Capítulo 20

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Depois que nos beijamos, ficamos apenas abraçados no sofá aproveitando a companhia um do outro, Samuel brincava com minha mão entrelaçada na sua, comparando-as contra a luz. Eu estava em paz, meu coração não poderia estar mais feliz do que naquele momento.

- Agora eu preciso mesmo ir, Car. - disse de repente, dando-me um leve beijo em minha fronte.

- Não pode mesmo ficar mais um pouco? - não sabia que sentiria saudades antes mesmo de nos despedirmos, eu só queria ficar mais algum tempo com ele.

- Por mim ficaria com você o dia todo, mas eu tenho mesmo que ir. - disse e me afastou delicadamente enquanto se levantava.

- Ok! - concordei por fim.

Sam se aproximou da porta e agora parecia um pouco tímido.

- Car, sobre hoje... eu - falava hesitante, visivelmente envergonhado e ansioso. - eu amei de verdade. Obrigado pela noite! - ele se aproximou, me deu abraço e um selinho.

- Digo o mesmo, Sam - falei com o rosto em brasa, enterrando o rosto em seu peito com o estômago dando voltas como um carrossel.

Sam saiu, entrou no carro e se foi. Meia hora mais tarde, tia Anne chegou e foi direto para o quarto, não a vi, mas sabia que ela estava feliz, pois ouviu músicas e ria como nunca antes de dormir.

Os 15 dias seguintes foram maravilhosos, Sam e eu continuávamos nos aproximando cada vez mais, não houve outro dia como aquele em minha casa, não houve outro beijo como aquele, mas isso não afetou em nada nossa relação. Samuel demonstrava seu afeto por declarações não ditas, como ele mesmo já havia dito. Ele me presenteava todos os dias com uma rosa, não esquecia um único dia, mesmo quando um de nós não poderia ir a cachoeira, ele me enviava pelo entregador. Tocava " Salve- me " para mim, sempre que levava o violão ou quando eu pedia para que cantasse durante nossas ligações, eu amava ouvir a voz dele. Foram os dias mais ternos e felizes que pude passar com ele.

E o mesmo acontecia com Leo. Ele me tratava como uma princesa, sempre disposto a me ouvir e a me ajudar, mas agora nosso relacionamento havia sido estabelecido, eu adorava Leo, mas como meu amigo, meu melhor amigo e acho que depois de muito tempo ele me via da mesma forma, o que nos aproximou ainda mais. Leo tinha uma força de vontade sobrenatural, conseguiu segurar ao máximo a vontade de ceder, sua relação com Sam ainda era instável e mal resolvida e isso o afetava além de suas capacidades, mas ele seguia firme, sem nenhuma válvula de escape física, o que me deixava aliviada mas de coração partido. Conversávamos muito sobre Deus, Leo e eu tínhamos as mesmas ideias e concepções sobre Ele e por isso sempre nos entendiámos muito bem nesse assunto.

Tentei ainda algumas vezes unir os dois novamente, no entanto parei assim que vi que em cada tentativa, um dos dois saía emocionalmente machucado. Ver Leo chorando e se isolando por dias depois de algumas horas com Sam, me doía tanto quanto ver Samuel perdido em pensamentos dolorosos. Nessas horas eu apenas os amparava em meus braços e deixava-os tirar toda a dor do peito e transformá-la em lágrimas e soluços.

×××

Dia 12 de setembro finalmente chegara, eu havia ansiado por esse dia loucamente. Era meu aniversário de 18 anos. Naquele dia eu não fui ao colégio e fiquei na floricultura enquanto tia Anne preparava uma pequena festa de aniversário para mim, mesmo eu tendo negado várias vezes.

- Não fazemos 18 todos os dias, Car, mesmo que de maneira simples o dom da vida deve ser comemorado! - dizia com um tom nostálgico e triste e eu tinha certeza que pensava nas vezes que tentou tirar a vida.

- Então, faça como quiser tia. Eu sei que ficará perfeito!- disse a abraçando enquanto me despedia dela e abria a floricultura.

Agora eu quero partirHistórias para pegar e não largar. Descubra agora