Era como despertar de um sonho aos poucos. Eu sabia que não estava mais dormindo, mas não queria acordar totalmente e por alguns instantes realmente achei que ao abrir os olhos encontraria o ambiente familiar do meu quarto. Mas o meu corpo reagiu à posição estranha e eu percebi que estava sentada, praticamente jogada e tudo doía - o pescoço, os braços, a cabeça. Também não estava parada e isso me confundiu até que, mesmo de olhos fechados, eu entendi que estava dentro de um carro que passava por curvas acentuadas.
Comecei a me mexer aos poucos e os meus sentidos foram respondendo um de cada vez; o único barulho que eu ouvia era do motor do veículo que reagia à aceleração contínua, mas que logo tinha que diminuir quando o carro contornava a estrada. E assim eu encostei no banco de couro que parecia estar molhado e não era de água. Eu conhecia muito bem aquela substância espessa e coagulada. Era sangue, provavelmente o meu.
Abri os olhos mesmo com tudo ainda comprometido. Era noite e a falta de lua e estrelas não ajudava com a visibilidade através da janela à frente. Eu podia ver as árvores altas e a floresta densa passando como um cenário repetido atrás de mim tornando ainda mais difícil a tarefa de me localizar no espaço. Aquele carro também não me era familiar: havia um celular no porta-moedas, um par de óculos escuros e um molho de chaves com uma etiqueta retangular azul. Nada que eu pudesse reconhecer.
Soltei um gemido de dor ao sentir que havia um ferimento no meu pescoço e ele ardia como se estivesse aberto. Eu tentei remontar a ordem das minhas últimas lembranças , mas havia um borrão entre o que havia acontecido na minha casa e o lugar em que eu estava agora. A dor aumentava conforme eu tomava mais consciência do meu corpo acordado e eu me levantei no banco do passageiro tentando consertar a minha postura, mas sem muito sucesso.
- Me desculpe por você ter ficado assim. Mas eu precisava te salvar.
Eu não tinha me preocupado em olhar para o lado ainda, talvez porque nenhum instinto meu tivesse me apontado qualquer ameaça. O dono daquela voz era conhecido, porém era estranho que ele estivesse por perto e falando comigo. Era como se ele não fosse real, apenas um eco da vida passada que eu ouvisse por engano.
- Caleb - chamei tentando enxergá-lo no escuro. - O que aconteceu?
Ele não sofria com as mudanças do tempo, então por mais que eu apenas vislumbrasse a sua silhueta no breu eu sabia exatamente como era a sua aparência. Tão jovem quanto eu, o rosto bonito e marcado com expressões sérias e ângulos fortes. E a covinha no queixo que fazia com que ele fosse também adorável. Os olhos que às vezes eram verdes, mas na maior parte do tempo eram azuis, estavam vidrados na estrada sinuosa e não prestaram atenção em mim. Meu primeiro instinto era sorrir porque é claro que eu estava aliviada em vê-lo, mas igualmente confusa. Por que ele estava ali e como é que ele havia me encontrado?
- Eu vi o que ele fez com você - Caleb continuou com a voz amargurada ainda sem se virar para mim. - Eu não posso deixar que isso continue.
- Você viu Leon sair da minha casa? - perguntei ao deduzir do que ele estava falando.
- Vi ele ir embora - Caleb dizia entre dentes, bastante nervoso. - Não posso acreditar que por tanto tempo ele te manipulou assim e eu ainda deixei isso acontecer.
- Não foi sua culpa, ninguém teve controle sobre isso - eu tentei acalmá-lo apesar da minha própria tensão e dor. - Como você conseguiu me encontrar?
- Blair, eu nunca saí de perto de você.
Abri os meus olhos completamente. Ao meu lado, Caleb passava pelas curvas com um pouco de prudência, mas ele estava visivelmente agitado e afetado por algo que eu não conseguia entender e talvez não fosse apenas a presença recente de Leon, que era o meu palpite. Meu corpo não era capaz de responder a todos os comandos e os meus membros latejavam de dor conforme eu tentava movimentá-los no espaço limitado. Percebi que estava presa pelo cinto de segurança e não tentei me soltar.
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Wolf Like Me
FanfictionBlair é uma bruxa que sempre esteve do lado errado da história. Depois de cometer um erro que colocou a vida da sua família em risco, ela precisou se mudar para a nebulosa reserva de La Push para se adaptar à realidade de seu irmão gêmeo lobisomem...
