A noite chegou lentamente. A única prova da lua nova eram as previsões dos calendários lunares, já que o céu permanecia coberto por nuvens carregadas e escuras. E dele a neve insistia em cair com delicadeza compondo o belo cenário que era quase irônico se não fosse aterrorizante, tenso e uma profecia para todas as mortes que eu esperava que acontecessem ali. A baixa temperatura havia alcançado o seu recorde nos últimos anos e eu era a única que parecia notar a grande diferença conforme as horas passavam. Eu tremia, me agitava, me tensionava. Eu sempre soubera que seria o elo mais fraco.
Era dispensável falar. A floresta infinita ecoava os poucos sons audíveis naquela hora morta: o vento cortante que soprava com força, as folhas e galhos se estalavam com o peso da neve acumulada e eu. Não conseguia parar de tremer, fosse de frio ou de pânico, talvez por ser a única que realmente tinha a vida em jogo dentre todos os presentes. Senti qualquer olhar de pena pairando sobre mim enquanto eu tentava controlar os impulsos do meu corpo, mas não era como se as figuras que se assemelhavam a humanos pudessem fazer algo para me ajudar nesse sentido; todas elas já estavam mortas. A possibilidade de me juntar a esse time me aterrorizava, principalmente porque eu não poderia me levantar em seguida como eles.
Estávamos ali há tempo o suficiente para que meus olhos se acostumassem com o breu, mas eu ainda não enxergava absolutamente nada que não estivesse a um palmo do meu rosto. Tive medo de mover um passo sequer com medo de cair, me machucar ou assustar alguém naquele terreno irregular e repleto de obstáculos. A lua era obscura por si só e a floresta densa e fechada impedia que qualquer passagem de luz natural penetrasse pela cortina branca.
Era difícil saber se o meu rosto estava molhado pela neve que me tocava ou pelas lágrimas involuntárias. Eu tentava me conter pensando em como seria se elas começassem a congelar, mas aquele estado de puro horror era novo para mim. Não haviam mecanismos psicológicos que eu pudesse ativar para controlar a minha respiração e os meus batimentos cardíacos. Em algum momento eu tentei parar de respirar para quem sabe ficar inconsciente, mas não funcionou. Eu sabia que precisava ficar atenta para o que estivesse prestes a acontecer.
Não sabia se mais alguém estava acompanhando o tempo precisamente; as previsões de Alice apontavam para um horário específico, mas eu não trouxera nada que mudasse me localizar no tempo a não ser o meu conhecimento sobre constelações - que era inútil quando eu não podia vê-las. Parecia que esperávamos há uma eternidade, mas talvez só tivessem se passado alguns minutos.
Quando enxerguei uma nuvem esbranquiçada em torno do meu próprio rosto eu soube que talvez pudesse ter uma mínima noção do que estava acontecendo ali. Duas figuras altas estavam postadas ao meu lado esquerdo e eu as reconheci como dois lobos. Imaginei que fossem Jacob e Eric, muito embora eu não pudesse identificá-los precisamente ainda no escuro. Olhei em volta e percebi a disposição da alcateia e dos vampiros espalhados em uma grande área da floresta. Eu não sabia da estratégia de Sam ou dos Cullen, mas para mim era óbvio que alguns deles estavam escondidos para não evidenciar todas as nossas vantagens.
O que ainda era claro era como eu era um atraso naquela luta. Meu propósito era única exclusivamente servir de isca, caso contrário Leon não teria interesse de permanecer ali. Mas o que eu faria caso alguém me capturasse? Como poderia correr? Como poderia garantir que qualquer poder meu - os que eram tão aleatórios - funcionaria contra um vampiro determinado a me matar em uma fração de segundo?
Permanecíamos mergulhados no quase completo silêncio e eu estava tentada a me manifestar como uma criança amedrontada do escuro. Se pelo menos alguém notasse que talvez algo estivesse errado ali. Edward?
Senti que a minha hora havia chegado de uma forma bastante singular. O meu cabelo pesado pela neve que nele grudava, a minha roupa molhada pelo orvalho e a minha pouca pele exposta completamente tensionada pelo frio; em um ínfimo instante, tudo mudou.
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Wolf Like Me
Fiksi PenggemarBlair é uma bruxa que sempre esteve do lado errado da história. Depois de cometer um erro que colocou a vida da sua família em risco, ela precisou se mudar para a nebulosa reserva de La Push para se adaptar à realidade de seu irmão gêmeo lobisomem...
