*Cautionary Tale: conto do folclore cujo objetivo é alertar o ouvinte de algum perigo. Normalmente a narrativa consiste em três partes: a apresentação do tema em forma de aviso, o ato ou locação perigosa na qual o personagem performa a ação proibida e, por fim, há o destino desagradável. Ao contrário dos contos de fadas, cautionary tales nunca têm finais felizes.
Foi necessário um esforço dez vezes maior para me fazer sair dali mesmo com o incômodo do sangue que não havia estancado. Movimentei cada um dos meus membros até ter certeza da minha consciência e que o meu corpo estava livre do efeito da mescalina e então comecei a me arrastar no chão para enfim me levantar. Me lembrei que eu havia tirado dali todas as influências eletrônicas, então não consegui descobrir por meio algum qual era a data de hoje ou sequer o horário. Cinco dias poderiam ter se passado, bem como cinco minutos.
Fui até o banheiro e limpei o meu rosto com água quente, mas não fiz um excelente trabalho graças ao nervosismo. Meu reflexo era o de uma pessoa doente e que parecia sofrer com a privação de várias coisas, inclusive com a falta da droga.
Decidi que era hora de me arriscar lá fora. Eu não ouvi nenhum sinal que pudesse indicar qualquer presença na minha casa, mas duvidei que estivesse sozinha independente do tempo que tivesse corrido. Eu precisava repassar todo aquele conteúdo para a primeiríssima pessoa que aparecesse na minha frente.
Hesitei por um instante antes de colocar a mão na maçaneta para sair; meu aspecto não estava dos melhores e eu não sabia se eu sequer soaria coerente quando abrisse a boca. Mas decidi que deveria deixar esses detalhes de lado mesmo que eu parecesse completamente insana por dentro e por fora, e então pisei para fora do quarto. A atmosfera do mundo real me engoliu de uma forma devastadora como se eu nem me lembrasse mais de qualquer outra dimensão. Lá fora também estava escuro e a iluminação artificial da casa compensava o breu da noite que era vista através das janelas. Não tive tempo para me acostumar com o clima tenso que tomava conta do ambiente, já que no mesmo segundo a figura de Cat surgiu como uma sombra intensa que me fez dar dois passos para trás.
- Você acordou! - ela constatou alarmada com um leve sorriso no rosto. Eu arregalei os olhos assustada com a sua presença repentina.
- Por quanto tempo...
- Hoje é o segundo dia - Cat me respondeu prontamente.
- Só isso? - estranhei a pouca duração, sendo que eu esperava um número cabalístico como o três ou sete. Ouvi uma movimentação no andar de baixo e vários passos apressados pareciam subir ao mesmo tempo as escadas. Cat e eu nos viramos na direção do corredor para poder ver Jacob, Eric e Louise que chegaram ali às pressas.
Não era como se eu tivesse me esquecido que eu tinha uma vida de verdade, mas havia uma parte de mim naquela experiência cósmica que temeu bastante ao voltar para a dimensão presente. Como se mexer com as variáveis do futuro fosse tirar algo de importante que eu havia conquistado e sabia que merecia. Quando vi Jacob e Eric eu soube que nada havia me escapado pelas mãos; as duas pessoas que eu amava e tinha trabalhado para tê-las cada vez mais por perto continuavam ali e estavam genuinamente aliviadas ao me ver - por mais que Eric não precisasse saber que eu voltara a considerá-lo como antigamente.
- Oi - era tudo o que eu conseguia dizer em voz baixa enquanto Jake me tirava do chão e, é claro, eu ficava sem fôlego. Não me importaria que ele fizesse aquilo quantas vezes fossem necessárias.
- O que houve aqui? - ele contornou o meu rosto que ainda estava consideravelmente manchado de sangue.
- O de sempre - dei ombros. Não precisava passar por aquele detalhe novamente. Olhei em volta para os olhos atentos e continuei no mesmo tom de voz. - Tio Gabe?
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Wolf Like Me
FanfictionBlair é uma bruxa que sempre esteve do lado errado da história. Depois de cometer um erro que colocou a vida da sua família em risco, ela precisou se mudar para a nebulosa reserva de La Push para se adaptar à realidade de seu irmão gêmeo lobisomem...
