bom dia, acredito eu. - O recepcionista era simpático, mais velho e estava sozinho. O que é bom. - Sempre me perco quando é madrugada... Enfim, o quarto está no nome de quem?
- Sebastian Mikkel. - Bucky pediu os papéis falsos. - Quarto para dois.
- Sim, você reservou um quarto de casal. - O homem analisou os documentos e procurou pela reserva em uma pilha de folhas surradas.
A recepção era simples, com piso frio e balcão cor creme. Luminárias e poltronas contrastavam com vários mapas e gravuras empetecando o lugar.
- Terceiro andar, apartamento 43. - As chaves tilintaram no molho enquanto Bucky pegava as identidades. - O elevador fica no fim do corredor. Boa estadia de três dias, casal Mikkel.
O quarto estava todo fechado, levemente mofado e empoeirado. Uma janela grande com vista para o carro parado e a rua toda nos fornecia uma mira perfeita ao primeiro alvo da caçada.
- Tudo bem? - O soldado guardava as armas e todo os nossos materiais bem escondidos.
- Sim, estou só observando... - Peguei nossa mala de roupas e coloquei sobre a cama. - Quantas vezes você já fez isso?
- Aqui em Florença? Só uma... Na vida? Eu perdi a conta... - Ele balançou a cabeça e os cabelos longos. - Não se preocupa com os disparos, eu executo... Você é minha parte burocrata diplomática.
Meu sorriso parecia apenas um risco... Como os vários que eu desenhei no rosto daqueles quatro vermes nojentos...
- Ei, ei, ei... - Bucky deu a volta na cama e acariciou meus ombros curvados. - Não se torture com aquele dia ou com hoje!
- Como você...
- Eu te conheço... Te observo todos os dias para saber como vencer ou te pegar desprevenida. - Seu olhar era terno, raro e estranho para alguém como ele. - E além disso, você é a única que me ajudou a entender o que estava acontecendo quando sai do transe...
- Eu me lembro... Anos e anos sem saber que você não era você... Eu mal posso imaginar...
- Não tente. - Um sorriso cortado por um expiro me calaram.
- Nós vamos tentar acabar com isso um dia, né?
Bucky me olhou surpreso. Seus dedos brincavam com minhas mãos largadas perto de meu corpo.
- Eu não sei o que fazer se acabar com tudo isso... Eu nunca sei o que está acontecendo... Quero largar tudo isso e me reencontrar, mas o que eu tenho para encontrar?
- Você sabe que eu te ajudarei? Até morrermos... Até o fim da linha!
- Até o... fim... da... da linha? - Seus olhos brilhavam, e ele parecia entender menos do que eu do porquê.
- Sim, sim e sim! - Ele se sentou na cama. - Eu tinha uma vida antes, e te garanto que o mundo tem mais coisas para explorar e defender... Pode usar suas habilidades para algo melhor...
Bucky me olhava como uma criança profundamente magoada em busca de conforto e conselhos da mãe. Seus olhos estavam mais uma vez marejados. Suas mãos quentes tomaram as minhas e as colocaram em seu rosto. O soldado abraçou meu tronco e repousou a cabeça em meu abdômen. Meus dedos se entrelaçavam em seus cabelos enquanto sentia os seus brincando com o tecido de meu vestido.
- Obrigado. - Sua voz estava abafada, mas podia sentir a tristeza embolada nela. - Promete não me abandonar?
- Nem se me matarem eu te abandono. - Bucky enfiou o queixo em minha barriga, olhando fixa e ternamente para mim. Minhas mãos desceram para sua mandíbula, indo e voltando.
- Eu não deixaria te matarem. Nunca. - Ele franziu o cenho. - Se pudesse, evitaria qualquer e toda tortura... Mas eu mesmo causo isso em você...
- Nunca diga isso. - Segurei seu rosto em minhas mãos agora quentes como as dele. - Você nunca me machucará. Nem nunca me machucou.
Ele sorriu discretamente, mordeu os lábios e encostou a lateral do rosto novamente em mim. Acariciava agora sua nuca e seu cabelo.
Senti sua mão subir em minha perna, depois na outra. As duas subindo e aquecendo minha pele, dando arrepios. Seus dedos brincaram com a barra do vestido até a levantarem. Seu rosto fitou minha alma e o meu a dele. Sorri, cedendo ao pedido silencioso e tenso de licença.
Bucky retomou a escalada de suas mãos em meu corpo enquanto se levantava. A sombra de seu corpo me envolveu, assim como seu tórax ao me puxar contra ele. Seu lábios acariciavam o topo de minha cabeça. Minhas mãos brincavam em suas costas e cintura.
- Você... - Eu não tinha percebido meu vestido no chão. Nem seus dedos brincando com meus longos cabelos. Leves puxões me faziam ver seu rosto, me privando de olhar seu tórax.
- Eu?
- Você... - Sorri, corando assim como ele. Meu dedo parou seus lábios de terminar a frase.
Minhas mãos amarraram seu cabelo em um coque, enquanto as deles me levantavam.
Se eu disser que foi assim que descobrimos que as paredes do hotel eram feitas de gesso, ninguém acreditaria.
Agora temos que comprar gesso para consertar o buraco que fizemos na primeira meia hora neste lugar. Não sei o que esperar para os próximos dias, talvez quebrar o teto? Ou a janela? A cama com certeza está na lista.
Seus lábios queimavam minha pele em todos os cantos. Meus dedos brincavam em seu peito enquanto esperava ele deitar ao meu lado. Nossos pés brincavam enquanto seus olhos conversavam com os meus.
Seu toque fazia meu coração disparar, por isso ele continuava a brincar com meus lábios.
Resolvi deitar em cima dele, me aninhando ao máximo. Sua mão sentia meus cabelos e costas.
- Ei... - Ele sussurrava perto da minha nuca pois sabe que eu tenho aflição nesta área.
- Sim?
- A gente tem que cumprir a primeira etapa da missão...
- Se atrasarmos a fase um vou ser punida por atrapalhar. - Comecei a levantar.
- Não, não... Calma. - Suas mãos seguraram minhas pernas na lateral de seu corpo. Uma puxou meu pescoço para perto de seu rosto. - Você vai mesmo dormir naquela cama?
Percebi que o quarto tinha uma cama de casal e uma de solteiro, caso não quiséssemos dividir. Bucky deu uma piscadinha enquanto eu ria.
- Sua risada... - Ele me olhava hipnotizado. - É linda!
- Quero saber como é a sua... - Me aproximei. - Como faço?
- Dormindo aqui e não naquela coisinha ali no canto.
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Cavaleira das Trevas • Bucky Barnes
FanficUma jovem selecionada foi designada para ser a dupla do maior soldado da história: o Soldado Invernal. Mas após anos de tortura, será que eles ainda se lembram um do outro? RANKING: #1 in Espionagem - 10.04.2023 #2 in Espionagem - 03.04.2023
