Dois dias se passaram após meu encontro com Leo e fazia dois dias que eu não tinha notícias de nenhum dos dois. Samuel não apareceu na cachoeira no dia seguinte e nem no próximo; fazia tempo que eu não aproveitava a calmaria daquele lugar sozinha. Confesso que sentia falta dessa privacidade mas ao mesmo tempo, me senti estranha por não compartilhar o lugar com mais alguém, ou melhor, com Samuel. Durante esses dois dias, pensei muito sobre a história dos dois, Sam não havia me contado muitas coisas, sobre ter acordado no hospital junto de seu irmão, sobre ele ter falecido ao seu lado e o mais estranho, nenhum dos dois comentou o fato de Daniel e Sam serem gêmeos. Por que? Será que minha tia se enganou? Qual dos dois irmãos contou a verdade? Por que Leo desabafou comigo aquele dia? Minha cabeça fervilhava com tantas interrogações.
Naquele dia, eu entraria de férias, as provas acabaram e eu finalmente poderia descansar um pouco e entender mais sobre os Mander's. Em uma semana eu iria para minha cidade natal, ver meus pais e meus irmãos, afinal, eu só morava com tia Anne para poder estudar no melhor colégio do estado, portanto eu teria apenas uma semana para saber mais sobre a história de Sam.
Desci as escadas e encontrei tia Anne, despejada no sofá, o que não era nada habitual. Suas bochechas estavam vermelhas e sua respiração ofegante, seus olhos brilhavam marejados. Ela não estava nada bem.
- Tia? O que você tem? Está com dor?- perguntei preocupada, estendendo o dorso de minha mão em sua testa - Está ardendo em febre! Vamos pro quarto, eu te ajudo - ao perceber sua febre, a apoiei até o quarto, seu corpo estava quente e mal se sustentava sobre as pernas.
- Acho que peguei um resfriado, Car!- disse tão baixo que quase não a ouvi.
Assim que ajudei tia Anne a se deitar, o telefone tocou e magicamente, ela sabia quem era sem ao menos ouvir a voz. E eu também!
- Alô?! Sim, mamãe, ela não está se sentindo bem, creio que tenha pego um resfriado. Fale com ela, irei procurar alguns antigripais e preparar um chá.
Entreguei o telefone a tia Anne e mesmo sendo uma mulher independente de 35 anos, sempre que estava doente se desabava em lágrimas como uma garotinha, para a irmã mais velha.
Minha mãe, Amábile, é irmã gêmea de tia Anne. Cresci vendo-as com essa "conexão de gêmeas" como elas dizem, o tempo todo. Sempre que uma não está bem a outra sente, nunca entendi como, mas sempre acontece. Ambas são muito amigas e confidentes e por esse motivo que mamãe me entregou aos cuidados de tia Anne por um tempo.
E por presenciar a relação de gêmeas durante minha vida toda, que posso imaginar o quão grande é a dor que Samuel carrega.
Na cozinha, procurei pelos antigripais e pus-me a preparar um chá de alho com limões. Minha avó sempre fazia quando eu e meus irmãos ficavámos doentes e por mais ruim que parecesse, era muito eficiente. Preparei o chá e o adocei com mel, levei-o juntamente com os comprimidos e ao me aproximar da porta, ouvi tia Anne se queixar com mamãe. Ainda estavam no telefone e com certeza ficariam por um bom tempo. Em silêncio, deixei o chá na mesinha ao lado da cabeceira, entreguei os comprimidos me certificando de que ela os engoliria e despedi-me de mamãe em voz alta. Como tia Anne, estava doente, ela não iria à floricultura, mas as plantas não podiam esperar e por isso eu ficaria na loja pela manhã.
Já eram quase oito horas quando abri a floricultura, o telefone tocava insistentemente e a lista de encomendas só aumentava. Hidratei todas as plantas e limpei todo o local, a manhã passava tão devagar que estava quase acreditando que o tempo havia parado.
Havia 3 pedidos especiais aquela manhã e eu precisava fazê-los logo, ainda não tinha tanta destreza quanto minha tia, mas já estava melhorando.
Com a bancada limpa, iniciei os trabalhos, eram 3 buquês de noiva e portanto, a responsabilidade era grande.
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Agora eu quero partir
Romance"E foi com lágrimas nos olhos que eu os deixei partir..." Carolina, uma típica adolescente em seu último ano escolar e Samuel, um jovem misterioso que guarda um segredo muito doloroso sobre seu passado, capaz de fazê-lo tentar contra a própria vida...
