À flor da pele

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Blair

Fiquei esperando Calvin me agradecer o caminho inteiro, mas não aconteceu. Depois de um tempo, desisti. Mimado.

Depois de um tempo na estrada, chegamos em casa e percebi que meus pais estavam ali quando vi o carro de minha mãe parado na garagem coberta. Estacionar dentro de uma vaga era algo além das minhas habilidades de motorista, então eu apenas fiz como tio Gabe e parei o carro em frente à entrada da casa.

Parecia que Calvin e eu demoramos horas e horas em Port Angeles, mas eram apenas três da tarde. Aquela era a sexta feira mais tediosa da história da minha vida, e era melhor que eu a aproveitasse porque logo voltaríamos para a escola.

Larguei meu casaco e minhas botas de neve na entrada e vi minha mãe conversando com tio Gabe em frente à lareira, a bengala roxa inclinada elegantemente no sofá.

- Foram fazer compras? - ele apontou para a sacola de papel na minha mão e eu assenti.

- Sim. - Calvin respondeu na minha frente. - E... Valeu, B.

- Finalmente! - ergui os braços como se fizesse um sinal de impaciência. Depois alcancei a bochecha dele e apertei com a maior força que consegui. - De nada, Cal.

Ele me deu um tapa leve e empurrou minha mão, algo que me fez rir, mas não dei muita atenção. Calvin marchou escada acima com seus livros, me deixando ali com a presença inédita da minha progenitora não tão feliz com a minha figura ultimamente.

- Blair, fico feliz que você tenha saído de casa. - ela disse e me deu um sorriso sincero, que eu quase acreditei. - Não que você tenha que obedecer a mim ou ao seu pai, é claro, mas parece que quando o assunto te interessa você rapidamente faz o que quer.

- Mãe, se for pra ouvir isso eu vou voltar pro quarto... - comecei a fazer o mesmo caminho que Calvin, mas tio Gabe me interrompeu.

- Não, B, o que sua mãe quer dizer... - ele olhou com raiva para minha mãe ao seu lado. - É que talvez você pudesse fazer mais um favor para os seus irmãos.

- Que favor? - cruzei os braços com desconfiança.

Os dois se entreolharam e, antes que eu pudesse notar, meu pai e Eric desciam as escadas um ao lado do outro. Me virei para ver as expressões determinadas que os dois tinham, parecia até combinado. Aquilo parecia uma emboscada.

- Precisam de você na reserva, Blair. Com urgência. - disse meu pai ao se postar na minha frente. - Sam Uley está praticamente no escuro a respeito de muitas coisas, e seria de grande importância se você fosse lá dar os seus... insights.

- B, eu sei que você 'tá num momento muito sensível e tudo mais, mas você tem um monte de informações na sua cabeça que podem nos ajudar bastante, porque os outros vampiros daqui eles... - Eric começou a despejar uma torrente de informações sem sequer parar para respirar.

- 'Tá bom, eu vou. - concordei para fazê-lo parar de falar.

Todo mundo se entreolhou na sala e tio Gabe consertou a postura e cruzou as pernas praticamente em choque.

- Vai? - meu pai repetiu como se não entendesse. - Hoje?

- Vou. - dei ombros. - Quero ajudar.

- É sério? - perguntou Eric.

- Se a gente não for agora, então não vou mais. - coloquei uma mão no ar com impaciência e ele logo assentiu em concordância. Joguei o molho de chaves no ar e ele pegou com agilidade. - Você dirige.

Dei as costas para a sala e peguei de volta meu casaco, mas dessa vez recolhi um tênis que eu usava normalmente. Não queria perder tempo com a minha família tentando decifrar meu humor ou falando de mim pelas costas, então apenas fiquei lá fora observando o céu branco cheio de nuvens enquanto Eric se apressava para me alcançar. Ele logo apareceu e foi em direção ao mesmo carro que eu havia usado mais cedo, só que dessa vez eu passei para o banco do passageiro e ele deu a partida no lado do motorista. Tudo em silêncio e com uma rapidez impressionante. Nota-se a urgência.

Wolf Like MeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora