Inimigos imaginários

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O grande esforço que eu fiz para entrar em casa no total silêncio quase foi arruinado pela figura obscura que me aguardava no meu quarto, deitado na cama como se estivesse completamente à vontade.

- Se esgueirando por aí altas horas da madrugada, B... - a voz de Harvey era de puro deleite. Eu pulei de susto quando consegui distinguir o seu corpo mesmo que estivesse iluminado sob a luz da lua que ainda entrava na janela aberta. - Velhos hábitos nunca mudam, eu acho.

- Meu deus, Harvey! - eu pus a mão no peito sentindo o meu coração saltar.

- Fiquei esperando você tentar arrombar a janela, mas parece que esse é um look muito ano passado, não é mesmo?

Fui até o banheiro e joguei a toalha úmida no cesto de roupas sujas. Fechei a porta atrás de mim e troquei de roupa rapidamente por um pijama limpo que sempre guardava ali e escovei os dentes já me preparando para o interrogatório de Harvey, ciente que ele teria muito o que dizer, para variar.

- Como foi o encontro? - ele perguntou assim que eu voltei para o quarto e apaguei a luz.

- Você me seguiu? - por algum motivo aquilo não me surpreendia.

- Só até ver se você estava devidamente acompanhada - Harvey me deu um sorriso falsamente angelical. - Então quer dizer que você decaiu de vampiro para lobisomem, B?

- Não acho que isso seja da sua conta!

O que aconteceu com aquele papo de prezar pelo espaço pessoal um do outro?, pensei irritada.

Puxei a perna de Harvey, que ainda estava preguiçosamente deitado na minha cama. Ele riu alto do meu esforço. Por que ele estava ali com tantos outros quartos vazios na casa?

- Anda, dá licença - eu comecei a puxá-lo pelos membros para que ele saísse de cima do meu cobertor.

Por fim ele cedeu. Ele se levantou rindo e se acomodou em cima do meu tapete colorido que ficava logo abaixo da cama. Eu finalmente me deitei e encarei o seu rosto abaixo do meu ainda esperando os questionamentos que viriam logo a seguir.

- Você está feliz - ele constatou. Não era uma pergunta.

- Dá pra ver? - escondi o meu rosto no travesseiro e mordi a minha bochecha por dentro para não sorrir.

- Nunca vi o seu rosto tão vermelho e cheio de sangue assim - Harvey levou o dedo até o meu queixo e me tocou. A ponta do seu indicador encostou em mim tão rapidamente como se fosse um choque. - É um bom sinal. Mas então, quem é ele? Eu quero saber detalhes.

Havia muito que Harvey não sabia, na verdade. Eu não tinha a menor noção se em algum momento tio Gabe havia mencionado os vampiros frios, então decidi contar a "minha versão" dos fatos, pois sabia que ele ficaria do meu lado assim como Jacob - por mais que este demandara bastante trabalho e convencimento.

Harvey ouviu atentamente toda a minha narrativa a respeito da família Cullen e sobre como nós havíamos nos encontrado através das visões de Alice. Expliquei sobre Victoria, a vampira ruiva e essa fora a única parte que ele já tinha algum conhecimento através do meu tio. Ele sabia sobre Seattle, mas não conseguia fazer a conexão dos casos com Leon, Finn e Thalia. Também não tinha notícias sobre as ações dos três até o recente ataque em minha casa.

- Por onde você esteve, Harvey? - perguntei, no meio do meu monólogo.

- Londres, é claro - ele colocou as mãos atrás do pescoço numa pose relaxada. - Eu aprecio todo o trabalho que você teve com os seus colegas de Hogwarts em Nova Orleans, mas você não achou mesmo que fosse ficar afogado naquele meandro pro resto da eternidade, não é?

Wolf Like MeOnde histórias criam vida. Descubra agora