O calor hoje estava insuportável e por isso alguns amigos e eu decidimos passar o domingo ao ar livre. Não tinha ideia de onde iríamos, na verdade todos estavam confiando na grande surpresa de Lucca, um grande amigo meu, do qual se gabava por ter encontrado um lugar incrível e isolado.
Durante o trajeto, dei me conta de que aquele caminho não me era estranho, tudo me era familiar, desde árvores a simples trechos da estrada. De repente, vimos casarões em certos pontos e uma floricultura linda e majestosa. Imediatamente senti um aperto no peito. Sim, eu sabia para onde estávamos indo, não sei dizer se a constatação do fato foi boa ou ruim, mas mexeu muito comigo.
Era uma cachoeira linda e não muito conhecida, parecida com aquelas que sempre vemos em panfletos turísticos, grande, de águas cristalinas, ficava no meio do nada escondida por árvores e pela estrada. À três quilômetros aproximadamente, havia um roseiral e mais à frente, algumas casas e foi próximo a uma delas que deixamos o carro, já que o restante do caminho só era possível ser feito a pé. Confesso que foi ideia minha, pois conhecia uma trilha que nos levaria à cachoeira em 20 minutos.
A cada passo sentia meu coração acelerar, minhas mãos suavam e um friozinho na barriga se apossou de mim, juntamente com uma esperança boba de que talvez a cachoeira não estivesse vazia.
Chegamos e fomos logo montar o piquenique, a fome para alguns falava mais alto. Lucca correu para água e não demorou para que o restante fizesse o mesmo. Fiquei sentada por alguns minutos, apenas observando, mas não resisti e entrei na água também. Porém estava muito inquieta e logo saí para tomar sol, Dani me acompanhou.
— Desde quando conhecia esse lugar?— ela me perguntou.
— Há dez anos eu morava com uma tia não muito longe daqui, costumava vir nadar sempre que podia.
— E você ficava aqui sozinha? Não tinha medo de se perder ou de acontecer algo?
— Não, não tinha medo...— fixei-me na água, onde Lucca acabara de mergulhar, Dani fez o mesmo.
Voltamos para a água, mas logo saí novamente, minha cabeça estava girando e ainda sentia aquele aperto no peito. Olhava a cada minuto para a entrada da trilha pela qual viemos. Tinha esperanças que uma hora ou outra, eu o veria chegar.
Atravessei a cachoeira e sentei-me numa pedra oposta para o local que havíamos deixado nossas coisas e dali fiquei observando a galera nadar.
Intencionalmente, voltei dez anos atrás.
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Agora eu quero partir
Romance"E foi com lágrimas nos olhos que eu os deixei partir..." Carolina, uma típica adolescente em seu último ano escolar e Samuel, um jovem misterioso que guarda um segredo muito doloroso sobre seu passado, capaz de fazê-lo tentar contra a própria vida...
