Capítulo 8

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Ficamos deitados por mais alguns minutos, apenas curtindo a atmosfera local. O som da água ao cair era muito inspirador e relaxante, o vento soprava levemente, fazendo as folhas das árvores balançar de maneira suave.
Observei Samuel discretamente, seus olhos estavam fechados e sua respiração leve. Ele realmente era muito bonito, e ao pensar nisso, senti minhas bochechas arderem mais uma vez naquele dia. O que estava acontecendo comigo?

- Vamos?- Samuel me tirou de meus pensamentos, virando a cabeça em minha direção.

- P-pra onde?- respondi gaguejando por ter sido pega de surpresa enquanto o encarava.

- Você disse que me acompanharia ao túmulo do meu irmão... já se esqueceu?- indagou desconfiado, franzindo as sobrancelhas.

- Aah, claro, é... vamos lá!-estava tão envergonhada pela minha amnésia momentânea, que virei rapidamente o rosto para que ele não pudesse ver minha face corada e minha confusão.

Nos levantamos rapidamente, Sam pegou seu violão e foi em direção as árvores à esquerda. Fiquei parada apenas o observando sumir entre elas, sem saber exatamente o que fazer ou para onde ir. Em questão de segundos após sumir, Sam voltou todo desconcertado, creio que lembrando de minha presença ali.

- Melhor irmos de carro, é um pouco longe daqui.

- Mas... e minhas coisas?- estava exatamente onde sempre deixava.

- A gente pode deixar na minha casa, se você não se importar...

- Ok!- assim que respondi virei-me para a trilha e a percorri até meu esconderijo, Sam ficou me aguardando onde estava.

Assim que retornei, segui Sam pela trilha que ele sempre utilizava e em poucos minutos chegamos em uma área cercada com um pequeno portão de madeira cor creme. Atravessamos-o e simplesmente me encontrei em um belo pátio gramado, com diversas palmeiras e arbustos ornamentais. A minha direita havia um pergolado de madeira todo enfeitado com trepadeiras, haviam 3 bancos e uma mesa, mais a frente havia uma enorme escada de mármore que dava acesso a casa, encaixada no meio de arbustos e luzes. Durante a noite com certeza a vista era maravilhosa.
Segui Samuel pelo pátio e fomos até um pequeno barracão que ficava bem à esquerda da escada, o pátio era enorme e nem havia notado a construção a qual via a minha frente, anteriormente. Era um barracão todo branco com uma porta de correr da mesma cor. Nele havia bicicletas, pranchas de surf, quadricíclos e até mesmo um caiaque. Fiquei em silêncio tentando absorver tudo que via, como pode alguém ter tanto e ser tão triste? A vida realmente não dava importância a bens materiais mas sim a um ambiente amoroso e unido.

- Pode deixar aqui, ninguém irá mexer, esse barracão não é aberto a meses - Sam disse timidamente, porém com o tanto de poeira e o cheiro estranho que o local exalava, nem era preciso dizer que fazia muito tempo que uma alma viva colocava os pés lá.

Apenas empurrei minha bicicleta para dentro apoiando-a delicadamente à parede. Peguei minha mochila e a acomodei nas costas.

- Vamos pegar o carro, antes que escureça. - indagou Sam, já fechando a porta e me conduzindo em direção as escadas.

A escada dava em uma enorme porta de vidro, ao passar por ela me vi em um corredor todo branco com algumas portas, ao final ele se abria em uma garagem. Fiquei totalmente assustada em como a casa era enorme e elegante.

Samuel dirigiu-se para uma Ranger Rover Velar prata e me incentivou a fazer o mesmo. Colocou o violão no banco traseiro e gentilmente abriu a porta para mim. Assim que nos acomodamos, Samuel abriu o portão da garagem e saiu.
Ficamos em silêncio durante todo o percursso, Samuel mantinha sua expressão impassível e nada convidativa a um diálogo, o que não me incomodava de maneira nenhuma, gostava do silêncio e estar em silêncio ao lado de Sam era extremamente confortável.
Chegamos ao cemitério local, um lugar em que eu nunca havia ido. Por um momento, me senti apreensiva e embaraçada, eu odiava cemitérios desde a morte de meu avô. Eu não poderia demonstrar minha repulsa agora, pois havia partido de mim a ideia de acompanhá-lo, Sam poderia ficar chateado com minha desistência.
Ao olhar pro lado vi que Samuel estava mais desconfortável do que eu, suava frio e apertava tanto o volante que os nós dos dedos já haviam perdido a cor. Gentilmente, toquei seu ombro e tentei soar o mais natural possível, engolindo toda minha aversão.

Agora eu quero partirHistórias para pegar e não largar. Descubra agora