Desde o momento em que saí daquele cemitério, minha vida havia se transformado. Saí de lá totalmente esgotada emocional e fisicamente, por isso apenas me arrastei para casa. Eu queria dormir, dormir e esquecer tudo o que aconteceu por todos esses meses. Estava exausta de tantas emoções, tantas reviravoltas, meu coração e minha mente não aguentavam mais absolutamente nada e dormir foi exatamente o que eu fiz quando cheguei.
Minha tia ainda não havia chegado e agradeci internamente por isso, não queria ter que explicar o porquê de estar parecendo um cadáver ambulante. Não queria chorar novamente se tentasse colocar em palavras tudo o que eu havia enfrentado nas últimas horas, pois era exatamente isso o que aconteceria, eu iria desabar em lágrimas e lamentos outra vez.
Tomei um banho tentando limpar a dor da minha alma e a confusão que minha vida tinha se tornado. Samuel estava morto, Leo havia partido e Daniel havia ido em busca dele mesmo, bem longe de mim. Se eu soubesse o quão importante foram nossos últimos momentos juntos, teria sorrido e os abraçado mais. Foi chorando a dor em meu peito que descobri o quanto era valioso aproveitar o presente, pois quando ele passa não se deve ficar arrependimentos. Saí do chuveiro banhada de lágrimas, me vesti e apaguei após continuar chorando abraçada a carta, ao casaco e a pulseira.
— Carolina!! Acorda pelo amor de Deus — despertei assustada enquanto tia Anne me chacoalhava carinhosamente.
— Oi tia, bom dia — disse abrindo os olhos e me sentando na cama — Aconteceu alguma coisa? — perguntei enquanto a observava com uma expressão muito preocupada.
— Eu quem pergunto Car, o que aconteceu? Você dormiu o dia todo!— a olhei cética mas pela primeira vez notei que o quarto não estava tão claro como deveria estar.
— Que horas são?— perguntei aturdida.
— São seis da tarde. O que aconteceu, você está bem? Sente-se cansada? Está doente? — perguntou virando meu rosto em diversas direções procurando algum sinal de doença ou machucado.
— Eu só estou cansada tia...— meus olhos encheram-se de lágrimas instantaneamente e tia Anne me abraçou.
— O que foi querida? Pode me contar — disse enquanto afagava minhas costas e foi o suficiente para que eu me desmanchasse de vez.
Chorei ainda mais do que havia chorado no dia anterior, chorei com tanto pesar que parecia que minha alma saía aos pedaços em cada lágrima que deixava meu corpo. Quando finalmente me acalmei, entreguei a carta para que tia Anne pudesse saber o motivo de minha dor e então ela chorou comigo.
Os dias após a partida deles foram vazios e tristes, eu estava apenas me movendo por hábito, pois não tinha mais vontade de fazer absolutamente nada. Minha nova rotina era acordar, ir para a floricultura, colégio e em seguida ir para casa. Tia Anne me levava a loja pois tinha medo e receio de me deixar sozinha, eu conversava com minha mãe todos os dias e até foi cogitado a minha volta antecipada para casa, no entanto eu queria pelo menos terminar o semestre. Em breve eu poderia ir de vez para casa e talvez esquecer tudo o que havia acontecido.
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Dois meses depois eu voltei à cachoeira e só percebi a saudade que sentia daquele lugar quando me sentei na pedra e me senti um pouco aliviada. Antes do Sam, eu amava aquele lugar, aliás, antes do Daniel. Ainda não estava habituada em pensar nele como quem realmente era. Agora, a cachoeira parecia vazia demais para mim. Depois de toda a raiva que senti nas primeiras semanas, agora eu apenas sentia saudades e ainda tinha que me controlar muito para não chorar pensando neles. Fiquei ali por um tempo, mergulhei e atravessei a margem, fui até o roseiral e durante todo o caminho lembrei de todas às vezes que passei ali com ele.
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Agora eu quero partir
Romance"E foi com lágrimas nos olhos que eu os deixei partir..." Carolina, uma típica adolescente em seu último ano escolar e Samuel, um jovem misterioso que guarda um segredo muito doloroso sobre seu passado, capaz de fazê-lo tentar contra a própria vida...
