Assim que todos foram alocados na ambulância, segui em direção a cachoeira. Havia deixado minhas coisas por lá e só me dei conta do quão afetada estava quando tentava miseravelmente arrastar meus pés para fora da casa.
Eu estava em choque com a cena que havia presenciado e enquanto caminhava contornando a casa, lágrimas escorriam sem parar pelo meu rosto. Chorei por vê-los daquela forma, tão fragilizados e desestabilizados, chorei por não ter ideia do que aconteceria em seguida, chorei por sentir em meu coração que aquilo não iria acabar bem. Eu tinha certeza absoluta de que iria perdê-los, nós nunca mais seriámos nós mesmos novamente.
Em meio a lágrimas e soluços cheguei a cachoeira e como em um borrão me vi chegando ao portão da casa de tia Anne. Eu não parei de chorar por nem um segundo durante todo o percurso, eu não estava bem e precisava de alguém para me ajudar. Liguei para a única pessoa capaz de me acalmar nesse mundo somente com sua voz: minha mãe.
Ficamos ao telefone por um tempo considerável, contei todos os detalhes para minha mãe, que me ouviu, acalentou e me aconselhou a todo momento. Quando tia Anne chegou para o almoço desesperada, eu já havia retomado o controle de minhas emoções e já podia pensar mais claramente.
- Oh meu amor, venha cá! Sua mãe me contou sobre o que aconteceu hoje...- tia Anne me enlaçou em um abraço confortável assim que me encontrou na cozinha.
- Foi horrível, tia! Foi muito horrível...- logo me vi engasgada com o choro novamente e me desabei aos braços de minha tia.
Ficamos abraçadas por alguns minutos, eu só conseguia chorar e soluçar, mas enquanto estava ali, protegida e me sentindo confortada, pensei em como meus dois meninos estavam: solitários, tristes e desesperados por um pouco de amor e apoio.
- Podemos ir vê-los tia? - perguntei assim que pude falar normalmente sem ser interrompida por uma onda de soluços.
- Claro, querida! Vamos almoçar primeiro e depois iremos ao hospital. - disse gentilmente enquanto beijava o topo de minha cabeça e afagava meu cabelo.
Obviamente não consegui engolir uma garfada sequer, eu não conseguia pensar em outra coisa a não ser nos dois, eu estava desesperada por vê-los, precisava saber como eles estavam, precisava vê-los sem uma mancha de sangue no corpo, para espantar todo o terror que presenciei.
Assim que chegamos ao hospital, fomos informados pela recepcionista que não poderíamos visitá-los naquele momento, ambos estavam sedados e precisavam descansar. Implorei por um momento que fosse, nem que tivesse que os olhar de longe e creio que meu desespero era tamanho estampado no rosto que ela me liberou rapidamente para uma visita, contanto que eu fosse breve.
Ambos estavam no mesmo quarto e quando me aproximei da porta, fui surpreendida por Henrique.
- Foi você a garota que me ligou mais cedo?- perguntou com olhos azúis tão profundos como os de Leo, seu semblante era tenso e deplorável.
- Sim, senhor. Fui eu mesma, eu havia ido visitá-los e ... - de repente Henrique me abraçou me deixando totalmente sem reação e confusa.
- Obrigado! Nunca conseguirei demonstrar o quanto sou grato por tê-los salvo...- Henrique chorava e me apertava, como se quisesse dissipar todo seu sofrimento com aquele abraço - Acho que você quer vê-los, não é?- disse, me soltando de forma desajeitada e me dando passagem para alcançar a porta - Eles estão sedados nesse momento, foi preciso medicá-los para que se acalmassem, irei ficar com Alice agora, fique à vontade. - dito isso, saiu em direção ao corredor.
Entrei no quarto já com os olhos marejados, ambos estavam dormindo com os braços enfaixados. Mesmo sedados suas expressões não eram suaves, se mantinham tensa e exprimiam dor. Segurei na mão de Leo e a senti tão fria como uma pedra de gelo, ele parecia tão frágil, tão indefeso ali desacordado. Me aproximei de Sam e assim como Leo, sua mão também estava fria, porém cheia de curativos já avermelhados, assim como nos braços, levei sua mão delicadamente aos lábios e a beijei. Dei um beijo na testa de cada um dos dois e saí do quarto chorando em silêncio.
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Agora eu quero partir
Romance"E foi com lágrimas nos olhos que eu os deixei partir..." Carolina, uma típica adolescente em seu último ano escolar e Samuel, um jovem misterioso que guarda um segredo muito doloroso sobre seu passado, capaz de fazê-lo tentar contra a própria vida...
