Capítulo 2

867 224 776
                                        

Enfim domingo chegara!

Aos domingos tia Anne e eu costumávamos ir à igreja de manhã e depois saíamos para fazer algo juntas depois do almoço, de modo que eu só tinha tempo livre para ir a cachoeira ao final da tarde. Nesse domingo não foi diferente!

O dia estava quente, mas eu estava preguiçosa demais para me levantar do sofá e pedalar. Aproveitei minha preguiça ao máximo e por fim resolvi sair um pouco e caminhar. Lembrei do campo de rosas que havia alguns quilômetros depois da cachoeira, não ficava muito longe e o caminho não era tão mal, já havia arriscado a trilha certo dia, portanto sabia como chegar lá sem me perder ou perder o caminho. Tive receio de ir sozinha, mas tia Anne jamais iria sem me fazer um interrogatório antes e eu não estava com muita vontade de ter que responder como eu conhecia.

Cheguei a cachoeira em 20 minutos, geralmente gastava a metade disso, mas hoje estava realmente com preguiça e pedalei o mais devagar e calma possível. Como eu queria muito caminhar, deixei a bicicleta em seu esconderijo habitual e desci a pequena trilha.

O lugar estava mais pacífico do que nunca, nessa altura do dia o sol era bloqueado pelas árvores portanto uma brisa fresca passeava pelo local. Como a trilha que levava ao campo de rosas ficava do outro lado da margem, tive que entrar na água e como estava calor não me importei muito. No entanto, eu teria que arranjar uma jangada ou algo que o valha para os dias em que eu definitivamente não quisesse me molhar. Por sorte naquele ponto, a água batia um pouco acima do meu umbigo, molhando apenas o meu short já que a blusa eu pude amarrá-la para que não se molhasse. Com um pouco de dificuldade encontrei a trilha para o campo, pus-me a caminhar apressadamente pois logo ficaria escuro e não seria nada legal voltar no breu. Por um instante pensei em desistir, pois o horário realmente não era muito adequado para eu estar passeando no meio da mata e eu não via nada além da trilha que seguia e árvores, mas como já estava ali resolvi terminar o passeio e cumprir meu objetivo. Andei por pelo menos 30 minutos até chegar a clareira na qual havia mais uma trilha á direita em que eu devia seguir para chegar ao campo. Por mais dez minutos caminhei cuidadosamente e preocupada e finalmente avistei o roseiral. Ao vê-lo praticamente corri até ele.

O lugar era realmente lindo e muito grande, eram quilômetros e quilômetros de rosas. Havia rosas brancas, amarelas, cor-de-rosas, e claro, vermelhas. Obviamente havia de outras cores, porém de onde eu estava não dava para vê-las.

Como o lugar estava vazio, adentrei uma das fileiras de rosas vermelhas, o perfume das flores era quase sufocante, mas eu amava mesmo assim. Fiquei ali por uns minutos, estava embriagada pelo perfume e pela beleza daquele lugar. Já havia ido outras vezes com tia Anne, quando ela ia buscar flores para sua floricultura, porém nunca havia adentrado como agora. Eu amava rosas e entre todas as cores, as brancas eram as minhas preferidas. De repente, voltei a realidade e percebi que já estava escurecendo, precisava sair dali rapidamente. Fiz o caminho de volta praticamente correndo e gastei menos da metade do tempo que levei para chegar lá, por sorte não me perdi e consegui chegar em segurança a cachoeira. Quando avistei a margem, lembrei que teria que atravessar a água e mais do que nunca desejei possuir uma jangada; a água estava tão fria que senti que como se corresse gelo em minhas veias e não sangue.

A noite já caía mansamente e seus sons habituais já ecoavam a minha volta, portanto deveria me apressar pois a cachoeira a noite não me agradava tanto quanto de dia, além do mais andar a noite na estrada era muito perigoso.

Como não havia levado nenhuma troca de roupa, continuei com as roupas molhadas e para ser sincera jamais tive arrependimento maior ao não levar roupas extras na mochila e mesmo que tivesse levado de nada adiantaria, pois para piorar eu havia esquecido a mochila com a lanterna junto da bicicleta. Como já estava escuro, tive dificuldade em encontrar a trilha que levava ao esconderijo de minhas coisas, meu desespero em sair dali e ir para casa também atrapalhou minha percepção de espaço, porém meus sentidos estavam absurdamente aflorados, junto com meu velho e grande amigo, o medo. De repente, vi um vulto ao meu lado e algo quente tocou meu braço, arrepiei-me dos pés a cabeça e um grito involuntário chegou a minha boca e ganhou o mundo; o medo que me atingiu foi tamanho que não fiz nada além de gritar e me tremer, minhas pernas e braços paralisaram e somente minhas cordas vocais podiam se mover. No mesmo instante, ouvi o vulto me mandando calar, só então percebi que era uma pessoa e provavelmente conhecido, pois havia me chamado pelo nome.

Agora eu quero partirHistórias para pegar e não largar. Descubra agora