Capítulo 11

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Leo parou o carro em frente ao portão e me pediu para não sair do veículo, não sei por qual motivo mas eu o obedeci. Ele desceu minha bicicleta, pegou minhas coisas e as colocou ao chão, em seguida Leo me pegou no colo como uma criança, me apertando contra o peito.
Era surreal pensar em como a vida podia ser irônica, Leo seria a última pessoa no mundo em que eu pensaria em estar no colo, e bom, cá estávamos.

— Pode me colocar no chão Leo, não precisa me carregar — disse um pouco preocupada em ser vista por tia Anne que já deveria estar chegando.

— Tem certeza que consegue se equilibrar no chão?— perguntou meramente desconfiado. Apenas assenti.

Leo me colocou no chão com cuidado e enlaçou mais uma vez seu braço em minha cintura em um aperto bem firme. Ele me acompanhou até a sala, me acomodou no sofá e em seguida buscou a cesta e a mochila e as colocou sobre a mesa.

— Pela última vez Carolina, está mesmo se sentindo bem? Não sente outra dor no peito ou dificuldade de respirar? — creio que Leo se preocupava com meu estado tendo em vista que Daniel morreu dias após o acidente. Eu realmente me sentia bem, até mesmo meu tornozelo estava melhor.

— Eu vou sobreviver, não se preocupe. — somente após dizer, percebi o quão infeliz foi minha colocação.

— Ok! Bom, vou voltar pra casa — dizendo isso, Leo se aproximou e depositou um beijo no topo de minha cabeça, o que me deixou estranhamente confusa e envergonhada. — Se cuida, garota! — saiu sem olhar pra trás.

Fiquei alguns segundos remoendo os últimos acontecimentos, tentando entender quando Leo e eu nos tornamos tão próximos. Enquanto minha mente divagava em interrogações, mal percebi que tia Anne havia chegado e não sei dizer qual foi minha surpresa em ver que ela não entrou sozinha.

— Oi querida, encontrei seu amigo na porta e ele me contou sobre sua queda! Como está se sentindo?— acho que dizer que eu estava em choque era o mais adequado, sentia minha alma decidindo se ia de vez ou se ficava em meu corpo. O que Leo estava fazendo ali?

— Estou bem tia, foi apenas...

— Uma queda da bicicleta, ainda bem que te encontrei no caminho. — Leo me cortou.

— Que sorte ele ter passado bem na hora! — tia Anne dizia de uma maneira que eu não conseguia decifrá-la. — Fique e almoce conosco, por favor.— fiquei tão incrédula com o que ela havia dito que abri e fechei minha boca umas três vezes, Leo estava tão surpreso quanto eu, nos encaramos e só se lia confusão em seu rosto.

— Imagina, não quero atrapalhar, já estou de saída — disse por fim.

— Eu insisto, sente-se aqui enquanto preparo algo pra gente — tia Anne agarrou no braço de Leo e o conduziu à poltrona a minha frente. Eu estava totalmente em choque; ou ela estava maluca ou eu estava tendo alucinações. Seria muito tarde pra fingir um desmaio?

Tia Anne, sumiu pela cozinha e sons de panelas e gavetas ecoaram pela casa. Ela realmente iria fazer um almoço pra nós? Minha tia não era dessas, sua mudança abrupta de personalidade era muito suspeita. Ela estava tramando alguma coisa.

— Pensei que tivesse ido embora Leo!— cochichei, temendo que tia Anne pudesse  nos ouvir.

— Eu tinha, mas me encontrei com ela quando saia, ela me olhou como um leão faminto, então disse a primeira coisa que veio em minha mente — Leo manteve o mesmo tom baixo que o meu. — Ela me arrastou para dentro tão rápido que mal pude contestar.

— Tome cuidado com o que fala, ela é muito rígida comigo em questão de rapazes — o alertei. Ele apenas assentiu.

Leo estava tão tímido e confuso que parecia um adolescente de 15 anos conhecendo a família da primeira namorada. Isso me fez pensar que eu não sabia muito sobre Leo e já que íamos passar um tempo juntos, por que não saber mais?

Agora eu quero partirOnde histórias criam vida. Descubra agora